Notícias e Variedades de Macaé
Início » Esporte » Surfe, o esporte que encanta Macaé

Surfe, o esporte que encanta Macaé

sex, 18/12/2015 - 15:09 -- Raphael Bózeo
Categoria: 
Créditos: 
Leandro (Foca)
surfista

Macaé tem um cenário privilegiado para o esporte. A Praia do Pecado é o principal local dos praticantes da modalidade na cidade e reúne um “mar de surfistas”, principalmente nos fins de semana. Em cima da prancha, eles olham a praia por outro ângulo. E a cada mergulho, a cada caldo que levam e a cada manobra, se orgulham de serem surfistas.

O início de tudo

 

Em Macaé, o surfe começou a ganhar destaque no final da década de 1970. Nesta época, a Praia do Pecado ainda era “proibida” para a população em geral, por ser taxada de perigosa por causa de suas ondas de grande tamanho e de ótima formação. Enfim, um paraíso para os surfistas locais.

Foto: Alle Tavares

raul da atolO empresário e surfista carioca Raul Pacheco chegou em Macaé no início da década de 1980 para abrir a primeira loja de surfe da cidade, a Atol Surf Shop, que ficava no Shopping 300. O local logo virou o point de toda uma geração, sendo o único lugar onde podia-se encontrar as novidades do surfe, vindas do Rio de Janeiro, para atender aos anseios dos praticantes do esporte na cidade, como pranchas, roupas e até revistas especializadas, que ainda não eram vendidas por aqui.

 

Em 1984, o surfe em Macaé ganhou destaque com o primeiro campeonato de peso realizado na cidade: a 1ª Copa Pecado de Surf contou com o patrocínio da Petrobras e da  Atol. “A Copa Pecado de Surf foi especial, por ser o primeiro campeonato realizado na cidade com divulgação nacional, trazendo competidores de todo o país. Hoje, a cidade cresceu e o número de surfistas também. Acho importante o trabalho de base que está sendo feito pela Associação de Surfe para as novas gerações”, comenta Raul.

 

De lá pra cá, o surfe ganhou ainda mais projeção nacional com dois títulos mundiais, em 2014, com Gabriel Medina e agora em 2015 com Adriano de Souza, o Mineirinho. Com esses feitos inéditos, a modalidade ganhou ainda mais destaque em todo o país.

 

Novos talentos

surfistaFoto: Alle Tavares

Um dos destaques da nova geração do surfe macaense, o jovem André Cadinelli, o Dedé, de apenas 15 anos, começou a surfar no início de 2014 e, desde então, não parou mais. Venceu competições locais, mas admite que não pretende seguir carreira nas águas. Mas uma coisa é certa e não vai abrir mão, o surfe jamais sairá da sua vida.

 

“Na época das férias, é sempre melhor para pegar onda. No início do ano, eu vinha todo dia para a praia, mas vai chegando o fim do ano, daí tenho que estudar e só posso nos fins de semana. É a maior paixão. Sonho em fazer isso para o resto da minha vida. Gosto de competir para ficar perto dos meus amigos e me divertir. É um esporte incrível”, revela.

 

Associação mais atuante

 

Com o “boom” do esporte no país, uma preocupação com a renovação de alto nível aconteceu. “A associação de surfe se preocupava muito com a renovação das novas gerações do surfe em Macaé. A renovação não foi feita. Hoje, quem surfa bem na cidade são os mais velhos, mas já tem alguns nomes da nova geração despontando. É um processo que leva tempo. Nosso trabalho de base é para fazer com que esses meninos cresçam no esporte”, conta José Augusto Mattos Júnior, o Guto, diretor da Associação de Surf de Macaé.

Foto: Alle Tavares

loro e futo surfistasMarco Antônio, ou Louro, como é conhecido o presidente da Associação de Surf de Macaé, enaltece a importância da base e lembra também que o esporte virou uma indústria que fatura cifras altíssimas. “Hoje, o surfe é uma indústria milionária, praticada por empresários e pessoas de todos os tipos e classes sociais. O esporte, inclusive, é usado para tratamento de doenças, é um esporte que fortalece o sistema respiratório. Melhorou muito a imagem e a aceitação pelas pessoas”, conta Louro.

 

O trabalho da associação está muito focado nas competições, como forma de estimular as novas gerações no esporte através de campeonatos de peso, que tragam para Macaé, surfistas de ponta no cenário estadual e até nacional. Foi assim em 2011, 2012 e 2013, com a realização das três edições do Macaé Eco Surf, que contou pontos para o ranking profissional brasileiro e estadual. “Em 2014, o campeonato não aconteceu por causa da Copa do Mundo, mas ainda estamos tentando fechar a etapa para este ano de 2015”, explica o presidente da associação.

 

O dentista Carlos Eduardo Gonçalves da Silva,  que na praia é conhecido como Doutor Kaká, fez suas primeiras manobras, aos 15 anos. Muitas vezes, antes mesmo de atender os pacientes, ele pega a sua prancha para renovar as energias no mar pela manhã.

 

E o tempo passou. Hoje, Kaká tem um filho de 15 anos, Eduardo Lima, que inicia também sua jornada no surfe e ganhou o apelido de Kakazinho. “Costumo dizer que não há nada que um bom dia de surfe não cure. Não dá para deixar de praticar o esporte. Quebra a rotina da gente. Tem sempre aquele grupo de amigos que surfa junto. Meu filho começou a surfar agora, na mesma idade que comecei lá atrás, está sendo uma experiência muito prazerosa. É muito bom poder levar meu filho e os amigos deles para surfarmos juntos”, conta Kaká.

 

Nunca é tarde para aprender

Foto: Alle Tavares

professor de surfe

Surfar é algo que necessita de treinamento, como toda modalidade. Porém, se engana quem acha que só os mais novos podem aprender. Na escolinha de surfe do professor Cristiano Silva (Mosquito), há alunos das mais variadas idades. E a maioria é de pessoas acima dos 40 anos. Segundo ele, muitos profissionais que trabalham no mercado de petróleo, antes de iniciarem as atividades do dia, estão na praia fazendo aula de surfe.

 

“Tenho alunos de várias idades, até de 60 anos. Tem a garotada nova também, mas o público maior é dos mais velhos. Muita gente acha que a idade chegou, que não dá mais para aprender, e não é verdade. O surfe é um esporte incrível e que pode ser aprendido em qualquer tempo”, comenta o professor.

 

Uma câmera na mão e várias ondas no mar

Foto: Alle Tavares

fotografo na praia

A paixão pelo esporte fez o também surfista Leandro Norberto, o Foca, desenvolver uma nova habilidade, que acabou virando uma ocupação. Certa vez, sentado na praia, olhando o mar, começou a apreciar a beleza das ondas quebrando na arrebentação.

 

Como num passe de mágica, teve a ideia de comprar uma máquina fotográfica e fazer um grande ensaio sobre o surfe macaense. “Eu vi que em Macaé não tinha ninguém fotografando na praia. Comprei uma máquina, fiz uma página na internet e comecei a registrar todo mundo que surfa na cidade. Eu virei fotógrafo por causa do surfe. O meu tempo de surfe diminuiu e o tempo de registro aumentou. Tudo pelo esporte. Estou me profissionalizando, fazendo cursos e tirando fotos ainda melhores”.

 

Para quem quer iniciar no esporte e experimentar as emoções de entrar no mar, subir numa prancha, deslizar nas ondas, a hora é essa. Aproveite e boas ondas!

Comentários

Enviado por Claudio em
Comecei a surfar em 1985 em Macaé e queria saber da galera das antigas como Hildo, zarour, marcinho que surfava muito, tinha tambem o saudoso Janjão, Mariola, varios outros, o shaper Mimil, surf explosivo, surf progressivo, me lembro da atol na época as pranchas vendidas eram da Spirit, Realce nordeste, Getit, Hot Stick, Energia, e por ae vai, saudades de mais dessa época, pouco crowd e mais Natureza.

Comentar

Seu comentário será liberado pelo administrador. Informe-se sobre as regras de moderação de comentários no Termo de uso.
CAPTCHA
Resolva a soma abaixo por questões de segurança
3 + 0 =
Solve this simple math problem and enter the result. E.g. for 1+3, enter 4.