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Um novo portal se abre para celebrar o presente. Quando o senhor do tempo alinha seus ponteiros em direção ao céu, somos convidados a levantar o olhar, fascinados pelas luzinhas que se acendem, nos lembrando que esse hoje já é amanhã. Nesses primeiros instantes, o que se foi e o porvir se fundem, na mistura alquímica que faz da gratidão esperançar.
Antes que o ano acabe… desejo. Tanto ainda por alcançar, quanto ainda ficou à espera.
Antes que o ano comece… desejo. Quanto ainda insiste em avançar, tanto ainda pulsa a inquietar.
Um novo portal se abre para celebrar o presente
Um novo portal se abre para celebrar o presente
É com esse desejo insistente que vou deixando para traz 2025 e atravessando a rua que leva para 2026. De repente completamos um quarto desse século XXI que parece ter começado ontem. 25 anos! Quantos caminhos percorridos. Quantas despedidas. Quantas chegadas. Quantos sonhos tocados com as pontas dos dedos… e com a escuta atenta. São, para mim, 25 anos tomando o desejo como ponto de partida, como causa, como força motriz impulsionando a seguir. Um quarto de século de transformações, de mudanças, de andanças. Uma pandemia descortinando paradoxos. O real ali, nem no começo nem na chegada, se fazendo presente no meio da travessia, como ensinou Guimarães Rosa.
2025 – 2026. Para alguns é só mais um número a acrescentar na linha do tempo da vida. Para outros, mais dados à poesia, o fim de um ano que anuncia o nascer de outro, traz consigo um chamado à reflexão.
Os sonhos não envelhecem e renascem a cada novo amanhecer.
Os sonhos não envelhecem e renascem a cada novo amanhecer.
Essa ideia piegas, já tão batida, mas genial, de cortar o tempo em fatias, como poetizou Drummond, nos chama a encerrar ciclos, colocar pontos finais em textos inacabados. Também nos convida a apostar de novo, a acreditar no milagre da renovação, a redescobrir esperanças, a despertar sorrisos, firmes na fé de que os sonhos não envelhecem. Que eles renascem a cada novo amanhecer.
2025 foi um ano desafiador. Despertou coragens. Testou limites. Mostrou que o sal escorrido dos olhos lubrifica nossa força. Esse ano que se encerra ensinou a olhar com delicadeza para nossas fraquezas, a amparar as fragilidades de quem nos pede ajuda, a não banalizar o absurdo e não esquecer nossa ternura empoeirada num canto escuro. Esse tempo rei transformou as velhas formas do viver e fez abrir sorrisos embalados pelo tumtum do coração.
Que nesse novo ciclo que se abre, possamos encontrar abrigo em abraços que são casa, que a paz seja nossa realidade mais urgente, que a coragem e o amor andem de mãos dadas. Que brote perdão onde a gente plantou e que possamos transbordar poesia como palavra de cura para as dores do mundo.
Que 2026 vá chegando de mansinho, nos acolhendo com serenidade, abrindo portas e janelas para a brisa fresca arejar a casa. Que esse ano novinho em folha nos relembre que nosso corpo é nossa casa. E que casa é templo. Nosso santuário sagrado. Que esse tempo presente seja de doçuras, bonitezas, sonhos, milagres e de coração a batucar.
GLAÚCIA PINHEIRO
Psicanalista e Doutorada em Psicologia.
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