Nathalia Nunes Borges com a mãe Kátia Lopes Nunes. Duas gerações com o mesmo objetivo, envelhecer bem. (Foto Alle Tavares)
Nathalia Nunes Borges com a mãe Kátia Lopes Nunes. Duas gerações com o mesmo objetivo, envelhecer bem. (Foto Alle Tavares)

A nova tendência é a busca pelo “Quiet Beauty”, o envelhecimento que valoriza a naturalidade e sutileza contra procedimentos estéticos exagerados

A busca pela beleza e juventude sempre foi explorada nos contos de fadas. Quem se lembra da clássica pergunta da Rainha Má da Branca de Neve ao espelho? “… Existe alguém mais bela do que eu?”. Mais recentemente, a personagem Mãe Gothel, do filme Enrolados, é uma vilã vaidosa que sequestrou Rapunzel para viver eternamente jovem e bela. E na vida real? Será que há alguma semelhança com as histórias da Disney?

A mulher sofre pressão social em relação à beleza desde nova e envelhecer pode ser muito traumático para algumas pessoas. A psicóloga Karoline Balestiere explica. “O ser humano tem várias versões e no processo de envelhecimento a tendência é não mostrar essa nova versão. Por isso, é muito importante a mulher se conhecer, para poder sustentar quem realmente ela é”, avalia.

A dermatologista Dra. Michele Monteiro explica que houve um momento na estética em que os excessos, principalmente nos preenchimentos, comprometeram a naturalidade dos resultados. (Foto Ana Amado)
A dermatologista Dra. Michele Monteiro explica que houve um momento na estética em que os excessos, principalmente nos preenchimentos, comprometeram a naturalidade dos resultados. (Foto Ana Amado)

Atualmente, a medicina e a tecnologia andam juntas para proporcionar um envelhecimento saudável e mais leve, principalmente, às mulheres. Existem diferentes procedimentos estéticos para cada tipo de pele, necessidade e objetivo delas, e a tendência hoje é a busca pelo “Quiet Beauty”, ou seja, o envelhecimento que valoriza a naturalidade, sofisticação e sutileza, indo contra procedimentos estéticos exagerados.

A dermatologista Dra. Michele Monteiro explica que houve um momento na estética em que os excessos, principalmente nos preenchimentos, comprometeram a naturalidade dos resultados.

Ainda vemos reflexos desse período, com rostos sobrecarregados e perda de harmonia. Em seguida, surgiu um movimento oposto, com a busca pela chamada ‘beleza invisível’, e muitas pacientes passaram a querer reverter procedimentos, inclusive com a retirada do ácido hialurônico. Se antes volumes excessivos eram associados a um padrão de beleza, hoje o objetivo é outro: resultados mais naturais, proporcionais e elegantes, sempre respeitando a anatomia e a individualidade de cada paciente”, destaca a médica.

Cristiane Costa, proprietária da Espaço Facial Macaé, diz que tem percebido a mudança nas clientes, que procuram ressaltar a beleza sem modificar a face, ao contrário de anos atrás. (Foto Alle Tavares)
Cristiane Costa, proprietária da Espaço Facial Macaé, diz que tem percebido a mudança nas clientes, que procuram ressaltar a beleza sem modificar a face, ao contrário de anos atrás. (Foto Alle Tavares)

Cristiane Costa, proprietária da Espaço Facial Macaé, vê essa mudança de comportamento no seu dia a dia. “Pela primeira vez, estamos vendo as mulheres envelhecerem sem aparentar a idade que têm. Elas querem ressaltar a beleza sem modificar a face. Hoje, o menos é mais, ao contrário de anos atrás quando se utilizava muito preenchimento e a gente acabava não reconhecendo a pessoa”, ressalta.

A engenheira Ana Carolina Pezzini (46), fez um preenchimento de olheira antes da pandemia e resolveu retirá-lo há um ano. “Sempre tive olheira e ela me incomodava bastante. Na época eu gostei, mas depois percebi que estava exagerado. O ácido hialurônico formou uma bolsa embaixo dos olhos, parecia que o produto estava caindo. Foi nesse momento que procurei a Dra. Michele”, conta.

A médica explica o tratamento realizado. “Como o preenchimento nas olheiras não foi feito por mim, o primeiro passo foi fazer uma avaliação criteriosa da região. Solicitei uma ultrassonografia para identificar o material presente e, a partir disso, optamos pela retirada com hialuronidase, uma enzima capaz de degradar o ácido hialurônico. Após respeitar o tempo adequado de recuperação, realizamos um novo procedimento, priorizando um resultado mais natural e seguro. Recebo muitas pacientes que desejam reverter procedimentos anteriores, mas é fundamental destacar que essa abordagem também envolve riscos e exige uma avaliação médica cuidadosa”, frisa Dra. Michele.

Hoje, Ana Carolina se preocupa com a saúde da sua pele. “Não tenho medo de envelhecer, mas procuro ter uma aparência saudável. Me preocupo muito com a qualidade da pele, sem pensar em me adequar na expectativa do outro”, afirma.

Ana Carolina Pezzini fez um preenchimento de olheira antes da pandemia e resolveu retirá-lo há um ano. Hoje, ela se preocupa com a qualidade da sua pele e busca uma aparência saudável. (Foto Ana Amado)
Ana Carolina Pezzini fez um preenchimento de olheira antes da pandemia e resolveu retirá-lo há um ano. Hoje, ela se preocupa com a qualidade da sua pele e busca uma aparência saudável. (Foto Ana Amado)

Cristiane afirma que as mulheres querem ficar bem. “O envelhecer assusta e os procedimentos associados à tecnologia, menos invasivos, proporcionam excelentes resultados. Temos um caso de uma paciente que se emocionou ao se ver após o tratamento. Ela nos contou que não conseguia mais se ver no espelho e ela voltou a ter autoestima”, revela.

Para conquistar o “Quiet Beauty”, existem diferentes tratamentos e tecnologias, mas o estilo de vida também é um aliado. “Eu sempre associo procedimentos a uma abordagem estruturada na Medicina do Estilo de Vida. Não é sobre tratar apenas a pele, é cuidar do todo. Sono de qualidade, alimentação equilibrada, atividade física regular, manejo do estresse, conexões sociais saudáveis, evitar substâncias nocivas e o cuidado com o ambiente formam a base para um envelhecimento mais saudável”, explica Dra. Michele.

Para a geração mais nova, o tratamento da pele está focado na prevenção. “Um procedimento não é indicado pela idade, mas pela necessidade. A geração mais nova tem cada vez mais acesso a tratamentos preventivos, o que é muito positivo. Por outro lado, muitas chegam com referências e faz parte do meu papel orientar com responsabilidade. Minha indicação é sempre baseada no que é adequado para cada paciente, respeitando sua individualidade”, reforça a médica.

Nathalia Nunes faz pequenos procedimentos de forma preventiva, para minimizar os efeitos da idade. (Foto Alle Tavares)
Nathalia Nunes faz pequenos procedimentos de forma preventiva, para minimizar os efeitos da idade. (Foto Alle Tavares)

A advogada Nathália Nunes Borges (35) faz procedimentos de forma preventiva e tem gostado dos resultados. “Tudo que é para a gente ficar mais bonita, sem mudar a expressão, eu acho válido. Não vou atrás de tendências, prefiro fazer tudo mais sutil, nada muito invasivo e com foco na prevenção. A profissional me orientou a fazer os procedimentos com responsabilidade e a partir do sucesso do primeiro resultado, comecei a fazer outros”, explica.

Nathália revela que sempre cuidou da pele com cremes e protetor solar e iniciou os procedimentos estéticos aos 30 anos. “Hoje temos muitos recursos e acho importante preservar a nossa autoestima. Busco fazer os tratamentos para envelhecer bem, sem perder a naturalidade”, diz.

Ao contrário de Nathália, sua mãe, a microempreendedora Kátia Lopes Nunes (60), tem o protetor solar como seu maior aliado e nunca fez procedimentos estéticos. “Uso filtro solar sempre. Eu tive um câncer de pele e meu pai também teve alguns, por isso não vivo sem ele. Fora isso, uso sérum e também já tentei fazer ginástica facial”, conta.

Kátia Nunes nunca fez procedimentos estéticos e se cuida naturalmente. (Foto Alle Tavares)
Kátia Nunes nunca fez procedimentos estéticos e se cuida naturalmente. (Foto Alle Tavares)

Kátia está passando pelo processo de envelhecimento com muita naturalidade e afirma que não é totalmente contra procedimentos estéticos. “Fazer pequenas correções, tudo bem. O que me incomoda, por exemplo, é o colo. De repente, eu até faria algo, mas nada que eu pudesse correr o risco de mudar a minha aparência”, destaca.

A psicóloga Karoline faz um alerta. “Nosso corpo é um símbolo de construção. A gente constrói ele durante os anos, de acordo com as nossas experiências. O contexto que a pessoa vive influencia muito e as redes sociais também. Por que não envelhecer? Que momento foi esse que querem congelar a jovialidade? É uma pressão da sociedade, mas o que tem que mudar é a percepção das pessoas em relação a isso”, pontua.

A psicóloga Karoline Balestiere explica que a mulher sofre pressão social em relação à beleza desde nova e envelhecer pode ser muito traumático para algumas pessoas. (Foto Alle Tavares)
A psicóloga Karoline Balestiere explica que a mulher sofre pressão social em relação à beleza desde nova e envelhecer pode ser muito traumático para algumas pessoas. (Foto Alle Tavares)

Kátia finaliza: “Com a maturidade, o foco mudou. Ver a nossa autoestima, a nossa força como mulher, isso é importante. Eu me amo, meu namorado me admira e priorizo o contato real, não o virtual. Não tenho pressão nenhuma em relação à aparência”, conclui.

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