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Stand up paddle

ter, 02/12/2014 - 11:18 -- Raphael Bózeo
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Fotos Alle Tavares
stand up paddle na lagoa de imboassica

Uma rápida passada pela Praia dos Cavaleiros e a identidade de Macaé está à vista: belo visual, água de coco e esportes de verão praticados o ano inteiro: frescobol, futevôlei, surfe, bodyboard, skate, patins... E, recentemente, uma nova febre se instalou nas praias, rios e lagoas da cidade. O Stand Up Paddle (SUP) chegou de mansinho e já conquistou um grande público. Quer tirar a prova de como isso é apaixonante? Basta olhar para o mar ou para a lagoa para ver alguém com remo, em cima de uma prancha deslizando no horizonte.

Como veio parar no Brasil?

ailton figueiredoO Stand Up Paddle teve sua origem no Havaí, quando os nativos remavam em pranchas compridas para tirar fotos dos turistas que aprendiam a surfar. No início dos anos 2000, alguns havaianos investiram em pranchas e começaram a desenvolver o esporte.

No Brasil, a modalidade chegou por intermédio dos surfistas Jorge Pacelli e Haroldo Ambrósio, que trouxeram equipamentos mais modernos para cá. Este interesse foi crescendo no Brasil e se tornou febre nas praias do Rio de Janeiro, São Paulo, no sul do país e em lagos e rios de Brasília, até chegar a Macaé.

Há quem ache estranho. Como ficar em pé e ainda se equilibrar mesmo com ondas e vento forte? Um desafio que encanta quem participa, principalmente pelo visual. E mais. Te possibilita, literalmente, andar sobre as águas. Se alguém acha que é coisa de outro mundo, o professor da modalidade Aílton Figueiredo garante que é mais fácil do que se imagina. “É preciso ter vontade apenas. Uma pessoa consegue remar sem cair de primeira, vai aprendendo e pegando o jeito com o tempo. Mas, para praticar esse esporte, basta querer. É importante o equilíbrio, mas é fácil. Uma criança de 10 anos pode fazer, assim como um senhor de 70. A prancha vai de acordo com a evolução e o equilíbrio da pessoa”, conta o professor.

Arquivo pessoal

flávio reisExemplo disso é o Procurador da República Flávio Reis que, com uma semana praticando, participou de uma pequena competição. Ele lembra que nem ficava em pé direito, mas foi o pontapé inicial para que as remadas se tornassem tradição em sua vida, normalmente pela manhã. Pelo menos duas vezes por semana, ele inicia o dia no mar.

“Nem sei como eu participei daquela prova, foi mais para ser um estímulo. Você quer sempre melhorar e isso faz com que você tenha metas e ultrapasse barreiras. Todo mundo que busca essas competições passa perrengue, mas isso é o de menos. É um esporte especial e te deixa renovado. Costumo dizer que é de reflexão”,  conta Flávio.

Programa familiar

Esse esporte pode virar, facilmente, um programa familiar. Não há restrições. O administrador Alex e sua esposa Gláucia Pinheiro encontraram no SUP um novo estilo de vida. Enquanto Alex Sant’Ana estava viajando para fora do país a trabalho, Gláucia fez uma aula experimental por aqui e, de prontidão, comprou uma prancha “escondida”. Após a iniciativa, ligou e avisou ao marido. Foi através dessa atividade que Alex perdeu 27 quilos em quatro meses. E é ali, em alto mar, que ele encontra o equilíbrio para tocar sua vida com serenidade.

“Eu volto renovado das remadas. Sempre que eu estou de mau humor, falo com ela para deixar eu ir remar. Às vezes, vou até o Mar do Norte e volto remando até a Imbetiba, fico umas duas horas no mar. A sensação de estar em um lugar que ninguém está é muito boa. Além disso, ficar em alto mar me permite uma reflexão, uma meditação, que me faz muito bem. Mudou a minha vida”, comenta Alex.

Foco nas competições

Enquanto Alex buscou uma nova diretriz para a vida pessoal, a esposa caminhou para as competições. Gláucia organizou o tempo no consultório de psicanálise e tratou de trabalhar sua mente olhando o mar. Se organizou e, após algumas competições pequenas, resolveu participar do W2, prova de 22km realizada entre Búzios e Cabo Frio, de alto nível.

família com prancha de stand up paddle

Na ocasião, o desafio parecia mais difícil do que o planejado. Um cansaço grande chegou no meio da prova e ela pensou em desistir. Porém, a solidariedade de um competidor de outra categoria, o renomado Bob Araújo que abdicou da prova para ajudá-la, fez Gláucia concluir a etapa. Lado a lado, eles cruzaram a linha de chegada após 4 horas e meia. Ela chegou em último lugar geral, mas em primeiro na categoria dela, já que ninguém mais concluiu. Foi aplaudida por todos os participantes. Por fim, uma vitória da superação e do companheirismo.

 

“Eu já não aguentava mais, mas o Bob foi incrível e me ajudou psicologicamente, me dando apoio. Me deu muita força e cheguei ao fim. Foi uma sensação incrível de chegar ao fim. Ele ganhou o troféu Fair Play por essa atitude, foi muito legal”, relembra Gláucia.

Nas ondas do surfe

O Stand Up também ganhou fãs entre os surfistas. André Tinoco, com mais de 20 anos de surfe tradicional, agora substituiu a prática pelo SUP. Agora, ele pega onda com a prancha e o remo, sensação que, segundo ele, exige muito mais do que o surfe tradicional.

“Tinha um certo preconceito com o Stand Up porque eu achava que pegar onda era com prancha mesmo normal. Depois que experimentei, vi como é legal. Desde que comecei a praticar, em 2013, eu só peguei onda com a prancha tradicional duas vezes. E pegar onda desta forma, exige muito mais. Pode parecer fácil, mas não é. É um desafio motivador”, conta André. 

Arquivo pessoal

pessoa fazendo stand up paddle no mar

Outro surfista que aderiu à onda é Michel Teicher, executivo de uma empresa no ramo de petróleo. Ele surfa desde a juventude e, há três anos, também rema com o SUP. Se o surfe ele praticava sozinho, o stand up foi uma forma de colocar a esposa para acompanhá-lo.

“Tem uns três anos que pratico o SUP, sou surfista desde moleque. Velejo também, e quando começou a aparecer o Stand Up, foi até uma forma de colocar a “Dona Maria” (se referindo a esposa Mônica) para fazer exercício também. O lance legal é ser acessível para qualquer pessoa, de qualquer faixa etária. É um exercício excelente para o corpo e para a mente”, fala Michel, que costuma remar também em Búzios, nas praias da Ferradura e Rasa.

Grupo de praticantes crece

Em Macaé, um grupo de quase 200 pessoas troca mensagens e marca encontros para as remadas. Os locais mais usados para a prática são as praias dos Cavaleiros e Imbetiba, a Lagoa de Imboassica e, ocasionalmente, o Rio Macaé.

Arquivo pessoal

homem na prancha de stand up paddle no mar

Por questões de segurança, é recomendado para aqueles que estão começando sempre uma companhia para que não haja problemas. Além disso, algumas dicas são importantes. “Tem que fazer uma boa hidratação no corpo, já que as pessoas ficam muito tempo no sol, usar o leach (corda que amarra na perna e fica presa a prancha) e o celular com uma capa à prova d’água. Isso faz com que evite riscos”, diz Aílton.

 

O esporte também não é barato. Para adquirir o material básico para a prática (prancha e remo), é necessário desembolsar, em média, R$ 3 mil. Outra opção para quem começa é o aluguel do material por um determinado período, que gira em torno de R$ 50, por hora. No mais, é aproveitar o horário de verão e a onda do Stand Up para começar a praticar um esporte de grande contato com a bela natureza de Macaé.

 

Esta matéria foi originalmente publicada na Revista DiverCidades (impressa) edição de Fim de Ano/ Verão 2014.

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