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Negócios de família

ter, 02/12/2014 - 11:38 -- Leila Pinho
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Fotos Alle Tavares
família Faria da Central de Aços de Macaé

Assim como a Sadia, a Magazine Luiza, a Odebrecht, muitas empresas brasileiras nascem com uma característica em comum: a de serem familiares. Pais, filhos, irmãos, esposas, maridos, tios, sobrinhos, netos e agregados fazem coexistir dois laços: o afetivo e sanguíneo com o profissional. Trabalhar em família pode ser muito prazeroso, desafiador e rentável.

Em Macaé, três famílias S/A trilharam caminhos de muito aprendizado e descobriram autênticas fórmulas de sucesso; o JPavani, na área de varejo supermercadista, a Flash Print, no segmento de serviços de comunicação visual; e a Central de Aços, na área de comércio de suporte on e offshore siderúrgico e naval.

“Trabalhamos de domingo a domingo durante mais de 25 anos. Mamãe dormia no mercado e acordava no mercado. Se a gente fica perto é que as coisas andam”, fala o diretor do JPavani, Paulo Cezar Campos Pavani, filho dos fundadores do Pavani: Terezinha Campos Pavani e Joaci Pavani.

“Quando os filhos vieram para trabalhar conosco, a intenção era eu e o Jorge (marido) nos afastarmos, mas não conseguimos. A empresa se transformou num filho pra gente”, conta Jussara Castro Pinheiro da Costa, responsável pelo setor financeiro da Flash Print.

“Temos muito respeito pela hierarquia e sabemos o quanto é importante respeitar a opinião do outro. Digo que nós somos o quarteto fantástico porque um complementa o outro”, diz João Guilherme Faria, gerente de vendas da Central de Aços, que administra a loja junto com o pai, a mãe e a irmã.

O que faz a família S/A dar certo?

Foto Gianini Coelho

gilberto soares do sebraei norte fluminenseDe acordo com o Coordenador Regional do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) do Norte Fluminense, Gilberto Soares, a realidade de Macaé não foge à regra do Brasil. “Na indústria de óleo e gás não é predominante. Mas, no comércio, a tendência é das empresas serem familiares. Talvez, por Macaé ser muito próspera e o nível cultural ser elevado, observo que as pessoas aqui estão mais preparadas”, fala Gilberto. O coordenador regional do Sebrae observa novo comportamento entre os profissionais. Para ele, o perfil está mudando e mais pessoas, que antes desejavam ser empregadas, de uma grande corporação agora estão interessadas em abrir o próprio negócio. E pra começar, nada melhor do que a família.

Para Gilberto, algumas práticas são fundamentais para apontar o caminho do êxito. O equilíbrio entre o que é pessoa física e jurídica é uma. A mistura de identidades entre os membros da família que são gestores pode ser muito prejudicial. É preciso separar a mãe da administradora, por exemplo. Ter clareza sobre a questão financeira e saber a diferença entre o que é lucro da empresa e retirada pessoal também é importante. “Sugiro montar um bom planejamento estratégico, onde fique claro qual é a função de cada um, assim como seus deveres e responsabilidades. Isso deve estar claro e descrito no papel”, diz. Respeitar a hierarquia e se capacitar continuamente são boas dicas, também.

Para os Faria...

Na Central de Aços, um intenso envolvimento com a empresa, liderado pelo Diretor João Faria, mais conhecido como Faria, foi o fio que conduziu a esposa Maria Faria, do RH; o filho João Guilherme Faria, Gerente de Vendas; ea filha Marianna Faria Siqueira, Gerente Administrativa, a se apaixonarem pela gestão em família.

Quando Marianna e João ainda eram crianças, Faria os incentivava a conhecer e participar da loja. Assim, os dois cresceram se sentindo parte da Central de Aços e acabaram, naturalmente, por ajudar a administrar o negócio.

“Existe uma hierarquia que é respeitada. Somos uma família unida e também somos profissionais. Estamos na empresa para trabalhar e ali o ambiente é formal e não nos chamamos como filho, pai ou mãe”, conta Maria. Para ela, tão importante quanto ser dinâmica e ter cuidado no trato com os demais membros na condução dos assuntos corporativos, é exigir o melhor.

família Pavani no supermercado J PavaniPara Marianna, a definição clara das funções de cada um colabora muito para a harmonia do ambiente. “Pra gente, o importante é o barco ser conduzido em uma só direção”, fala João Guilherme.

Para os Pavani ...

Para a família Pavani, a receita do sucesso passa por muito trabalho, há 40 anos. Vindos no ano de 1974 de uma fazenda em Sodrelândia, em Trajano de Moraes, os Pavani compraram um imóvel em Macaé onde fizeram morada e ganha pão. A casa ficava em frente ao atual supermercado do Visconde de Araújo. O mesmo imóvel foi dividido entre a residência e a venda JPavani, assim nomeado por causa das iniciais do patriarca Joaci Pavani. O negócio era pequeno, comercializava arroz, ovos e outras mercadorias a granel e vendia fiado. Desde pequenos, Paulo e Luiz ajudavam os pais. A família se empenhou bastante, enfrentou dificuldades, persistiu, sem deixar de perder a esperança de um futuro melhor.

“Nunca jogar dinheiro fora e fazer as coisas com segurança. Não temos ambição de crescer com dinheiro do outro, temos a cultura de crescer com recursos próprios”, fala Paulo. A experiência de Terezinha provou o quanto é importante estar sempre de olho no que é valor para o cliente. Ela recorda que, na época do lançamento do plano real, enquanto os mercados pequenos de Macaé negavam o ticket como pagamento das compras, o JPavani aceitava. Muitas vezes, o supermercado estabelecia uma porcentagem pequena de lucro como forma de conquistar o consumidor e fazê-lo voltar na próxima compra.

Justo na década de 1990, quando a moeda se estabilizou com o plano real, é que o JPavani cresceu com mais força. Em 2000, o supermercado fechou a pequena venda e abriu a grande loja onde hoje está o JPavani, no Visconde de Araújo. Depois disso, o supermercado da Ajuda foi inaugurado, em 2006.  O fruto mais recente do esforço desta família está em construção do novo JPavani, que ficará na Avenida Evaldo Costa (antiga Ayrton Senna), perto da Igreja Santo Antônio. Ainda não há data para a inauguração, mas a família já adianta que quando a unidade nova ficar pronta, o atual supermercado que fica na Rua do Proletariado irá fechar.

Para os Pinheiro da Costa ...

família pinheiro da costa da flash print de macaéNa Flash Print, a família Pinheiro da Costa acredita muito que o afinco no trabalho, o respeito à hierarquia e a divisão entre os laços afetivos e o lado profissional norteiam para a prosperidade. Jorge Pinheiro da Costa, sócio majoritário, e sua esposa Jussara Castro Pinheiro da Costa saíram de Campinas (SP) na década de 90 para morar em Macaé, quando decidiram abrir a Flash Print. Jussara conta que o início foi difícil e desafiador, exigindo do casal longas horas de dedicação. A seriedade em cumprir os compromissos, um valor deles, foi replicada no negócio e surtiu bons efeitos.

“A gente trabalha sério. Cobramos quando tem que cobrar e separamos bem esse lado família, da empresa. Aqui (na Flash Print), o Júnior (Jorge Pinheiro da Costa Júnior – filho de Jussara e Jorge) me chama de Dona Jussara e fala Sr. Jorge (com o pai)”, conta. Para eles, ter o domínio dos processos é um grande diferencial. “Quando você é dono precisa saber de tudo porque se o funcionário falta não tem problema, assim não fica dependente de ninguém”, diz Jussara.

Trabalhar em família é bom porquê...

“Você sabe que tem pessoas que zelam pelo que você criou. De vez em quando, a gente discute, é normal porque são formas de pensar diferentes. Mas estamos sempre trocando ideias”, fala Jorge da Flash Print. Para o filho dele, Júnior, a vantagem está na certeza do resultado. “Traz segurança. Eu trabalho para mim mesmo e se eu me empenhar em crescer, sei que vou colher bons frutos”, diz. Jussara também se sente mais tranquila. “O lado bom é saber que se eu sair é meu filho que vai gerir a empresa”, fala Jussara. 

A Diretora Financeira do JPavani, Marcilene Amaral e Siqueira Pavani, esposa de Paulo, não pensa em fazer outra coisa que não continuar no supermercado. “É muito bom ter todo mundo junto. Facilita a vida da gente, além de ser cômodo também”, diz Marcilene. Para Paulo, a harmonia é importante valor. “Tem equilíbrio, a gente conversa e se entende. Papai e mamãe são bem flexíveis e passaram isso pra gente”, diz Paulo.

Divulgação JPavani
projeção gráfica do novo supermercado J PAvani

Para Marianna, da Central de Aços, o prazer da convivência e de estar sempre junto são grandes benefícios do trabalho em família. “Pela liberdade, pela amizade e pela confiança. Pra mim, a família é a base de tudo”, afirma João. Já Maria, sente grande satisfação na Central de Aços e fica muito feliz em estar junto do marido e dos filhos.

O futuro

 

Muitos especialistas em gestão de empresas familiares apontam que a sucessão é um período crítico. Algumas acabam não sobrevivendo depois que a segunda ou terceira geração assume o comando. Muitas vezes, a disputa pelo poder e a falta de harmonia entre os membros gestores acaba gerando uma divisão nos negócios.

No JPavani, há mais de 10 anos, o fundador Joaci deixou a administração nas mãos dos filhos, que vêm surpreendendo ao mostrar que, na atual fase, sopram bons ventos. No supermercado, os administradores souberam conduzir a gestão de forma saudável, cada um contribuindo com a atuação na sua área.

Já na Flash Print e na Central de Aços, a primeira e segunda geração ainda convive na administração. Eles não estão muito preocupados em como será depois que os pais deixarem a liderança, mas estão cientes da responsabilidade e imbuídos do mesmo compromisso da continuidade.

 

Esta matéria foi originalmente publicada na Revista DiverCidades (impressa) edição de Fim de Ano/ Verão 2014.

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