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“Macaenses” pelo mundo afora

qua, 10/12/2014 - 14:45 -- Luciene Rangel
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Arquivo pessoal
Rosana, Tamara e Josemar Penna

É rotina para o macaense, aliás, figura cada vez mais rara, cruzar com pessoas de outros países e estados que encontraram na Princesinha do Atlântico, oportunidade. Mas essa é outra história. Vamos registrar nesta edição de fim de ano, quando estamos cheios de emoções, bons sentimentos e recordações, histórias de alguns “macaenses” que deixaram essa terra em busca de sonhos e, por que não dizer, oportunidades.

A lista de possíveis entrevistados era enorme. Afinal, tem um macaense em cada canto deste planeta. Ficamos com algumas boas escolhas. Gente que viveu e que mantém vínculos familiares e de amizade com Macaé. Pessoas queridas, que deixaram boas lembranças e que estão sempre por aqui, para matar saudades ou, quem sabe, para confirmar que Macaé e os macaenses têm lugar mais que especial em seus corações.

Ousadia e sucesso

Josemar Ibrahim Penna é uma daquelas pessoas que sempre teve espírito aventureiro. Alegre e comunicativo, encontrou nos Estados Unidos seu caminho de oportunidades. Macaense, nascido e criado, Josemar cresceu no bairro Imbetiba. Instituto Nossa Senhora da Glória (Castelo) foi sua escola da vida inteira e dentre as melhores lembranças estão as Gincanas Jovens e o grupo Grito de Fé.

“Após a formatura no Castelo fui para o Rio cursar Comunicação Social na Universidade Gama Filho. Em 1988, tive a oportunidade de fazer faculdade nos Estados Unidos, intercâmbio”, revela ele que, inicialmente, foi admitido na Universidade Estadual de Ohio, em Cleveland. Mas o frio o levou a buscar outro endereço, conseguindo transferência para a Universidade Estadual da Califórnia, cidade de Hayward. Lá, se formou bacharel em Comunicação, com especialização em Relações Públicas. Logo após, concluiu mestrado e MBA na Universidade de Phoenix.

Tinha, então, o início de uma sólida carreira profissional. “Entrei no mercado contratado pela Alamo Rent A Car, na área de Recursos Humanos. Em 2000, fui transferido para a Flórida, cidade de Boca Raton, onde vivo ate hoje. Em 2002, fui contratado pela Advance Auto Parts como Gerente Regional de RH. Em 2005 fui para uma investidora imobiliária como diretor de RH, responsável pelos estados do Texas, Flórida e Geórgia. Em 2010, fui recrutado pela Southern Wine & Spirits, maior distribuidora de bebida alcoólica do país, onde atuo como vice-presidente de RH, estado da Flórida.”

A trajetória de sucesso foi regada a saudade e, alguns momentos, a lágrimas. “Cheguei nos Estados Unidos jovem, aos 20 anos. A adaptação não foi tão difícil, mas a saudade da família e dos amigos em Macaé era grande. Muitas vezes, no começo, escrevi cartas enquanto as lágrimas caiam no papel.  Naquela época, não existia internet ou smartphone e o fax era algo recém-criado. A minha facilidade com a língua inglesa foi fundamental à minha adaptação”, recorda Josemar que, em uma de suas visitas a Macaé, conheceu Rosana Moreira, macaense, e que embarcou com ele nesta aventura. Da união, nasceu Tamara Penna, natural de Boca Raton, hoje com 11 anos.

Esse macaense de 46 anos, completos em 5 de novembro, não rompe seus laços com Macaé, cidade que visita quase todo ano, já que ele e a esposa têm aqui familiares. Mas voltar a residir não está em seus planos. “Estou muito bem instalado nos Estados Unidos e hoje não penso em voltar para Macaé. Espero, ao me aposentar, poder passar mais tempo curtindo a família e amigos de infância. Mas a minha filha é americana e sinto que meu lugar é aqui, perto dela.

Oportunidade e família

Arquivo pessoal

família Rimini“Cheguei aos 6 anos em Macaé, com a família vindo transferida de Vitória, meu pai trabalhava na Petrobras. Vivi em Macaé até os 14 anos, quando nos mudamos para o Rio. Desde então, mesmo não morando na cidade, nunca deixamos de visitá-la. Sempre mantivemos uma casa e hoje volto todos os anos para visitar minha mãe, irmã, família e amigos”, diz Juliana. Essa poderia ser a história de centenas de pessoas que vieram para Macaé com a descoberta do petróleo. Mas não é a história de Juliana de Almeida Rimini, belo-horizontina, que mantém na cidade a mãe, a empresária Lilian Almeida, e a irmã, a arquiteta Eliana Nogueira.

Juliana deixou o Brasil para fazer mestrado na Suécia, onde conheceu Alberto, seu marido. “Voltamos ao Brasil por quatro anos, mas a vontade de ter mais uma experiência no exterior falou mais alto. Alberto recebeu uma proposta de trabalho para voltar ao seu país, e nos mudamos em 2003 para Milão. Trabalho até hoje para a mesma empresa brasileira, o que me garante conviver, pelo menos metade do meu dia, com brasileiros, e ter a facilidade de ir ao Brasil com frequência”, conta.

A cultura italiana, diferente de tantos outros países, é muito parecida com a do brasileiro, pelo menos no calor do povo, segundo destacou Juliana. “Eles nos adoram, então, não foi difícil me adaptar. O clima, apesar de no inverno ser, claro, muito frio para nós, traz a vantagem de poder curtir as montanhas nevadas e de poder apreciar melhor a primavera. A comida, nem se fala! Minha única dificuldade foi ter sofrido de colesterol alto durante os primeiros seis meses, graças aos tantos queijos que comia. Minha grande e maior dificuldade foi somente, realmente, a saudade da família e, no início, a ausência de amigos. Com o nascimento dos filhos e os tantos novos amigos que vieram, a vida é ótima, sempre muito corrida e cheia de alegrias”, compartilha ela, que constituiu família e tem, na companhia do marido e dos filhos, uma vida à moda italiana. Aliás, sobre os filhos, o comentário foi dos mais apaixonantes.

“Luca e Pietro, 8 e 6 anos, falam italiano e português. O maior se divide entre torcer para o Brasil e para a Itália. Já o menor é 100% verde e amarelo”, envaidece-se. O Brasil está em seus roteiros anuais de viagem, claro que com uma passadinha por Macaé, local de onde tem como lembrança a vida muito tranquila de outrora e que frequentar a praia ou brincar na rua antes de ir à escola era uma regra. Juliana estudou no Castelo, cursou inglês no CCAA, participou das feiras do Movimento Assistencial e de Integração (MAI) e do grupo Grito de Fé e se recorda com muitas saudades de crescer com tantos amigos, se divertir de forma tão saudável, curtindo a praia ou as noites nos Cavaleiros ou na Imbetiba. Quanto a voltar a morar em Macaé, ela deixa no ar e responde: “Hoje em dia não, mas... quem sabe?”

O amor bateu na porta

Arquivo pessoal

família cunninghamEla estava quietinha em Macaé, sem planos de morar fora quando, quase sem querer, o destino esbarrou numa mesa de bar acenando com novos rumos.

“Eu e Michael nos conhecemos no Abusos Tropicais, no dia dos professores em 1995, onde estava para celebrar a data. Eu não falava inglês, nem ele português, mas ele aprendeu rapidinho com uma professora ótima chamada Denise Rangel. Casamos e tivemos dois filhos: Daniel, 13 anos e Thomas, 7 anos”, lembra Rachel.

E assim Rachel Frossard Cunningham deixou Macaé, sua terra natal, para acompanhar o marido irlandês. “Fomos para Houston em 1999, onde vivemos até 2005, depois passamos cinco anos na Nigéria e voltamos em 2010. Confesso que não foi difícil me adaptar, pois já falava inglês quando me mudei para Houston, mas senti falta de ver pessoas e andar na rua e da praia”, conta Rachel que, atualmente, cursa enfermagem e espera concluir em maio de 2015.

Rachel é macaense. Seus avós maternos moravam na cidade e pais residiam no Rio, tendo mudado para Macaé quando ela tinha 8 anos.

“Meu pai abriu uma farmácia na av. Rui Barbosa, a saudosa Rua Direita. Minha mãe era professora primária na rede estadual. Estudei no Colégio Estadual Matias Neto, no Castelo e completei o segundo grau no Colégio Estadual Luiz Reid. Morávamos na Imbetiba, onde meus avós residiam e onde minha mãe vive até hoje, na mesma casa. Macaé era uma cidade pequena, calma, onde todo mundo se conhecia.  A Imbetiba era o “point”. Íamos à praia, voltávamos à noite para sentar na muralha e tomar picolé da Sorriso.”, recorda-se Rachel, mencionando a antiga fábrica de sorvete com sede na av. Rui Barbosa (atual Drogaria Tamoio), mas que também tinha um ponto de venda no calçadão da Imbetiba.

Acompanhada pela família, Rachel vem ao Brasil todo ano, passando boas temporadas em Macaé, na casa da mãe.

Lembranças da cidade? Ela revela que são muitas. “Lembro com saudade das brincadeiras na rua e no quintal de Geraldinho (o fisioterapeuta Geraldo Barreto Monteiro Júnior), onde comíamos jambo, cajá, jabuticaba; os dias de praia na Imbetiba; os bailes pré-carnavalescos no Iate Clube e no Tênis Clube; as festinhas na piscina da casa de Daniela (a pediatra Daniela Sorage); os passeios à Ilha de Santana, onde passava o dia; as idas para a escola no ônibus do ‘Seu Humberto’ e na kombi de ‘Vera’; as gincanas jovens...”, delicia-se.

Segundo Rachel, viver novamente em Macaé não está no roteiro de sua vida, mas afirma fazer o possível para todo ano possibilitar aos filhos a oportunidade de viver a sua cultura e falar português.

Vínculos eternos

A família de Álvaro Dias Dutra e Maria Eny Rodrigues Dutra chegou a Macaé no fim dos anos 1970, num processo de transferência do Banco do Brasil. Desde então, o casal e as cinco filhas (Ana Karla, Simone, Aline, Cristiani e Camila) fazem parte da história desta cidade e têm Macaé como parte de suas histórias.

O tempo passou, os caminhos foram diversos. Em comum... Macaé. Em meio à saudade e à felicidade, Eny e Álvaro dividem a realidade de terem três, das cinco filhas, longe do lar. “É difícil e grande a saudade, mas somos felizes por sabermos que elas estão felizes”, disse Eny, ao mencionar a realidade de Ana Karla que, atualmente, mora em Buenos Aires; Cristiani, que está em Luanda; e Camila que, apesar da distância ser menor, está impossibilitada da convivência familiar, pois mora em Niterói.

Família mais que feliz

Arquivo pessoal

família BrownAna Karla Dutra Brown casou-se em 1996 com Richard, razão de sua saída de Macaé e com quem tem Juliana, nascida em Toronto; Caio, Rio de Janeiro; e Eric, Paris. “Nosso primeiro país fora do Brasil foi a Colômbia, cidade de Yopal. Depois Peru, em Iquitos, quando então voltamos a Colômbia, desta vez em Bogotá. Seguimos para Houston, nos Estados Unidos, voltamos ao Brasil, onde moramos no Rio. Do Rio fomos para a Escócia, em Aberdeen. Da Escócia para França e agora Buenos Aires, onde já estamos há cinco anos”, relembra Ana Karla.

Desta última parada, ela conta que a adaptação foi muito fácil. “Os argentinos acham que representamos a felicidade e a adaptação das crianças foi ótima porque a escola as acolheu muito bem. Tenho excelentes amigas, de todas as partes do mundo, com culturas interessantes e diferentes da nossa e o melhor de tudo é que estamos muito perto do Brasil”, salienta ela, dizendo que vem ao país duas vezes ao ano.

A felicidade percebida pelos argentinos em brasileiros como Ana Karla revela-se, ainda mais, quando ela compartilha suas experiências.

“Minha família é linda. Tenho um marido maravilhoso e pai exemplar. Richard é canadense, adora o Brasil e o futebol, fala bem a minha língua e gosta de Macaé. Juntos, temos Juliana (16 anos) que adora Macaé, praia e ama o Brasil; Caio (11), que adora praia, joga futebol e vôlei e, se pudesse, moraria no Rio; e Eric (6), que ama praia e fica feliz quando faz calor. Pão de queijo e água de coco são unanimidades entre eles. Todos falamos português e inglês, já que temos a minha família brasileira e do meu marido canadense e, a essas duas línguas somamos o espanhol,  pelo trabalho, pela escola ou  pelo convívio social.”

Para Ana, as visitas constantes ao Brasil e a Macaé são o mais próximo que há, já que não pretende voltar a residir. Da cidade, que a acolheu, ela guarda boas lembranças. “O mar de Macaé é lindo!”

Juntos pelo mundo

família MacielSe conheceram quando pequenos e nem podiam imaginar o que o futuro os reservava. Cristiani Rodrigues Dutra Maciel e Gustavo Alexandre Fontanha Maciel partiram de uma história comum em Macaé para ganhar o mundo. Juntos, já estão na 3ª aventura estrangeira, compartilhando vivências e possibilitando experiências às filhas Nathalia e Júlia.

Natural de Volta Redonda, casada com macaense e com filhas macaenses, Cristiani confessa que quando chegou a Macaé detestou a cidade. Ao longo dos anos, passou a amá-la a ponto de, diante de uma possibilidade de mudança, ela, as irmãs e a mãe não aceitaram.

“Batemos o pé e decidimos que Macaé seria o nosso lar. Crescemos frequentando a discoteca do Tênis Clube todos os domingos; a praia dos Cavaleiros; natação na AABB com ‘Seu Fernando’ (onde conheceu o marido); estudei no Luiz Reid; participava da Gincana Jovem. Fins de semana na Imbetiba, Casa do Chocolate, Scooby, show do Léo, Paulo e Ivan... muita gente boa... muitos amigos. Tanta coisa boa! Deu saudade”, relatou ela.

O crescimento da cidade possibilitou oportunidades e foi numa dessas que os “Maciel” partiram de Macaé para o mundo. “Macaé cresceu, vieram empresas de petróleo, fui trabalhar na Halliburton, me casei com Alexandre que se formou em engenharia e começou a trabalhar na Transocean. Depois de um tempo, nasceu a Nathalia. Saí da Halliburton para ficar com ela, entrei na faculdade, fiz letras e, três anos depois, nasceu a Júulia. Alexandre recebeu uma proposta para morar nos Estados Unidos trabalhando na construção de uma plataforma. Topei mais que de imediato, sempre tive o desejo de morar fora. O ano era 2006 e as meninas tinham 6 e 3 anos. Fomos para Houston, moramos em Sugar Land. Depois fomos para Cingapura, voltamos para o Brasil e agora estamos em Luanda, na Angola”, relata.

A peregrinação rendeu boas experiências. “Não tenho muita dificuldade em me adaptar, sou tranquila e as meninas também. Os primeiros dias são sempre mais complicados. Ainda não conhecemos nada, temos que nos adaptar à comida, ver as substituições. As crianças, geralmente, ficam tristes por deixar para trás amigos, família, cidade, mas, aos poucos, tudo vai se ajeitando. Agora em Luanda, o clima é bem parecido com o nosso: quente no verão e friozinho no inverno. A alimentação é parecida com a nossa. A mandioca é muito usada, fazem tipo um pirão chamado funji que é comido com tudo. São pessoas alegres, sempre com um belo sorriso, impacientes no trânsito. Levamos horas para chegar a alguns  lugares que levariam, no máximo, 20 minutos. O povo é vaidoso, adora cores vibrantes e adornos, completa Cristiani.

Atualmente, Alexandre trabalha para a empresa Ensco, em Luanda e, nos planos da família, está o Natal em Macaé, para alegria de Eny, Álvaro e das filhas que residem no Brasil, que terão mais um pouquinho dos “Dutra Maciel” por perto. Bom, pelo menos até eles terem a oportunidade de retorno, possibilidade não descartada.

Saudades, reencontros, lágrimas, lembranças... situações que, até certo ponto, conflitam com alegria, sorrisos, abraços, experiências, mas que, ao mesmo tempo, estão tão relacionadas. Cada um que parte, que fica longe, alimenta uma ausência deliciosa e que se torna ainda mais especial quando há a possibilidade do retorno. As histórias de Josemar, Rachel, Juliana, Cristiani e Ana Karla são provas disso, evidências que, tão bom quanto ir, é saber que há para quem e onde voltar.

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