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Grávidas e com Covid-19

seg, 03/05/2021 - 16:04 -- Juliana Carvalho
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Alle Tavares
Elas viveram a angústia de contrair a Covid-19 e contaram essa difícil experiência.

Edição nº 55/ Abril 2021 - Especial Dia das Mães

Texto: Juliana Carvalho

A experiência da maternidade em meio a uma pandemia, que já perdura há mais de um ano, tem sido desafiadora para muitas mulheres. Para quem está grávida, o desafio é ainda maior. Bianca, Alessandra e Tyssiane são protagonistas de  histórias com o mesmo enredo: as três compartilharam a angústia de contraírem o coronavírus durante a gestação. Este é mais um aspecto de vidas que tiveram seus planos, sonhos e vivências impactados pela Covid-19.

Bianca, o desafio de ser médica e gestante na pandemia
Bianca Passos é dermatologista e, desde o início da pandemia, vem atuando na linha de frente contra a Covid-19. Há cinco anos, a experiência de ter tido um câncer e a realização de quimioterapia, a fez congelar os óvulos para que o sonho de ser mãe pudesse se tornar realidade um dia. Mas o destino reservava uma linda surpresa chamada Gael, nascido em março de 2021. “Não imaginava que eu pudesse engravidar de maneira natural. Então, quando descobri que estava grávida foi uma alegria inexplicável, mesmo com a questão da Covid. Após descobrir a gravidez, continuei o trabalho com atuação direta nas enfermarias de pacientes com coronavírus em um hospital de Macaé, seguindo todos os cuidados e as orientações do meu obstetra e da médica infectologista que acompanharam minha gestação”, fala.Em dezembro de 2020, quando estava com 26 semanas de gravidez, Bianca testou positivo para Covid-19. “Tive sintomas leves. A pior parte foi mesmo a questão psicológica, porque você já fica em isolamento, tem o receio de pensar se o quadro vai agravar ou não. Sentia medo do desconhecido, do futuro, incertezas e angústias além de muitas saudades da família, dos amigos, da liberdade e de ter dias sem preocupações e dúvidas”, revela. 
Após liberação médica e passado o período de isolamento, Bianca retornou ao trabalho, onde seguiu até completar 37 semanas de gestação. “Depois que eu tive o câncer, o trabalho de ajudar as pessoas se tornou uma missão. Isso é algo que me faz bem, me faz sentir viva. Não conseguiria ficar em casa vendo tudo acontecer e eu não poder ajudar. Isso foi muito importante para mim. Minha família e meu marido sempre me apoiaram, eles sabiam que era uma necessidade para mim. O ‘servir’ e atuar ajudando ao próximo me fez sentir útil e esperançosa”, conclui.

Alessandra e a história que emocionou Macaé
No início do mês de fevereiro deste ano, um vídeo postado em uma rede social local tomou de comoção milhares de pessoas. Nele, o registro de uma mãe pegando seu filho nos braços pela primeira vez, 25 dias depois de dar à luz. “Eu procurei atendimento no Centro de Triagem já com dificuldades para respirar. De lá, fui levada direto para o HPM. Precisei ser intubada e a equipe médica realizou a cesariana dois dias após eu chegar no hospital, quando eu estava com 32 semanas de gestação”, relembra Alessandra Hosken, que chegou a ter 75% de comprometimento pulmonar.
Foram 28 dias de internação e de luta pela vida. “Foi muito difícil. Quando eu acordei, não tinha noção da realidade, de que o Arthur já tinha nascido. Conheci meu filho por fotos e vídeos, só depois que tive aquela surpresa de encontrá-lo pessoalmente. Nem tive forças para segurá-lo muito, além da emoção, perdi muita massa muscular durante o período de internação”, conta.Passado o susto, Alessandra revela que, agora, é vida nova e aproveitar ao máximo a família. “Uma experiência dessas faz com que a gente queira falar para todos que a gente ama o quanto eles são importantes, de não ter vergonha de dizer: eu te amo. Esse momento de pandemia deve servir para cada um olhar mais para dentro de si mesmo, se autoconhecer e tentar melhorar e, assim, poder olhar para o outro com um pouco mais de empatia”, ressalta.

Tyssiane e a descoberta da Colestase Hepática Gestacional no pós-Covid
Tyssiane Vieira Calandrine descobriu que estava grávida de sua segunda filha, a Eva, em fevereiro de 2020. “Em março, tudo parou e comecei a ficar nervosa porque a gente não sabia como seria a doença para as grávidas. Eu passei a trabalhar em casa e, em julho, a empresa realizou uma testagem geral para a Covid-19 e, para minha surpresa, o meu teste deu positivo”, conta Tyssiane, que teve a Covid no segundo trimestre de gestação e apresentou sintomas leves da doença.
Tempos depois, Tyssiane começou a sentir uma coceira intensa pelo corpo, foi o sinal de alerta de que algo não estava bem. “Acompanhando esses aplicativos de gestantes, eu já tinha lido sobre colestase gestacional. Foi então que resolvi contar para Dra. Alessandra Lofiego, minha médica, sobre a coceira. Após a realização de exames, foi constatado que minhas taxas estavam todas alteradas. Por conta disso, meu parto precisou ser induzido, já que é esse o protocolo médico para esses casos”, explica.Apesar do desejo de que o parto fosse normal, Tyssiane não conseguiu dilatação suficiente e, com cerca de 37 semanas de gestação, Eva nasceu de cesariana. “A gente não sabe se o que eu tive foi ou não ocasionado pela Covid. Mas, graças a Deus, correu tudo bem e, apesar de tudo, a Eva veio ao mundo super saudável. Mas é vida que segue, mesmo sabendo que, dificilmente, teremos o nosso normal de volta”, pontua. 

Covid-19: quais os riscos e cuidados na gravidez
Com 25 anos de experiência em medicina obstétrica, a médica Alessandra Lofiego explica os riscos e quais os cuidados que devem ser adotados pelas grávidas durante a gestação e até mesmo depois do nascimento do bebê. Confiram:

Por que as grávidas estão no grupo de risco para a Covid-19?
A mulher grávida acaba se tornando grupo de risco porque a gravidez traz várias comorbidades associadas como a hipertensão, hipotireoidismo, diabetes gestacional, anemias, ou seja, a gravidez por si só acaba mudando toda a imunologia da mulher, inclusive, estudos mostram ser este o maior evento imunológico da vida de uma mulher.

Esperar ou não para engravidar na pandemia?
Isso depende de cada mulher. Se é uma pessoa que já está com 37/38 anos, buscando a primeira gravidez, já vinha se preparando para engravidar, e não tem nenhuma comorbidade, acredito que ela deve sim tentar a gravidez, mesmo neste momento. Até porque, a vida fértil dela está caminhando para um ponto que começa a decair. Aos 38, 39 anos, a mulher entra em falência ovariana, tanto em quantidade como em qualidade.

Em que fase da gravidez o risco é mais acentuado?
O último trimestre da gravidez é o mais delicado, porque é quando a incidência das comorbidades é maior. Nesse estágio, as mulheres que já são hipertensas ficam ainda mais inchadas, ganham mais peso; a glicose das diabéticas fica mais alterada. Fora a restrição respiratória por conta do fundo de útero aumentado. Se você associar isso a um quadro ativo de Covid, o risco é ainda maior porque ela já está com todas as dificuldades do final da gravidez.

Quais cuidados devem ser adotados?
A gestante deve seguir todas as medidas preventivas de forma redobrada. Se puder, trabalhar em home office; só sair para as consultas de pré-natal; não exagerar no número de ultrassonografias; comprar os itens do enxoval pela internet; quando sair, sempre usar máscara, de preferência a do modelo N-95; evitar ambientes com aglomeração, enfim, se resguardar ao máximo.

Quais as orientações no pós-parto?
O puerpério é uma fase em que a mulher está muito debilitada, emocionalmente, hormonalmente e imunologicamente também. O cuidado neste período deve ser ainda maior do que na gravidez. Nas seis semanas após o parto, a mulher está mais propícia a desenvolver a forma mais grave da doença caso se contamine com o coronavírus. Por isso, o resguardo deve ser seguido, além de não receber visitas e evitar sair de casa nos primeiros 15 dias.

Amamentação
A mãe que teve Covid na gravidez pode amamentar sem problema algum. Até mesmo aquelas que estão contaminadas, entre o risco e o benefício, a amamentação é sempre um benefício. Nesses casos, a mãe deve fazer uso da máscara e, após amamentar, entregar o bebê aos cuidados de outra pessoa, mantendo assim, o mínimo de contato possível com o bebê durante o período mais ativo do vírus.

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