Em meio às tarefas da rotina que se multiplicam e as agendas que parecem nunca dar trégua, viajar em família se torna muito mais do que um simples passeio: é uma pausa necessária para quem não abre mão dos momentos únicos que só uma viagem pode proporcionar. Entre o cotidiano atribulado e o desejo por desacelerar, algo acontece, e é nesse intervalo de tempo que a convivência ganha um sabor mais intenso, longe das pressões diárias, para que as memórias mais duradouras sejam criadas. Os benefícios de viajar em família são inúmeros, seja para aproveitar o período das férias escolares ou somente por um final de semana, viajar em família pode ser bastante divertido e relaxante.
Além disso, esse estilo de viagem apresenta diversos benefícios, entre eles: ajuda no relacionamento, diminui o stress e melhora a saúde no geral. Entre as principais dicas, estão: envolver a todos, planejar com antecedência, pensar em atividades para todos com um roteiro mais amplo, e dar atenção especial às crianças e idosos, levando em consideração acomodações, acessibilidade e segurança, por exemplo.

Um hábito que se transforma em tradição
Para o contador Adail Costa Junior e a fisioterapeuta Lívia Avellar, viajar sempre foi parte da relação. Antes mesmo de se tornarem pais de Iolanda, hoje com 17 anos, e Lucas, de 13, já tinham o hábito de explorar novos destinos. “Desde quando nos conhecemos começamos a viajar e sempre foi uma experiência que cultivamos”, conta Adail. Com a chegada dos filhos, a rotina de viagens só se intensificou. “Antes da Iolanda completar um ano, já tínhamos ido a Friburgo e a João Pessoa. Depois, com o Lucas, a primeira grande viagem foi para Gramado com os amigos”, lembra Lívia. Desde então, foram muitas experiências: Disney, Serra Catarinense, praias da Bahia, Califórnia de motorhome, Itália, França e Chile.

Mais do que os destinos, é a vivência que fica. “Acredito que as viagens tornam a família mais próxima. São oportunidades não só de relaxar, mas também de aprender a lidar com culturas diferentes. Na Califórnia, por exemplo, tivemos até um encontro inesperado com um urso negro, algo que parecia cena de desenho animado, mas que nos marcou profundamente pela adrenalina do momento”, conta Adail. Hoje, a tradição é tão forte que Iolanda já assumiu a função de roteirista oficial das férias. “Ela pesquisa, estuda e monta todo o itinerário. Isso mostra o quanto viajar deixou de ser apenas uma diversão e passou a fazer parte da nossa identidade como família”, conclui.

Aprendizados que vêm com o caminho
O casal de engenheiros Maíra Silveira do Prado e Diogo Diederichs Prado compartilha dessa mesma paixão, agora, ao lado da filha Nalu, de 5 anos. “Viajar com propósito é se abrir ao novo, aprender com o diferente e se desenvolver através dessas vivências”, afirma Maíra.
Os primeiros passeios de Nalu aconteceram ainda na pandemia, em casas isoladas e até em um veleiro. De lá para cá, a pequena já coleciona memórias em oito países, incluindo Escócia, Portugal, Espanha, Áustria e Chile. “Nunca escolhemos um destino pensando apenas no que seria “para criança”. Acreditamos que todos os lugares têm algo a oferecer. Basta buscar experiências que façam sentido para todos”, completa Diogo.
As viagens também trouxeram lições de resiliência. “Os perrengues são inevitáveis, mas aproveitamos para que ela entenda que até nos momentos mais legais da vida surgem imprevistos. É nesse contexto que funcionamos melhor como equipe”, diz Maíra. Um dos episódios mais marcantes foi a viagem à Escócia, quando a filha enfrentava uma fase de birras. “Foi cansativo, mas aprendemos a respeitar o tempo dela e flexibilizar os planos. No fim, é esse jogo de cintura que fortalece nossos laços.”

estão em fases distintas.
Seja com filhos já crescidos ou ainda pequenos, os desafios estão sempre presentes. Tatiana Mota e o marido Gerson Lucas, empresários, sabem bem disso. A primeira grande viagem internacional em família foi para Jerusalém, quando Luiz Felipe tinha 8 anos (hoje com 22), e Sofia apenas 2 (hoje com 15), Pietro ainda não era nascido.
“Foi uma experiência incrível, mas cheia de desafios. O mais velho já entendia melhor as mudanças, enquanto a Sofia sofreu com o clima e a alimentação. Cada refeição era uma batalha”, relembra Tatiana, rindo da memória. Hoje, com Pietro, de 6 anos, as aventuras continuam em destinos como Orlando, Bahia e Angra.
O segredo, segundo ela, está em encontrar algo que faça sentido para todos, mesmo com idades diferentes. “Sempre buscamos atividades ou passeios que agradem cada um, para que a viagem seja uma experiência coletiva. É assim que conseguimos manter a conexão, apesar das fases distintas.”
O olhar da psicologia
A psicóloga e psicanalista Vera Miranda, mãe de três, reforça a importância desse tempo compartilhado. “A clínica nos mostra que a correria do dia a dia tem ferido a qualidade do tempo em família. Durante uma viagem, surge a oportunidade de viver experiências que a rotina costuma esmagar. Refeições sem pressa, conversas despretensiosas, silêncios compartilhados: são momentos que atravessam o tempo e deixam marcas para além das férias.”
Segundo Vera, a infância é o período em que se constroem as memórias mais profundas. Aquelas que funcionam como porto seguro ao longo da vida. “Freud dizia que “a criança é o pai do homem”. É nesse momento que fazemos inscrições psíquicas que vão nos acompanhar para sempre. Viajar em família amplia essa herança afetiva, fortalecendo vínculos e dando à criança a noção de pertencimento ao mundo”, destaca.
Para ela, não se trata apenas de conhecer lugares novos, mas de ressignificar o cotidiano. “Às vezes, achamos que precisamos de grandes momentos, quando na verdade é no ordinário que a vida acontece. O que importa é estar aberto ao encontro, seja em uma trilha, na vendinha de uma cidade pequena ou até na hora de dividir um sorvete. É aí que nascem as memórias afetivas que ficam para sempre.”

Muito além de carimbos no passaporte
As histórias de Adail e Lívia, Maíra e Diogo, Tatiana e Gerson, somadas à reflexão da psicóloga Vera, mostram que viajar em família, com as crianças, não é só sobre destino, mas sobre presença. Entre perrengues divertidos, aventuras inesperadas e aprendizados profundos, cada experiência se transforma em um elo invisível que costura lembranças e fortalece os laços. No fim, para além das malas cheias de roupas usadas e lembrancinhas, elas voltam carregadas de risadas, histórias e afetos que se tornarão parte do repertório emocional de cada um. Afinal, como lembra Vera, “a infância é um chão que a gente pisa a vida inteira”.



