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Conhece-te a ti mesmo?

seg, 06/04/2020 - 15:16 -- Leila Pinho
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Alle Tavares
autoconhecimento

É atribuída ao filósofo chinês Lao-Tsé a frase que diz: “Quem conhece os outros é sábio. Quem conhece a si mesmo é iluminado”. A afirmação pode provocar um questionamento sobre o quanto cada um conhece sobre si mesmo. Compreender mais profundamente essa questão é uma prática humana bem antiga e ao mesmo tempo atual.
Quem busca o autoconhecimento, objetiva verdadeiramente o quê? Para responder essa pergunta, entrevistamos pessoas que vivem em Macaé e dedicaram um tempo para se autoconhecer e alguns profissionais que atuam guiando-as nessa jornada.
Desde muito novo, o empresário Rodrigo Arenales, de 44 anos, já demonstrava interesse pelo tema. Ao longo da vida, ele acessou várias informações nessa área. Recentemente, ele fez curso de neurociência e alguns outros, também ligados ao autoconhecimento.
A busca por se conhecer tem, para ele, uma ligação importante com o empreendedorismo. “Entendi na neurociência que muitos dos problemas vêm da família, da infância, são repetições de padrões comportamentais. Eu descobri que alimentava algumas neuroses que vinham da minha família. E quem resolve neurose, gera produtividade”, comenta.
Uma das descobertas que ele fez, diz respeito ao pai. Em um curso de imersão da criança interior que fez em Teresópolis, ele percebeu que tinha uma grande necessidade de ser reconhecido pelo pai e que, inconscientemente, tudo que fazia era em busca desse reconhecimento. Isso se relacionava com outras coisas, como um certo bloqueio que ele tinha em situações que envolviam público. “Eu jogo tênis. Quando tinha alguma competição, eu não conseguia jogar, porque tinha um público e, como eu estava ali pelos outros e não por mim, isso me desconcentrava. Trabalhei essa questão e entendi que eu tinha que fazer aquilo por mim e não mais por ninguém”, conta.

neurociencia
Segundo explica a coach, mentora e palestrante de neurociência e neurose sistêmica familiar Rosalina Onimaru, a neurociência ajuda a pessoa a compreender como o cérebro funciona e como toma decisões. No fim deste ano, ela esteve em um evento na Alemanha que abordou sobre neurociência, física quântica e constelação familiar, que reuniu empresários de várias partes do mundo. “Tinha comitiva de brasileiros e os chineses estavam em massa. Todos os empresários estavam lá para curar suas neuroses sistêmicas familiares e monetizar com mais fluidez”, fala. Ao falar sobre neurose sistêmica familiar, Rosalina se refere a situações vividas no passado do núcleo familiar da geração dos pais ou avós da pessoa que, inconscientemente, produzem reflexos nas relações do presente, causando dor, problemas ou algum tipo de desequilíbrio na geração atual.
Segundo a coach, a neurociência trabalha com o sistêmico, e tudo que é sistêmico, começa no sistema familiar. “Por isso, pra se conhecer é preciso olhar para trás”, pontua. As pessoas que fazem o curso conseguem compreender melhor como as questões familiares influenciam em suas vida, e podem, a partir disso, mudar comportamentos.

Monique Ferraz
Na vida da arquiteta Monique Ferraz, 33 anos, o autoconhecimento despertou um novo olhar para o trabalho. Monique se sentia infeliz no antigo emprego que ocupava como técnica de edificações e decidiu sair da empresa, em 2013.
Em 2018, ela concorreu a um prêmio da Organização das Nações Unidas (ONU) que reuniu soluções em acessibilidade de baixo custo e alto impacto social de 75 países. A arquiteta integrou uma equipe da UFRJ que reuniu soluções em acessibilidade realizadas no Brasil e esse trabalho foi selecionado como um dos cincos melhores pela ONU.
Quando Monique recebeu o convite para falar sobre o projeto na ONU, se sentiu apavorada. Foi quando ela procurou o coach Fábio Santos para ajudá-la a superar esse bloqueio. “Ele fez algumas sessões e tratou várias crenças e fundos emocionais. Nas sessões, entendi que não me sentia merecedora. Eu passei por assédio moral e muitas outras coisas que minaram a minha confiança. Esse trabalho nas sessões foi tão bom, que saí de lá com a certeza de que eu posso conquistar o mundo”, recorda.
Depois disso, Monique reconheceu seu potencial e abriu novas janelas de oportunidades para sua vida. “Descobri na acessibilidade, o meu propósito de vida. Nisso, eu percebo como faço diferença na vida do outro”, conta. Atualmente, além de fazer uma pós-graduação, ela cursa mestrado em Acessibilidade em Patrimônio, no Rio de Janeiro.

Fábio
O consultor em desenvolvimento pessoal Fábio Santos explica que a maioria das pessoas que o procura tem algum resultado específico em mente, como ser mais eficiente, mais produtivo, melhorar na carreira, etc. “O autoconhecimento é um conhecimento difuso. Temos diversos papéis e, melhorando como ser humano, você tem melhora em todos os papéis”, diz.
Nas sessões que realiza, Fábio aplica vários métodos e ferramentas que auxiliam no autoconhecimento como: de psicologia positiva, de Programação Neurolinguística (PNL), de hipnoterapia e de coaching. “A PNL trabalha através da fala. Por meio da comunicação, a gente reconfigura a forma de pensar pra atingir um resultado. A hipnose já é uma ferramenta prática que é usada pra vencer um fator crítico. Ao contrário do que muita gente pensa, na hipnose, a pessoa fica consciente, com a atenção focada em si. Então, eu guio a pessoa na descoberta das crenças que ela criou, para que ela possa vencer o fator crítico”, explica Fábio.

Helena
Para a aposentada Helena Barcelos Cordeiro, a conexão consigo mesma veio pela ioga, num momento muito turbulento de sua vida. No início da década dos anos 2000, ela começou a praticar ioga. Helena vivia um casamento complicado, há alguns anos. Seu ex-marido tinha problemas de saúde física e mental e o relacionamento dos dois não ia bem. Além disso, a saúde financeira da empresa da família também estava mal. Helena se viu com grandes responsabilidades e precisou tomar a frente na gestão do negócio e da família.
Helena conta que, depois de muitas tentativas, o casamento se desgastou. Veio, então, a decisão de se separar. A aposentada entende que essa prática milenar a ajudou a passar por fases difíceis com mais serenidade. “A ioga transformou a minha vida. Tive vários momentos em que o aprendizado da ioga ajudou muito. Aprendi a controlar a minha raiva, aprendi a não ficar remoendo as coisas. É difícil explicar como é. Tudo começa na respiração. Eu comecei a prestar atenção na minha respiração e a me conectar comigo mesma. Quando você conhece a si mesmo, você resolve os problemas”, conta. Atualmente, ela faz ioga duas vezes por semana.
O professor de ioga Marcos Leite explica que a base é respirar de forma equilibrada. “Na ioga, você interioriza os sentidos, aí começa o processo de meditação. A pessoa se desliga do exterior, fica em silêncio e a meditação a leva para um mundo interno, verdadeiro e isso acalma a mente. Daí tudo se equilibra”, fala.

 
Conforme conta o professor, a maioria dos alunos o procura relatando estresse, principalmente os homens. Já as mulheres, buscam mais por paz interior. “O estresse é fácil de resolver, com algumas aulas o estresse acaba. O meu papel é ensinar a pessoa a retornar para sua casa, aí ela encontra a sua paz”, afirma Marcos.

 

Texto Leila Pinho

Edição nº 48, Dezembro 2018

Revista Digital

 

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