Kelly Paiva e Alex Saidler da Mirabolando. (Foto Alle Tavares)
Kelly Paiva e Alex Saidler da Mirabolando. (Foto Alle Tavares)

Casados na vida e nos negócios

O casamento já possui seus desafios diários, mas, e quando os parceiros decidem acrescentar um ingrediente a mais na sua história? Mesmo sem ter estatísticas oficiais sobre a porcentagem de casais que empreendem juntos, percebe-se uma tendência crescente no país desde a pandemia. Mas será que existe uma receita para fazer dar certo o casamento e a sociedade?

Terapeuta de casais, o Dr. Silas de Freitas ressalta que casais podem sim trabalhar juntos. “Não acredito no pensamento popular de que casais não devem trabalhar juntos, pois a convivência diuturna levaria ambos, empresa e casamento, a incontornáveis desgastes e dificuldades. Já atendi mais de 150 casais nesses 25 anos de terapia, alguns nesta condição de sócios em uma empresa. Não me lembro de ter sido procurado por um casal com ótimo relacionamento conjugal e péssimo relacionamento na empresa. O casal começa a ter conflitos nos negócios, também porque o casamento está indo mal. Dificuldades de comunicação, insegurança na relação, falta de tempo de qualidade como casal, geram dificuldade para resolver as questões da empresa. Um casal unido e que se ama, enfrenta e supera junto as condições mais debilitantes da vida familiar, social e dos negócios”, pontua.

Kelly Paiva e Alex Saidler começaram a namorar em 2015, quando decidiram fazer bolos para vender e criaram a Mirabolando que, no início, era uma food bike, e hoje, está nos Cavaleiros. Uma parceria de sucesso. (Arquivo)
Kelly Paiva e Alex Saidler começaram a namorar em 2015, quando decidiram fazer bolos para vender e criaram a Mirabolando que, no início, era uma food bike, e hoje, está nos Cavaleiros. Uma parceria de sucesso. (Arquivo)

Kelly Paiva, Alex Saidler e a Mirabolando

Se tem uma coisa que a gente aprendeu nessa caminhada é que empreender em casal é desafiador, mas pode ser muito bonito também. Não existe fórmula mágica — existe conversa, respeito, saber a hora de recuar e a hora de apoiar. Tem dia que a gente se olha e pensa ‘ufa, vencemos mais um’, e tem dia que só um bolo salva (literalmente)”, conta a empresária, dona da confeitaria Mirabolando, Kelly Paiva, sócia do seu esposo Alex Saidler.

O namoro de Kelly e Alex começou em abril de 2015 e, em novembro, decidiram virar sócios. “Ele estava repensando a carreira de engenheiro e eu já fazia doces e alimentava há tempos o desejo de empreender. Foi quando ele me propôs sociedade — e eu topei. Começamos com R$ 30 e uma receita de brownie. No mesmo dia, os R$ 30 viraram R$ 90, e, desde então, fomos reinvestindo tudo e crescendo, até comprarmos nossa primeira ‘food bike’. Foi assim que nasceu a Mirabolando: de um encontro de afinidades, coragem e vontade de fazer diferente”, lembra a empresária.

Kelly também explica que nem sempre foi fácil e que, com o crescimento da empresa, as funções de cada um foram se definindo. “No início, a gente precisou ajustar o ritmo, aprender a separar o que era da empresa e o que era da vida a dois. Nem sempre foi simples, mas sempre teve muito respeito envolvido, e isso fez toda a diferença. Com o crescimento da Mirabolando, as funções foram se definindo melhor e cada um passou a ocupar o lugar em que mais faz sentido. Aprendemos a confiar no olhar e nas decisões do outro, mesmo quando pensamos diferente. E seguimos construindo um negócio com propósito, com afeto e com os pés no chão. Temos orgulho da história que estamos escrevendo. A Mirabolando cresceu com a gente, e continua sendo um reflexo da nossa parceria: imperfeita, real, mas cheia de verdade e vontade de fazer dar certo”, destaca Kelly.

O casal de arquitetos Carla Bacelar e Eduardo Azeredo se conheceu após se formarem. Eles compartilhavam o mesmo sonho, de transformar a vida das pessoas através de uma arquitetura sustentável. Chegaram em Macaé em 2016, abriram a Ecotrace Arquitetura, onde compensam o estresse do trabalho com a prática de esportes e hobbies. (Foto Alle Tavares)
O casal de arquitetos Carla Bacelar e Eduardo Azeredo se conheceu após se formarem. Eles compartilhavam o mesmo sonho, de transformar a vida das pessoas através de uma arquitetura sustentável. Chegaram em Macaé em 2016, abriram a Ecotrace Arquitetura, onde compensam o estresse do trabalho com a prática de esportes e hobbies. (Foto Alle Tavares)

Carla Bacelar, Eduardo Azeredo e a Ecotrace Arquitetura

Carla e Eduardo em 2016 quando chegaram em Macaé. (Foto Alle Tavares)
Carla e Eduardo em 2016 quando chegaram em Macaé. (Foto Alle Tavares)

Ter o mesmo propósito na profissão também faz com que um casal se torne sócio, como foi o caso dos arquitetos Carla Bacelar e Eduardo Azeredo, donos da Ecotrace Arquitetura. “Nos conhecemos logo após o fim da faculdade em um escritório de arquitetura. Tínhamos o mesmo sonho: de transformar a vida das pessoas através do nosso trabalho. Fomos morar fora para estudar e aprimorar nosso conhecimento técnico. Vendo outras tecnologias e métodos construtivos diferentes do nosso, aliados à ecologia. Nosso propósito é que as pessoas possam desmistificar essa ideia de que obra é sempre uma dor de cabeça e cheia de problemas’. Nossa vontade é de mostrar aos nossos clientes que podemos levar esse processo de uma maneira mais leve, menos dolorosa e mais planejada, sem grandes surpresas, criando um laço de amizade que começa durante e permanece após a construção”, conta Carla.

A arquiteta também ressalta que, mesmo sendo um sonho dos dois, é preciso ter cuidados com o relacionamento. “Claro que ficamos cansados, estressados e trazemos problemas para casa, mas já temos maturidade suficiente para encontrar nossas válvulas de escape, por exemplo, somos dedicados ao esporte, aos nossos filhos e hobbies”, explica.

Samara e Leonardo Schypula e a clínica Capillum

Os médicos dermatologistas Samara e Leonardo Schypula se conheceram durante um plantão. Ela era acadêmica e ele já era médico. Seguiram juntos até descobrirem uma paixão em comum durante uma especialização: a tricologia, que levou o casal a abrir a clínica Capillum em Macaé. (Foto Alle Tavares)
Os médicos dermatologistas Samara e Leonardo Schypula se conheceram durante um plantão. Ela era acadêmica e ele já era médico. Seguiram juntos até descobrirem uma paixão em comum durante uma especialização: a tricologia, que levou o casal a abrir a clínica Capillum em Macaé. (Foto Alle Tavares)

A receita também funciona para os médicos dermatologistas Samara e Leonardo Schypula, que se conheceram durante um plantão e seguiram juntos na vida e na profissão. “Fiz uma troca de plantão de última hora e, por acaso ou destino, ele estava lá. Eu ainda era acadêmica de medicina, e ele já médico. Naquela noite, entre conversas rápidas e a correria do hospital, nasceu uma conexão que cresceu de forma natural e intensa. Desde então, não nos separamos mais”, conta a Dra. Samara.

Ela explica que foi durante a especialização em dermatologia que surgiu uma nova paixão para os dois: a tricologia — a área da dermatologia que cuida da saúde do couro cabeludo e dos cabelos, que levou o casal a abrir a Clínica Capillum em Macaé.

Montar a clínica foi um passo que demos com muito planejamento e carinho. Já tínhamos a sintonia de casal, mas aprendemos a fortalecer também a parceria profissional. Cada um tem seu estilo, sua abordagem, e isso enriquece nosso trabalho. Alguns procedimentos realizamos juntos, como o Transplante Capilar, onde atuamos lado a lado — unindo a precisão técnica ao olhar humano. Acreditamos que o equilíbrio entre o toque feminino e masculino faz toda a diferença na experiência do paciente”, explica.

Terapeuta de casais, o psicólogo Dr. Silas de Freitas conta que também já foi sócio da sua esposa, no Colégio BrunoOstmann, por cerca de 35 anos. “A empresa sobreviveu aos naturais conflitos conjugais e o casamento sobreviveu às naturais divergências administrativas. Estamos completando agora 51 anos de casamento e a empresa continua bem, agora sob a direção de um dos nossos filhos”. (Foto Alle Tavares)
Terapeuta de casais, o psicólogo Dr. Silas de Freitas conta que também já foi sócio da sua esposa, no Colégio Bruno
Ostmann, por cerca de 35 anos. “A empresa sobreviveu aos naturais conflitos conjugais e o casamento sobreviveu às naturais
divergências administrativas. Estamos completando agora 51 anos de casamento e a empresa continua bem, agora sob a
direção de um dos nossos filhos”. (Foto Alle Tavares)

Samara também ressalta a importância de saber lidar e equilibrar a vida profissional e pessoal. “Conciliar a rotina intensa da clínica com a vida pessoal é um desafio, como para qualquer casal que trabalha junto. Mas aprendemos a impor alguns limites e valorizar os momentos a dois. Ter essa parceria tão completa é, sem dúvida, uma das maiores riquezas da nossa história”, diz.

Dr. Silas acrescenta que o casamento é uma experiência social impactante e transformadora. “Um homem e uma mulher serão mais completos juntos do que sozinhos. Sócios comerciais que dormem juntos no fim de um dia de trabalho, terão mais facilidade, liberdade e intimidade para resolver as questões da empresa, e preservar a relação conjugal. A boa comunicação em um ambiente de amor, e o exercício do perdão e da reconciliação, mantêm o casamento e a empresa saudáveis. Os benefícios podem superar as dificuldades”, finaliza.

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