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Os Minichefs ganham espaço na cozinha

ter, 28/01/2020 - 10:36 -- Leila Pinho
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Alle Tavares e arquivo
crianças na cozinha

Profissionais que atuam no ramo da gastronomia comentam que a curiosidade das crianças não é de agora. É o que diz o proprietário do homem na cozinhaCeduco - Escola de Gastronomia, Aldir Gaspar. Há 6 anos, quando inaugurou o Ceduco em Macaé, ele percebeu a tendência e abriu cursos voltados só para os pequenos. Segundo Aldir, mais de 190 crianças já passaram pela escola.

“Desde 2013, os cursos de minichefs sempre tiveram muita procura. As aulas são lúdicas e têm o objetivo de despertar o interesse das crianças. E vejo que os pais gostam, eles querem incentivar os filhos até mesmo para, quem sabe, seguirem uma carreira no aula de culináriafuturo”, observa Aldir. Ele explica que há 12 opções de cursos, entre eles: chocolate, biscoitinhos, confeitaria, brigadeirinhos, hambúrgueres, massas, lanches, etc. E as aulas são para níveis diferentes de dificuldade. “Tem criança que, com 7 anos, já faz bolo. Essas têm mais habilidade e precisam de conhecimento pra se desenvolver”, pontua.

Influenciados pelas referências familiares, programas de TV e a mídia, algumas crianças deixam claro, aos pais, um interesse peculiar pela gastronomia. Assim como Nicole, Nuno Mozeur Siqueira, Igor Pereira e as irmãs Laura de Almeida Araujo e Luísa de Almeida Araujo são crianças e adolescentes que se aventuram na cozinha. Essa garotada solta a criatividade sem medo de ser feliz, faz testes e combinações de ingredientes  e transforma o cozinhar em uma grande brincadeira.

 

Doces da Nicole

Com apenas 8 anos, Nicole França surpreendeu os pais quando disse que queria ser chef pâtissier (chef confeiteiro). Enquanto muitas crianças nem sabem o que significa isso, Nicole já se imaginava estudando na França e menina com bolofazendo uma das coisas que ela mais gosta: cozinhar doces. Hoje, com 14 anos, a menina já não pensa mais em seguir essa profissão, mas continua adorando inventar delícias, testar sabores e encantar paladares.

É a mãe da Nicole, Elizangela França, de 47 anos, quem conta que o interesse da menina surgiu muito cedo.  “Com 2 anos, ela já brincava na cozinha, abria as gavetas, mexia na fruteira e tudo que a gente ia preparar, estava lá a Nicole do lado”, relembra. Aos 8 anos, ela já ligava o forno e fazia cursos de culinária. “Ela queria aprender. Ou eu ensinava ou ela ia se queimar. Então, eu ensinei passando pra ela toda a questão da segurança, porque esse é o nosso papel, o de orientar”, argumenta Elizangela.

O primeiro doce dela a conquistar fãs foi o bolo preto, por volta de 9 anos. Ela acrescentou açúcar mascavo e cacau em pó na receita. Várias pessoas e o Seu Carlinhos (o vizinho) provaram do bolo. E foi só elogios. Seu Carlos foi quem batizou o bolo quando disse: “Que bolo preto gostoso!”.  Assim, o bolo da Nicole virou bolo preto. “É muito bom, tem gosto de café e fica bem molhadinho e fofinho”, fala Nicole.bolo e livro

Depois dessa, foram várias as receitas deliciosas, como o bolo que ela fez para a professora de português: um naked cake de brigadeiro que fez sucesso na escola. Em 2015, a garota levou o encantamento gastronômico para uma atividade escolar. Ela produziu um livro que contava a história de uma menina que queria conhecer o chef Claude Troisgros.

Agora, Nicole está na fase das sobremesas mais complexas, como o cheescake de frutas vermelhas. A adolescente recebeu a equipe da Divercidades com essa sobremesa e mostrou que entende mesmo do assunto. O cheescake estava crocante no fundo, cremoso e aerado no meio, com uma geleia de doce equilibrado com pedaços de frutas e um leve azedinho. Gostinho caseiro, de doce feito com carinho.

Para a adolescente, as preparações são um jeito de deixar tudo mais leve. “Eu gosto muito de cozinhar, esse é o meu hobby. Quando eu estou triste, vou pra cozinha e faço um bolo. Coloco uma musiquinha e fico mais calma. Me sinto bem fazendo isso”, comenta Nicole.

 

Chefinhas irmãs

Os fins de semana são perfeitos pras irmãs Laura de Almeida Araujo, de 11 anos, e Luíza de Almeida Araujo, de 8 anos, prepararem bolos, o que elas mais gostam de fazer. Enquanto separavam os ingredientes do bolo vulcão, especialmente pra entrevista com a equipe da DiverCidades, Laura contava que essa receita tem toques especiais das duas. “O nosso leva morango por cima que é a nossa fruta preferida”, pontua. “É divertido quando a gente parte a fatia e sai um montão de calda”, fala Luíza.

meninas na cozinhaA mãe delas, a empresária Fernanda de Almeida Araujo, de 37 anos, recorda que desde pequena Laura era curiosa na cozinha. Segundo a mãe, Laura também foi influenciada pela chef Joelma Celestrini, que até já realizou uma oficina de culinária no aniversário de 8 anos de Laura. Já Luíza foi influenciada pela irmã mais velha.

Fernanda deixa as filhas se divertirem, mas sempre com supervisão. É a mãe que abre e fecha o forno e dá aquele auxílio pras meninas não se machucarem. Ela conta que as garotas têm vários utensílios de cozinha, livros e que fazem muitas gostosuras. “O bolo delas é melhor que o meu”, opina a mãe.

O gosto pela gastronomia rende ainda a boa convivência familiar. A mãe entende o entusiasmo das filhas como mais um motivo pra unir ainda mais a família. “Nós sempre tivemos o hábito, eu e meu marido, de tirar o fim de semana pra dedicar à família. E, domingo, era o dia de jogo. Agora, esse interesse pela culinária é uma nova atividade que serve pra unir todos nós”, comenta Fernanda.

 

Sabores exóticos do Nuno

Logo nos primeiros anos de vida, Nuno Mouzeur Siqueira, hoje com 12 anos, teve uma forte restrição alimentar. Ele não podia comer vários alimentos como leite, ovos, etc. Por conta da restrição, ele cresceu experimentando coisas que a maioria das crianças da idade dele não provavam. Conforme conta a mãe dele, a dentista Camila Mouzeur, de 41 anos, a avó do Nuno fazia algumas receitas com ingredientes diferentes e o menino já demonstrava interesse pelo universo culinário.

menino na cozinhaMuito criativo e falante, Nuno mostra um grande interesse pelo que não é trivial. O prato que ele escolheu fazer pra mostrar seu talento à equipe da Divercidades foi um ceviche, refeição pouco comum ao paladar infantojuvenil. Nuno explica com detalhes como preparar a refeição, desde a ordem da mistura dos ingredientes até detalhes como o corte do peixe. “Eu gosto de bagunçar tudo e me divertir fazendo comida. O mais interessante é essa parte, se divertir fazendo a comida pra depois se divertir ainda mais comendo”, opina o garoto.

“Ele gosta de ir a restaurantes e provar coisas diferentes, sempre quer algo exótico”, relata Camila. Na listinha de comidas fora do padrão, Nuno já provou: lagosta, língua de boi, testículo de boi, coelho, javali e jacaré. “Gosto muito de vegetais também, como tudo cru e não tô nem aí”, diz, aos risos.

 

Conselhos de chef para os pais dos chefinhos

Para a chef Joelma Celestrini, o interesse das crianças em participar de atividades culinárias é muito comum e encarado por elas como uma brincadeira. Ela reconhece a influência das mídias, programas de TV e popularização da gastronomia como meios de mostrar aos meninos e meninas que cozinhar não é algo tão complexo. “Isso acaba abraçando as crianças de alguma forma. A cozinha passou a ser encarada como um espaço mais lúdico e mais recreativo, o que estimula muito as crianças no ato de cozinhar”, observa.

chef de cozinha com criançasA chef entende que a curiosidade deve ser incentivada pelos pais, com benefícios pra saúde dos filhos. “O mais importante é despertar, na criança, o interesse pelo hábito de cozinhar e pelo alimento, principalmente nos dias de hoje, de alimentação rápida e alimentos processados. Sendo estimulada no universo da cozinha, a criança vai crescer com um interesse maior em experimentar e desenvolver o paladar de forma sadia”, salienta Joelma.

Quanto aos cuidados com utensílios cortantes, fogo e forno, ela sugere ações simples como avaliar os riscos pra cada atividade, analisar a capacidade da criança de acordo com a idade, ter cautela no manuseio dos itens e evitar a exposição ao calor. “Recomendo introduzir a cozinha em hábitos simples como pegar os ingredientes e lavar, independente da idade. É óbvio que elas vão querer fazer as coisas mais arriscadas. Por isso, indico aos pais que têm crianças menores de 8 anos, que comprem utensílios de brinquedo ou de silicone. Assim, enquanto o adulto corta um ingrediente de verdade, a criança fica do lado brincando de cortar. No mais, é sempre ter atenção e monitorar a criança”, sugere.

 

Assados do Igor

A diversão da cozinha de Igor Pereira Antunes, de 11 anos, está nos assados, ou melhor, na churrasqueira. Os melhores sabores para ele estão nas carnes. “Eu gosto mais de picanha, porque não gosto tanto de gordura. Também adoro filé mignon, chorizo e carne de hambúrguer”, diz Igor.

pai e filhoO interesse do menino começou quando os pais, Fabiana Loureiro e Júlio Pinto, começaram a empreender na gastronomia, por volta dos 6 anos dele. Já era um hábito da família fazer churrasco e reunir os amigos. Depois que abriram negócios nessa área, os churrascos ficaram mais frequentes e profissionais. O garoto foi tomando gosto e se interessando por churrasco. “O Igor tem essa iniciativa, ele participa muito, gosta de ajudar o pai. Ele vai aos cursos (de churrasco que o pai dá) e gosta. Isso é dele mesmo”, afirma Fabiana.

aula de gastronomia“Ele come bem carne e tem o paladar apurado. Pra ponto da carne, ele é chato. De vez em quando, ouço uma reclamação de que eu errei o ponto”, conta Júlio, em tom de brincadeira. Criterioso, Igor já sabe como assar uma carne e ensina até como fazer uma picanha mal passada. Ele conta como é o passo a passo com o apoio da mãe. “Você coloca a carne na churrasqueira e muda ela de posição pra não queimar, depois que estiver assada, tira da churrasqueira e deixa ela descansar, pra não soltar o suco e, por último, coloca a flor de sal . E está pronto”, explica o garoto.

 

Minichefs aprendem brincando

Numa escola de ensino regular de Macaé, a cozinha também entrou na roda do aprendizado. Em 2016, o Colégio Souza fez uma ampliação e construiu a mulher na cozinha“Cozinha Experimental”. A diretora pedagógica do Souza, Liliane Souza, explica que a escola aplicou uma pesquisa geral entre os alunos, e descobriu algo que também motivou a criação desse espaço. “Eles falaram que não tinham experiências na cozinha, que não conseguiam fazer algo na cozinha. E os próprios livros didáticos sugerem que a criança viva esses momentos. E a criança hoje quer se sujar na cozinha, ela quer ser provocada”, conclui a diretora.

Liliane afirma que a Cozinha Experimental é inserida dentro de um projeto pedagógico, no qual todos os professores podem usar o espaço e associar aos ensinamentos de sua matéria. “É um espaço de imersão e a aprendizagem acontece lá dentro. Quando os alunos estão nesse espaço de imersão, eles têm melhores resultados. Eles aprendem fazendo e experimentando”, ressalta Liliane.

 

Texto Leila Pinho

 

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