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Jurubatiba exuberante, Macaé precisa te conhecer!

qui, 27/02/2020 - 09:33 -- Leila Pinho
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Créditos: 
Rômulo Campos
parque jurubativa

Exuberante nas belezas e nas proporções, o Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba é mesmo um tesouro nacional que Macaé tem o privilégio de abrigar, junto com Carapebus e Quissamã. O parque possui  44 km de praias, 18 lagoas costeiras, uma área que equivale a 15.000 campos de parque e lagoasfutebol, o histórico canal Campos-Macaé e um ecossistema riquíssimo. Jurubatiba tem, ainda, uma infinidade de opções de lazer. Caminhadas, trilhas, kitesurfe, passeio de caiaque ou stand up paddle, mergulho no mar ou banho nas suas  lagoas, acampar ou simplesmente contemplar. Essas são só algumas opções, porque há várias outras.

 

Águas limpas e vento constante
O professor de kitesurfe, Ailton Figueiredo, de 40 anos, conhece bem uma parte do parque que frequenta desde 2006, a Lagoa de Carapebus. Ele vai à lagoa geralmente para treinar, levar alunos para praticar o esporte ou simplesmente curtir o dia velejando com grupo de amigos. Conforme explica, quando entra a frente fria e o vento está a sudoeste, a turma migra dos Cavaleiros para Carapebus.
lagoa e kitsurfeDo bairro Cavaleiros, em Macaé, até a Lagoa de Carapebus  dá 1 hora, em média, de carro. E, para quem escolhe trocar o trajeto do asfalto pelo mar, o tempo que leva pra chegar é praticamente o mesmo. É o que garante o construtor macaense e praticante de kitesurfe, Marcelo dos Santos, mais conhecido como Camelo. Ailton comenta que a lagoa é o cenário perfeito para velejar. A vegetação que existe no entorno ameniza os ventos na lâmina d’água, o que torna a água mais tranquila e sem muita ondulação. “A diversidade da lagoa é grande. Tem robalo, peixes grandes, a água é mais escura, cristalina e está sempre limpa. É um lugar para passar o dia todo, levar a família e curtir. Lá tem quiosques, bares, estrutura para se alimentar e beber”, fala o professor.

 

Passeios gratuitos e pagos, no Parque Jurubatiba
Pra quem deseja conhecer o parque andando, as portas estão abertas. Perto da sede administrativa, que fica no bairro Lagomar, na Avenida MPM jacaré(interseção com a Avenida Atlântica) s/nº, há trilhas de 30 minutos e de 1 hora. A entrada é gratuita e dá até pra acampar. Quem gosta de desafios pode inclusive encarar a saga de conhecer toda a orla do parque, que segundo informa o analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio), que trabalha no lugar há 17 anos, Marcos Cezar dos Santos, levaria 2 dias inteiros de caminhada. Para quem tem veículo tracionado (4x4), também é permitida a visitação com passeio entre as trilhas. Neste caso, é necessário pagar uma taxa.
Os alunos de escolas e universidades também podem conhecer Jurubatiba e ainda ter acesso a conhecimento ligado à educação ambiental. “Mais de 30.000 estudantes da região já passaram pelo parque. As escolas podem fazer uma visitação guiada”, orienta Marcos. Todas as orientações, normas e taxas para visitação estão disponíveis no site www.icmbio.gov.br/parnajurubatiba. O acesso principal está situado onde broméliafica a sede. Mas há outros acessos, como por meio dos municípios de Carapebus e Quissamã.
Se o programa é conhecer um pouco da biodiversidade de algumas lagoas costeiras e o histórico Canal Campos Macaé, boas opções são os passeios de barco ou de caminhão. A Ecological Tours, empresa de turismo de Macaé, realiza os dois passeios, com agendamento prévio, de acordo com a gerente da Ecological Tours, Beatriz Moreira. “No passeio de caminhão, as pessoas vão conhecer quatro lagoas, a da Garça, a Paulista, a Lagoa Encantada e a de Carapebus.  Já no passeio de barco, os turistas passam pelo Canal Campos Macaé e por três lagoas: Paulista, Encantada e a Lagoa de Carapebus”, esclarece. Os passeios duram em média 4 horas e, os valores, são a partir de R$ 45 por pessoa.
pessoas no barcoA dentista Daniela Gaino Welzl, de 33 anos, e o marido Eduardo Welzl, que moram em Macaé, levaram a família para conhecer o Parque Jurubatiba, em janeiro deste ano. Eles fizeram um passeio de barco no local, e foi a primeira vez de todos. No total eram seis pessoas e, tirando o casal, todos eram de outras cidades.
O grupo percorreu as águas do canal Campos-Macaé e das lagoas Paulista e de Carapebus. “Eu lembro bastante do guia falando que os escravos é que construíram o canal. Fiquei imaginando o trabalho que eles tiveram”, conta Daniela. O Canal-Campos Macaé foi construído ao longo de 17 anos, pelos escravos, e tem 109 km de extensão. É o segundo maior canal artificial do mundo todo.
Além de tomar banho nas lagoas, a família fez um piquenique na grama, observou pássaros e curtiu um lindo dia de sol. “Me surpreendeu o contraste da lagoa com o mar e o banco de areia. No barco, cada hora a vegetação é de um jeito, o canal abre e depois fecha. Você não sabe o que vai encontrar. Eu recomendo a todo mundo, é um passeio muito bacana e a gente não valoriza”, pontua Daniela.

 

Relevância nacional
Segundo explica o analista ambiental Marcos Santos, o Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba foi criado em 1998, com o objetivo maior de professor no parquepreservação ambiental. O local é a área mais extensa de restinga preservada do Brasil. Também é muito importante para as pesquisas científicas. “Das 330 unidades de conservação federal, Jurubatiba é a 20ª mais pesquisada do país todo, com pesquisas sobre a fauna, a flora, as lagoas, plantas medicinais, etc. Isso se deve muito ao Nupem e à UFRJ, porque a maior parte das pesquisas, vem de lá”, afirma Marcos.
Tanto Marcos, como Romulo Campos (fotógrafo que realizou importantes registros do parque em 30 anos) e outras pessoas envolvidas com a questão ambiental em Jurubatiba citam a importância de um pesquisador. “O Francisco Esteves teve um papel fundamental na criação do Parque, de mostrar a importância da preservação dessa área”, pontua Marcos.
Francisco de Assis Esteves, mais conhecido como Chico Esteves, é vice-diretor e fundador do Núcleo em Ecologia e Desenvolvimento Socio-ambiental de Macaé, o Nupem,  doutor em Ecologia de Águas, pesquisador e autor de vários livros, entre eles, o “Do Índio Goitacá à Economia do Petróleo: Uma Viagem pela História e Ecologia da Maior Restinga Protegida do Brasil”, um livro para leigos sobre a restinga de Jurubatiba.
professorChico relata que, na década de 1980, tinha uma grande preocupação com a preservação da área de restinga. Nessa época, a região já era muito estudada. “O bairro Lagomar estava num crescimento acelerado e desordenado e crescia sobre a restinga mais preservada do Brasil”, lembra. Ele mostrou habilidades de articulador político, não partidário, dialogou com os poderes executivo e legislativo, das esferas federais, estaduais e municipais e teve grande contribuição para que o parque fosse criado.
“Esse parque preserva um mosaico de ecossistemas mais representativo do litoral brasileiro. Ele preserva ecossistemas de restinga bem seco, como se fosse a caatinga do nordeste, também tem áreas de brejo, como pantanal e lagoas, tem mata alta como se fosse a Mata Atlântica, e, na beira da praia, a fauna e flora são típicas de terrenos arenosos”, explica o pesquisador.
Estudioso da limnologia (área da biologia que estuda os recursos hídricos de água doce), o professor conta sobre peculiaridades das lagoas de água escura. Ele esclarece que essas lagoas possuem alguns compostos químicos, que dão essa cor turva à água e que promovem o prolongamento da vida dos organismos que vivem ali.
“Eu tenho muito prazer quando mergulho nas lagoas de água escura do Parque Jurubatiba. Essas lagoas têm muitos compostos húmicos dissolvidos na água, que dão a cor preta típica desses ecossistemas. Os compostos húmicos atuam  como radicais livres. Então, quando você entra na água, seu cabelo fica esvoaçante, como se tivesse usado condicionador. É essa a sensação que eu tenho e isso é quimicamente explicável. Mas, isso sou eu, coisa de cientista maluco”, fala com humor.
fotografoPara o fotógrafo Romulo Campos, o trabalho se mistura com o lazer quando o assunto é fotografar o parque. Ele faz registros no local há 30 anos e publicou, em 2015, o livro Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba, um importante registro fotográfico. “Documentei desde a sede, os problemas ambientais com o lixo e toda a punjância do parque com sua fauna e flora”, acrescenta.
O fotógrafo coleciona muitas histórias interessantes, como por exemplo a da foto do jacaré do papo amarelo, animal que está na lista dos ameaçados de extinção. “Eu levei quase 8 anos para me deparar com ele. Um dia, eu estava com o guia e ele apontou: - Olha lá, é ele. Eu fiz cinco fotos, errei três e acertei duas”, conta.
parqueApesar de já ter fotografado tanto da fauna e flora do parque, Romulo ainda tem imagens que gostaria de captar, como a do formigueiro-do-litoral, uma ave rara. “Tento fotografar esse pássaro há 25 anos. Eu tenho um amigo que em três meses conseguiu fotografar a ave. Essa é uma meta minha”, diz.

 

Conservação, acesso e segurança - ainda há muito que melhorar
O Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba ainda está aquém do que poderia ser, em termos de acesso, segurança, uso pelo público e turístico. Partindo de Macaé, o acesso à sede administrativa se dá pelas RJ-106 e RJ-178, onde a sinalização é precária. Saindo da rodovia, é preciso pegar a Av. MPM por cerca de 3 km de estrada de chão para chegar à sede. A estrada carece de investimentos em estrutura e iluminação. De um dos lados da estrada é possível ver a ocupação desordenada de casas humildes construídas no bairro Lagomar. Quem passa pelo local, tem a sensação de insegurança.grupo de kit
“Hoje em dia, o parque está subutilizado. A falta de segurança no entorno é um dificultador para que o macaense vá ao parque”, pontua Romulo. Perto da sede administrativa e ao lado da Lagoa de Jurubatiba, um quiosque foi construído, mas a estrutura está deteriorada e toda pichada.
“Não se pode perder um investimento de quase R$ 18 milhões pela não atuação do poder público. O parque precisa cumprir sua obrigação e garantir a segurança, e explorar o turismo”, desabafa o fotógrafo. “É preciso ter um projeto de popularização dos recursos naturais, um projeto robusto e consistente. É preciso buscar parcerias”, fala Chico Esteves.

 

Quem usufrui, precisa cuidar
No quesito preservação ambiental, muitos usuários do parque tiram nota 10! É o caso do grupo Macaé Fora de Estrada (de 4 x 4), que possui cerca de 50 parqueintegrantes. Segundo conta o empresário Bruno Torquato Maia, de 28 anos, integrante do Macaé Fora de Estrada, em janeiro deste ano, o grupo fez um passeio no local e foi até o Farol de Quissamã, de onde presenciaram o pôr do sol. “Em alguns dos passeios, paramos na Lagoa do Paulista e acampamos por 3 dias “, conta Bruno.
Por mais de uma vez, o grupo realizou ações de limpeza na área. Bruno conta que, em uma das ações, 50 carros 4 x 4 foram ao parque e recolheram juntos 200 sacos de lixo. “Já coletamos todo tipo de lixo: pedaço de embarcações, pranchas, barracas, garrafas de vidro, garrafas pet, sacos de plástico, pneus, seringas, materiais para uso de drogas e até vaso sanitário. Os mais comuns, infelizmente, são o plástico e o isopor. Arrisco dizer que 90% do resíduo que coletamos era de plástico e isopor”, comenta Bruno.

 

Texto Leila Pinho

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