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Nas ondas depois dos 50 anos

seg, 27/01/2020 - 14:04 -- Divercidades
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Arquivo pessoal
homem surfando

Na vida, assim como na tela do computador, chegamos numa fase em que temos que escolher: desligar ou reiniciar. E muitos estão escolhendo o “reiniciar” de uma forma muito especial, encontrando no surfe um novo jeito de enxergar a vida, começando ou recomeçando no esporte quando já passaram dos 50 anos de idade.

A modalidade está caindo no gosto dos “surfistas prateados”, pessoas na meia-idade que encontraram no surfe uma atividade para se manter em movimento e socializar. Uma terapia sem a pressa ou as cobranças tão comuns aos mais jovens.

 

Além do radical

professoar de surfe e alunasApesar de seus 35 anos, o instrutor Cláudio Freitas já acumula muitos anos de surfe, esporte que pratica desde criança. Além de competir profissionalmente, ele se tornou professor, técnico e árbitro de surfe. Em suas aulas, Cláudio percebe o aumento na procura pela faixa etária acima dos 50 anos, quando as pessoas já estão mais estabilizadas pessoal e profissionalmente.

“O surfe começou a ser visto com outros olhos após os resultados dos brasileiros em competições do circuito mundial, inclusive pelas pessoas de mais idade, por verem que o surfe é um esporte que promove a saúde. A maior parte de meus alunos é adulta, alguns já ultrapassaram os 50 anos”, conta.

O professor explica que é um esporte possível para todos, independentemente da idade. O fator fundamental é a dedicação. “Todos os meus alunos acima dos 50 anos conseguiram surfar, com mais facilidade ou menos. As limitações existem em todas as idades. A diferença é que o jovem é afoito, quer fazer tudo acontecer no tempo que ele imagina. Já os maduros são mais pacientes, encaram o esporte como qualidade de vida”, diz.

Os equipamentos adequados também fazem a diferença. “Sem um bom equipamento, não se consegue atingir o objetivo principal que é ficar de pé na prancha. Ele precisa estar de acordo com a altura, o peso e considerar até se o aluno tem alguma experiência com o mar”, explica. Com dedicação, Cláudio garante que os benefícios são muitos. “Diminui o estresse, melhora a respiração e a capacidade cardiorespiratória, fortalece e tonifica a musculatura, aumenta a resistência, melhora a coordenação motora, aumenta o equilíbrio e melhora até o sono”, enumera.

 

Mente sã, corpo são

mulher surfandoQuem retrata o bem-estar trazido pelo surfe é a médica dermatologista Edna Rosalina Motta Cerante. Aos 67 anos, ela descobriu o esporte para vencer o desafio da longevidade com mais saúde.

Edna sempre gostou de praticar esportes: academia, ginástica, escalada, montanhismo, trilha, ciclismo, tênis... Mas foi após completar 50 anos, que “se deu” o presente de aprender a surfar. “Pensei ‘estou com meio século de vida e se não surfar agora, nunca mais eu vou’. O surfe me dá prazer. Faço muito exercício, estou sempre rodeada de amigos e me desligo de tudo quando estou na água”, lembra.

Mas, apesar de se manter sempre ativa, Edna reconhece as limitações que os anos trazem. “É preciso orientação e cuidar do físico. Limitações sempre vão existir. Depende de cada um encará-las ou não”, indica.

Porém, para ela, os benefícios compensam. “Fiz algumas surf trips para ‘brincar’ de pegar onda. Me encantei com a Costa Rica, onde encontrei lindas praias, águas quentes, ondas longas e de todos os tamanhos. Encontrei no surfe o prazer em me divertir, desligar dos problemas, conversar com pessoas de cabeça boa e o contato com a natureza. Não tem nada melhor que isso”, relata.

 

A terapia do surfe

homem com prancha de surfeA depressão é como maré que sobe de repente, e até mesmo os surfistas precisam encarar essa onda gigante. E uma dessas quase “quebrou” em cima de Cláudio Roberto da Silva Ramos, de 60 anos. Mas no surfe ele encontrou o recomeço.

Na verdade, a história começa quando Cláudio tinha 15 anos e começou a surfar, com direito a conhecer lendas como Rico de Souza, Pepê, Daniel Friedmann. Porém, a paixão acabou perdendo espaço para as responsabilidades da vida de adulto.

“O trabalho foi tomando um espaço maior no meu dia a dia e parei totalmente. Minha vida foi voltada ao comércio, à família e a criar meus filhos. Até os 51 anos, nunca mais surfei”, lembra.

O reencontro de Cláudio com o surfe, após mais de 30 anos sem subir em uma prancha, veio depois de um momento difícil de sua vida pessoal.

“Passei por um momento difícil na minha vida e voltar ao surfe foi a minha válvula de escape. Estava definhando por não comer e não dormir. Meu incentivo maior para voltar veio de amigos e familiares que me aconselharam a viajar para Itacaré/BA. Foi lá que, ao invés de me afogar em remédios por conta da depressão, fiz do surfe minha terapia e consegui me refazer”, afirma.

Mas, em dezembro do ano passado, Cláudio levou outro susto: uma queda de motocicleta a mais de 130 km/h, por conta de óleo derramado na pista, teve como resultado, uma lesão no ombro que o impediu de surfar este ano. “Hoje, entendo que a cabeça tem o mesmo ímpeto de quando eu era mais jovem, mas o corpo já é outro. Só que, enquanto eu achar que consigo surfar e andar de moto, vou seguir com essas duas paixões”,  reforça Cláudio, que já  pretende voltar a surfar nesse verão.     

 

Se o mar não vem até o surfista...

homem em pé na pranchaO Mato Grosso do Sul é um lugar de cenários deslumbrantes, como o Pantanal e a cidade de Bonito, que são dois dos destinos ideais para o turismo no Brasil. Só falta uma paisagem: o mar.

E foi pela televisão que o médico sul-mato-grossense de 55 anos, Yassim Irabi, conheceu o surfe. Uma paixão à primeira vista, que virou a promessa de um dia estar no meio das ondas, em cima de uma prancha.

Até cumprir a promessa, se formou, consolidou carreira e constituiu família. Depois, foi a vez de se dedicar ao sonho dos filhos, que também se formaram em medicina. “Há uns 15 anos, comecei a procurar alguém que me orientasse, pois era difícil encontrar professores realmente profissionais, além de não ter o tempo necessário naquele momento, já que trabalhava muito para que meus dois filhos fizessem faculdade”, conta.

O surfe entrou, de fato, na vida de Yassim há três anos. “Conheci os mestres Claudinho e Mosquito e a minha rotina foi sendo moldada de acordo com os ensinamentos deles: condições do mar, clima, vento, melhor hora do dia para praticar o esporte, de acordo com a minha rotina médica”, afirma.

A paixão pela medicina, ele conseguiu transmitir aos seus filhos mais velhos. Já o surfe, está “na veia” de sua caçula: “Dos meus três filhos, os mais velhos são médicos. Já a menorzinha, com 10 anos, adora o surfe. No meu caso, tem as limitações físicas, por conta do corpo mais ‘maduro’. Mas, independentemente da idade, ficar em pé numa prancha é um grande prazer”, brinca.

 

Paixão em família 

mulher surfandoQuem disse que as mamães não acabam “dropando” umas ondinhas também? A médica Nubia Cordeiro Rosa, de 53 anos, adotou o surfe como esporte praticado em família. Ela sempre gostou do esporte, mas morava numa cidade sem praias e nunca teve oportunidade de aprender. Já em Macaé, há dois anos, resolveu ter aulas com seu filho.

“Meu filho achou muito engraçado, pois, no início, não conseguia me manter em pé na prancha. Me perguntou se eu iria continuar com as aulas e eu disse que sim. Os professores Cláudio Freitas e Mosquito dão todo o suporte pra isso, com pranchas adaptadas aos iniciantes, e ficam ao seu lado, comemorando todas as suas vitórias”, complementa.

Nubia já está na sua temporada de surfe: “Como o mar em Macaé é difícil para iniciantes, pratico apenas no verão. Faço aulas às 7h e não atrapalha em nada o meu trabalho. Estar na praia só me estimula a começar o dia com mais disposição e alegria”, finaliza a médica.

escoberta de novos sabores.

 

Texto Gabriel Coimbra

 

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