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Mães e bebês em movimento

ter, 24/03/2020 - 11:50 -- Leila Pinho
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Alle Tavares
Maes se exercitando

Pra muitas mulheres, retornar ao exercício físico depois do nascimento dos filhos é bem difícil. Elas precisam enfrentar alguns desafios, como: sair da inércia e solucionar o problema de com quem deixar o bebê. Ou, fazer como Lívía e Catarina, levando a criança para se movimentar junto.
Com gestos coordenados, as mães entrelaçam o pano do sling e preparam as amarrações que vão abraçar seus bebês. Esse ato precede os primeiros passos da dança, na aula da Dança Materna, nos Cavaleiros, em Macaé. É uma mistura de ritmos, cores e afetos. Elas trocam carícias com seus filhos, relaxam, riem, interagem, se exercitam e não se importam caso alguém abra o berreiro querendo peito. Tem pausa para mamar, tem pausa para ninar e tem acolhimento e entendimento das outras mães, já que todas vivenciam as mesmas experiências.
Nesse clima, a coordenadora de supply chain, Lívia Terra, de 38 anos, valsa com o pequeno Arthur, de 6 meses.  Toda semana, durante 1h30, Lívia dedica esse tempo a ela com Arthur. Para ela, participar da dança é prazeroso.

Livia dançando com o seu filhoA energia é muito boa e, pra muitas mães, este é o único dia da semana em que a gente consegue esquecer de tudo e se conectar com a gente mesmo”, fala.
A fonoaudióloga Catarina Franco, de 35 anos, também tem o privilégio de fazer uma atividade, duas vezes por semana, juntinho de uma das coisas que ela mais ama na vida, sua filha mais nova, a Maria Clara de apenas 8 meses. A cada movimento na aula de pilates, Catarina se divide: fica atenta à postura correta e de olho grudado nos olhinhos da pequena, que muitas vezes serve como peso na execução dos exercícios. Não tem nada de ritmo acelerado. No Mommy´s Pilates (pilates para mãe e bebê), Catarina faz tudo com calma, respeitando o tempo da Maria Clara e curtindo a delícia de se exercitar com ela.

 

O retorno da mãe

Depois do nascimento da sua primeira filha Laura, Catarina se sentiu muito cansada fisicamente e mentalmente. Quando engravidou de Maria Clara, ela decidiu mudar seu comportamento para evitar que o desgaste voltasse a ocorrer. Ela fez várias atividades durante a segunda gestação como dança materna, yoga e treinamento funcional.

Catariana com a Laura
Aos quatro meses completos de Maria Clara, a fonoaudióloga decidiu voltar a se exercitar. A escolha do pilates se deu também por três motivos: as aulas eram com poucas pessoas, os bebês tinham a mesma faixa etária de Maria Clara e o local era seguro.
Nos primeiros dias, foi uma adaptação corporal. A gente fica toda desajustada e se reprogramar é difícil. Mas como a Maria Clara estava sempre ao meu lado, isso era um afago. Eu podia beijá-la e abraçá-la. Com esse carinho e afeto, eu faço o exercício sem perceber o tempo passar. Isso cria um vínculo maior, fortalece a nossa relação”, fala Catarina. Depois do pilates, Catarina se sente mais disposta para as tarefas do dia a dia.
Segundo explica a fisioterapeuta especialista em pilates, Francines Correa Pinto de Arruda, da Fisiolife Espaço de Saúde, o Mommy´s Pilates traz vários benefícios.

A aula é direcionada para a mulher, para recuperar a força física, fortalecer a musculatura, a parte do assoalho pélvico, tudo para que a mãe tenha resistência física para aguentar as atividades diárias”, fala Francines. A partir de 2 meses, o bebê já pode fazer o Mommy´s Pilates. A criança também realiza alguns movimentos durante a aula.
Lívia também retornou à atividade quando Arthur fez 4 meses. Na Dança Materna, ela exercita e alonga uma das partes do corpo que mais sofre com a árdua rotina de mãe, a coluna. Durante os alongamentos, a professora chama atenção pra isso e orienta as alunas a imaginarem que há um fio em cima da cabeça delas, o qual elas precisam puxar para que a coluna fique sempre ereta.

Farid dando aula

Por trás de cada movimento e exercício tem uma intenção de reorganização do corpo da mãe”, fala Farid Rocha, professora da Dança Materna. Ela explica como a atividade auxilia na reeducação corporal, que traz reflexos positivos inclusive no modo de carregar e amamentar o bebê.
Durante as aulas, são realizados alongamentos, aquecimento e a dança. A mãe e o bebê têm liberdade de parar se precisarem, como para dar de mamar, por exemplo. A criança também recebe cuidados como a massagem Shantala.

Elas comentam que, depois da aula, o bebê dorme melhor. Também alivia a cólica e o refluxo”, diz a professora. 
Com muitos objetos coloridos como lenços, véus, brinquedinhos e outras coisas, a aula da Dança Materna é também um estímulo visual e sensorial para as crianças. “Aprendo brincadeiras que acalmam o bebê e que posso reproduzir em casa. Meu filho fica muito tranquilo, ele costuma terminar a aula dormindo. Essa paz, essa segurança, ele sente”, comenta Lívia. Além da dança, Lívia também faz Mommy´s Pilates com Arthur.

 

Socializando...

A professora de pilates chama atenção sobre o aspecto social dessa atividade, que exerce uma função importante. 

Fran Arruda

A maioria delas quer também recuperar sua vida social, conversar e conviver com outras pessoas, isso, sem deixar o filho de lado. Então, elas encontram outras mães, nas aulas, que estão vivendo coisas parecidas e acabam fazendo amizades. Essa parte social e psicológica também promove a qualidade de vida delas”, pontua Francines.

Farid comenta que, geralmente, as mulheres que chegam para fazer a primeira aula estão sobrecarregadas por causa da rotina exaustiva de cuidados com o bebê. “Na aula, elas conhecem outras mães, se reconhecem nas outras e acabam formando laços de amizade. Ali é um espaço de acolhimento pra elas, ninguém julga ninguém e, espontaneamente, elas planejam encontros depois da aula”, relata a professora.
Para Lívia, a dança proporcionou um reencontro consigo mesma. “Na minha primeira gestação, eu fiquei muito fragilizada, o primeiro filho me trouxe muita insegurança. E a dança me ajudou a me redescobrir como mulher e mãe, eu adquiri mais confiança porque ali senti que podia ser eu mesma, me senti acolhida”, finaliza.

 

Texto Leila Pinho

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