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Mountain Bike

seg, 25/05/2020 - 10:58 -- Alice Cordeiro
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Mountain Bike

Se o Brasil ainda não sonhava com o Mountain Bike (MTB) na década de 1980, o brasileiro Éder Agostinho se apaixonava pela modalidade nos Estados Unidos. Foi lá, nas florestas californianas, cercado por sequoias, mais precisamente em Monterey, que Éder dava suas primeiras pedaladas em uma bicicleta de MTB.

Breno Silva
 

Fui passar uma temporada com minha mãe, que morava em Atlanta, e conheci o esporte. Como o forte do mountain bike estava na Califórnia fui para lá, onde fiquei por dois anos, descendo e subindo as florestas de Monterey”, lembra Éder.

Felipe e amigos
A modalidade surgiu no final da década de 1970, quando lendas como Tom Richey, Gary Fisher, Joe Breeze entre outros resolveram adaptar as bikes speed, preparadas para o asfalto, para andar na terra. “Eram basicamente ciclistas de estrada que buscaram um novo estilo, uma alternativas às magrelas do asfalto, para curtir trilhas em estradas de terra. Mas isso acabou conquistando rapidamente jovens ávidos por emoções”, detalha Éder.

Eder
Em 1990, Felipe Agostinho, primo de Éder também estava em Atlanta quando foi apresentado ao esporte. “Vi o Éder com a bike e logo depois estava comprando a minha. Em 91, voltamos à Macaé e começamos a desbravar as trilhas da nossa região. Nessa época não existia estradas asfaltadas como vemos hoje. Fomos um dos primeiros grupos a ir de Macaé ao Sana pedalando. Éramos poucos, as trilhas ainda não estavam traçadas, as bikes eram pesadas, diferente do que temos hoje”, destaca Felipe.

Felipe e amigos
Uma vez fomos de Macaé à nova Friburgo pela serra macaense. Dormimos no Sana e seguimos viagem pela manhã. As trilhas eram duras, barro puro, bikes pesadas. Só não éramos taxados de malucos pois estávamos nos exercitando”, conta Éder que, a partir de 93 passou a competir na modalidade Cross-Country (XC), na qual os atletas atravessam percursos com subidas e descidas, em trilhas e estradas de terra, em diferentes tipos de terreno e obstáculos naturais. Se o começo foi na região, logo Éder estava competindo o Brasileiro entre feras como o ícone do esporte Márcio Ravelli, primeiro brasileiro a ir às Olimpíadas representando o MTB e 10 vezes campeão brasileiro.
Na sequência, passou a fazer as grandes descidas do Downhill. Hoje, ele e Felipe competem Enduros. “Além da disputa entre os atletas, existe uma disputa pessoal. A vontade de querer fazer o que não fazia, de me superar, sempre”, conta Éder.


Enduro

Uma das modalidades mais recentes do MTB, o Enduro é uma mistura do XC com o Downhill. Com a evolução das magrelas, foi possível conciliar a leveza necessária para as subidas com a segurança fundamental para as descidas. Assim, no Enduro existem trechos cronometrados com descidas e subidas. “Apesar da quilometragem não ser grande, o nível de subidas e descidas é muito pesado. Sofremos nas subidas e nos realizamos nas descidas”, explica Vitor Amado, de 39 anos.

Vitor
Para ele, o bicicross (BMX) se tornou paixão na infância. “Os custos das bikes sempre foram altos, então meu pai me colocou para trabalhar como jovem aprendiz e, assim, comprei minha primeira bicicleta”, lembra.
De acordo com Vitor, o número de praticantes de Enduro na região é significativo, girando em torno de 60 atletas. Os treinos são feitos na serra macaense, entre árvores, pedras e grandes raízes. “Criamos a doutrina de pedalarmos em grupos, pois não é bom treinar sozinho. O nível técnico desse esporte é muito alto, as descidas são muito perigosas, por isso, além da companhia, é fundamental estarmos equipados, principalmente com o capacete especial para enduro, que é todo fechado”, alerta.
Vitor destaca as amizades feitas através do esporte como um dos pontos mais importantes. “Digo que o esporte pode nos trazer amigos para a vida toda em apenas três minutos”, revela, apontando Olavo Faria Neto, de 38 anos, como esse tipo de amigo.

Olavo
Natural de Pádua, Olavo está há 18 anos em Macaé. Durante esse período, optou por morar no Sana, onde desbrava trilhas e as prepara para os treinos. “A serra macaense tem locais ideais para treinos, nos apresenta situações extremas de subidas e descidas. Algumas descidas são tão íngremes que já vimos pessoas experientes empurrar a bike. Tudo isso faz com que o nível da turma macaense seja alto nas competições”, explica Olavo.

Vitor
Para essa turma, as quedas são naturais, o importante é saber cair. “Quando alguém cai nossa primeira reação é verificar se está tudo bem, se estiver vira piada entre a gente. Costumamos dizer que quem caiu comprou um pedaço daquela terra”, diverte-se Vitor.


Downhill

Primeira modalidade do MTB, o Downhill surgiu da vontade de fazer grandes descidas, desafiando os limites dos atletas. Se na época em que o MTB nasceu, o Downhill era feito com bikes adaptadas, hoje as bicicletas são verdadeiras máquinas tecnológicas e potentes, equipadas com suspensões com mais de 200mm de curso, freios super dimensionados, ajustes finos de quadro e suspensão, pneus largos, “cravudos” e até rodas maiores. Tudo para que o piloto tenha segurança nas descidas.
Nessa modalidade, o atleta vai de carro ou teleférico até o local da descida. A partir dali enfrenta pistas radicais (podendo ser naturais ou artificiais), com planos íngremes e grandes saltos, se deparam com raízes, buracos e outros desafios que podem acarretar em tombos perigosos. “É necessário aprender a técnica. É um esporte perigoso, arriscado em todos os momentos. Podemos atingir 65 quilômetros por hora em uma descida entre árvores, raízes, pedras. Podem ocorrer tombos graves”, alerta Breno Silva, de 21 anos, vice-campeão Estadual de Downhill, lembrando que no último campeonato brasileiro levou um tombo e teve que operar o joelho. 

Breno
É um esporte desafiador. Temos que olhar um obstáculo e tentar pensar na melhor maneira de superá-lo. Quando estou no gate de largada tenho uma sensação inexplicável de liberdade e adrenalina”, revela, destacando uma das suas primeiras disputas em Petrópolis, quando sofreu duas quedas violentas. “Estava começando no esporte e chovia muito. Um dos tombos aconteceu a dois metros da linha de chegada e cruzei com a bike nos braços. Estava triste, achando que tinha perdido, quando vi a classificação fui o campeão da prova”, lembra.
Assim como Vitor, o gosto pela bike começou na infância de Breno. “Aos 13, conheci o downhill e não parei mais. Sempre fui muito competitivo e me dedicava ao máximo. Em meu primeiro campeonato fiquei em penúltimo lugar, já estava pensando em desistir quando conquistei o pódio no campeonato Estadual realizado em Paraíba do Sul. Atualmente participo de 15 provas por ano, seja no Rio ou em outros Estados”, conta.
Morador de Córrego do Ouro, distrito de Macaé, Breno ressalta a importância dos treinos em pistas e do reconhecimento da pista um dia antes da disputa. “Temos poucas pistas na região, se compararmos com Friburgo, por exemplo, que tem 15. Aqui contamos com as pistas da fazenda São João, em Rio das ostras, a pista do Frade e a do Parque de Tubos. Uma das maiores conquistas é vencer os atletas da cidade que sedia a prova, pois eles sempre treinam ali. Você tem apenas um dia para saber todas as coisas que eles sabem há anos, por isso quanto mais técnica, melhor somos”, detalha.


Cross Country Olimpico (XCO)

Márcio Gripp descobriu o ciclismo há 10 anos, quando sofreu uma lesão no futebol e aceitou a sugestão do seu médico de praticar ciclismo, pois não teria muito impacto e teria um bom fortalecimento muscular. Mas como ele diz, “o bicho mordeu” e hoje o pedal ocupa 40% do seu tempo.
No começo eu não gostei muito, mas insisti para me exercitar. Ia de Rio das Ostras até a Bicuda de bike. Depois vieram as competições e não parei mais”, revela. Apesar de sua modalidade principal ser o Cross Country Olímpico (XCO), na qual os atletas competem em circuitos fechados de 5 ou 6 km, com obstáculos, Márcio é um mountain biker completo, competindo em modalidades como Cross Country Maratona (XCM), em provas de asfalto, triátlon e outras.

Márcio Gripp
No Brasil, venceu quatro vezes o Iron Biker, maior evento de XCM do país, realizado em Mariana, Minas Gerais. Subiu no lugar mais alto do pódio em 2011 e 2012 na sub45 e em 2013 e 2015 na sub50. “Já participei sete vezes dessa competição e na terceira vez ganhei o título. Em 2016 eu ia chegar em primeiro lugar novamente, mas minha bicicleta quebrou”, lamenta.
Comparado ao XCM, no XCO o trajeto é menor e em circuitos, com dificuldade técnica elevada, exigindo total experiência do ciclista. “O XCO geralmente acontece em sítios, em circuitos fechados com obstáculos artificiais que exigem toda a técnica e força do ciclista, em provas pesadas que podem durar cerca de 1 hora e meia. Já o XCM o atleta lida com obstáculos naturais, com a longa distância, em provas que podem durar mais de um dia, como é o Iron Biker, por exemplo”, explica.
Além do equipamento adequado, roupas necessárias para realizar o esporte em segurança, Márcio destaca a importância dos treinos e da alimentação. “Hoje, que participo de competições, preciso me manter cinco quilos abaixo do meu peso ideal, para ficar mais leve nas subidas, mais rápido. Às vezes o atleta treina muito, come bem, mas não sabe porque não obtém resultados satisfatórios, por isso é necessário um acompanhamento médico e nutricional”, aconselha.

Márcio Gripp
Além de competir em território nacional, Márcio participa de disputas mundiais, como Campeonato Mundial Master de MTB, na categoria de 45 a 49 anos, em Andorra, na Europa, que competiu em junho. Entre os objetivos do atleta estão as conquistas do primeiro lugar nos pódios dos campeonatos de XCO Estadual, Brasileiro e Mundial.
Além do esporte, em comum essa turma tem a paixão pelo ciclismo. Mais do que participar e vencer competições, para eles estar em cima da bike é uma realização. “É um misto de sofrimento e diversão e quando treinamos e vencemos a realização é ainda maior. É uma válvula de escape que me mantém motivado”, confessa Márcio.
É um vício positivo, que me dá uma sensação de liberdade agregada ao contato com a natureza. Quando estou pedalando eu relaxo, esqueço os problemas cotidianos. Tenho que pedalar pelo menos duas vezes por semana para eu me sentir bem”, finaliza, Felipe Agostinho.

Texto Alice Cordeiro

Edição nº 43 - Outubro 2017

Revista Digital

 

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