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A moda mudou e agora também é plus

seg, 18/05/2020 - 12:13 -- Leila Pinho
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Alle Tavares
Catharina

Você é gordinha, cropped não fica bem. Saia curta vai mostrar muitos suas gordurinhas, melhor não usar. Short? Não temos o seu tamanho.

Quem usa manequins maiores, numeração 46 em diante, e se cansou de ouvir coisas assim, está encontrando hoje no universo da moda um pouco mais de espaço para assumir suas formas, se vestir como quiser e ser feliz. Um movimento crescente de quebra dos padrões de beleza, que considera só o magro como belo, e de aceitação dos diferentes tipos de corpos está reverberando na sociedade contemporânea.

A moda é sim para todo mundo e, inclusive, para os gordinhos. Prova disso está nas referências de modelos plus size que já existem, no maior espaço que a mídia dá a essa público e, principalmente, na criatividade das pessoas que usam todo tipo de recurso e fazem sua própria moda.

Catharina BersotAqui em Macaé, uma representante plus size é a Catharina Bersot, modelo profissional que virou inspiração pra muita gente. Aos 31 anos, ela já fez trabalhos para diversos catálogos de moda, ficou em 2º lugar no Miss Rio de Janeiro Plus Size de 2015 e, entre as 10 mais bonitas do concurso Miss Brasil Plus Size de 2015 e, já desfilou no São Paulo Fashion Week Plus Size, em 2016.

O caminho que a conduziu até a carreira como modelo, passou antes pelas redes sociais. Catharina tinha o costume de ir até o Rio de Janeiro para comprar roupas mais atuais porque tinha dificuldade de achar em Macaé, e sempre postava os looks nas redes sociais. As pessoas viam, se interessavam e perguntavam a ela onde tinha. A partir daí ela começou a receber convites de lojas para divulgar peças e, naturalmente, as pessoas a incentivaram a se tornar modelo.

Cathatina lembra que a partir do concurso Miss Plus Size Rio de Janeiro é que as portas da moda começaram a abrir pra ela. “Tudo fluiu a partir disso. Lembro que isso repercutiu em Macaé e foi um alvoroço na cidade. Tive muitas propostas de parcerias e vários trabalhos surgiram.”

Ela já enfrentou muito preconceito, mas hoje, tira de letra situações desagradáveis. “Faço piada disso, me defendo com humor. Tem gente que não se olha e só sabe julgar o outro. Eu sempre fui grande e gordinha e, sempre me amei. Hoje percebo que a aceitação das pessoas comigo melhorou muito depois dos concursos que participei”, fala.

Ela também precisou conviver com o preconceito da moda, boa parte de sua vida. Quando adolescente, ela recorda de como era difícil encontrar roupas modernas, no seu número. “O povo me chamava de vovó, porque as roupas que eu encontrava eram sempre senhoris, não tinha nada transado, era muita roupa cafona. Eu não escolhia a moda, era a moda que me escolhia”, relata.

A consultora de moda e estilo, Catarina Bico, lembra que há uns 10 anos, as coleções eram planejadas até o número 42. “Nessa época, era difícil encontrar lojas com tamanhos maiores e quando tinha, as roupas eram estilo de senhoras. Até na faculdade de moda, o que era ensinado não considerava o público plus size”, afirma.

Segundo ela, atualmente, muitas transformações no mercado da moda estão facilitando a vida dos gordinhos. “Antes o produto plus size era mais caro. Hoje, as marcas fast fashion, tipo Leader, Marisa, etc., têm coleção plus size, que está acessível a qualquer classe. E já existem marcas que fazem roupas exclusivamente plus size, seguindo as tendências de moda”, comenta a consultora de moda e estilo.

A produtora de eventos, Sheila Juvêncio, de 35 anos, aproveita o que as lojas de departamentos têm a oferecer e abusa da criatividade para reinventar seu guarda-roupa. Ela é plus size, gosta muito de usar preto e roupas floridas e tem vaidade especial com o cabelo black power. Sheila é gordinha desde a infância e conta nunca ter tido problema de aceitação. O bom humor e a alta autoestima fazem parte da vida dela.   

Sheila Juvêncio foto Alle tavaresA produtora não é muito consumista para roupas e costuma ser assertiva, nas compras. “Quando acho algo que eu goste, compro logo de quatro cores diferente e customizo. Uso adereços, corto as calças e vou fazendo moda”, brinca Sheila. Por trabalhar com eventos, ela acaba usando muitas roupas pretas, cor que gosta muito. Para Sheila, atualmente, há mais opções para os gordinhos. “Antes eu vestia o que dava, não tinha escolha. Com o tempo, as lojas estão tendo mais cuidado com os tamanhos maiores”, comenta a produtora.

Na opinião de Catharina Bersot, hoje, a moda plus size acompanha as tendências e “desencaretou”. Catharina não se priva de usar o que quiser. “Tenho bota da cano longo, macaquinho, cropped, biquini, calça jeans confortável, blaser, vestido longo e tudo que valoriza minhas curvas”, conta a modelo.

Na avaliação de Catarina Bico, o empoderamento feminino e as mudanças no comportamento social são motivadores para que a indústria da moda mude seus produtos. Antenado nisso, o mercado se adapta pra não perder o público, nem dinheiro. Assim seguem no mesmo tom, a indústria do entretenimento e vários outros mercados. Não por acaso, ganham destaque em novelas, personagens gordinhas bem resolvidas com o corpo, como a “Abigail”, vivida pela atriz Mariana Xavier, e ganham espaço na mídia, artistas e famosos como a cantora Preta Gil e a ex-BBB, Fani.

Catarina BicoE as referências plus size não vem só das celebridades. Com o acesso às tecnologias e a maior facilidade de acesso à internet, qualquer pessoa pode se tornar uma referência para alguém. Assim pensa Sheila, que usa o Instagram para buscar ideias e inspiração de moda. “Os gordinhos agora têm mais representatividade. Vejo que eles estão mais espertos e corajosos também. Eu estou sempre no Instagram vendo coisas e sigo algumas pessoas, não me importo se são famosos ou não. Pra mim, aparece muita coisa de cabelo, porque eu gosto muito”, comenta.

Acho o máximo ver o processo de aceitação das mulheres, de valorização do amor próprio e de autoconhecimento. Se a gordinha quer usar cropped ela pode, se ela se ama e quer, porque não usar? Toda tendência de moda hoje abrange não só o padrão da magreza, o mercado está abraçando todo mundo”, fala Catarina Bico.

 

Texto Leila Pinho

Edição nº 43/ Outubro 2017

Revista Digital

 

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