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“Transbordarte” Linhas em foto

qui, 30/04/2020 - 11:27 -- Leila Pinho
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Arquivo Aline Brant
Aline

Do papel fotográfico brotam galhos, folhas e flores feitos de linha. Se a imagem fotografada já conta uma história, o bordado costurado nela amplia os horizontes, abrindo portas para novos sentidos. Esse trabalho criativo é da macaense Aline Brant que, ao juntar foto e bordado constrói uma autêntica linguagem artística.

Aline

Aline descobriu o bordado, na foto, intuitivamente. Em 2014, ela fez uma oficina de intervenção em fotografia sobre coloração em fotos, que abriu a mente para novas possibilidades. Na época, ela realizou uma exposição em Macaé de coloração em fotos e experimentou ilustrar algumas fotos com linhas. “Nunca aprendi bordado em tecido, mas sempre gostei de linha. Acho que tem uma ligação meio espiritual de poder fazer algo para usar, como quando fiz umas toucas de crochê depois que minha filha nasceu. Tenho essa conexão com a linha e uni isso à paixão pela fotografia. Foi fantástico. Descobri que outras pessoas já fizeram coisas parecidas com bordado na foto, mas diferente do que eu faço”, lembra.
 

Aline

De maneira peculiar, o bordado dela tem inspiração na natureza, o que remete à sua infância. Quando criança, Aline morou na área antigamente chamada de Fazenda União, hoje uma reserva biológica que abrange Macaé, Casimiro de Abreu e Rio das Ostras. “Fiquei boa parte da minha infância ali, essas flores e folhas que eu bordo são muito da minha lembrança infantil. O meu processo criativo, a minha ideia de belo vem da lembrança da infância”, pontua a artista.
Alne

Segundo ela mesma explica, atualmente, tira a foto já pensando em possibilidades de bordados que gostaria de fazer. Quando fotografa pessoas, Aline conversa com o retratado e busca informações sobre ele ou ela. Muito sensível ao que a pessoa retratada diz e às próprias percepções sobre aquilo, Aline vai construindo um sentido que se materializa nos bordados.
A magia da arte está nas infinitas possibilidades de interpretação que cada um pode fazer ao ver uma foto bordada, dela. Para esta matéria, Aline deu à DiverCidades a rara chance de conhecer o sentido que ela construiu ao realizar algumas de suas obras. Uma delas, muito marcante para a fotógrafa, foi a foto do próprio filho, o Dom. “Meu filho teve um atraso na fala. A primeira frase dele foi aos 4 anos. Nessa foto dele, com a boca aberta, bordei ramos saindo da boca, como se ele estivesse florescendo”, compartilha.

Aline

Outra que a impactou de maneira diferente foi a que ela intitulou de “Morada”. Na mini-entrevista que fez com o rapaz fotografado, ele demonstrou uma sensação de “não pertencimento”. Disse que já tinha morado com os pais, sozinho e que em nenhum lugar se encontrava. “Era como se ele não se sentisse acolhido. Ele não queria mostrar o rosto e, junto com essa ideia, eu fui cobrindo a face dele com os galhos e folhas. No final, o bordado ficou parecendo uma casa na árvore, um abrigo. É como se ele fosse a própria casa dele”, explica. “O bordado é o que eu quero dizer a mais. É minha forma de ilustrar isso, além do que vejo na fotografia,” diz Aline.

 

Repercussão internacional

Exposição Aline
O trabalho dela está ganhando repercussão no Brasil e fora também, atraindo olhares de diversos públicos. Aline Brant já fez exposições de suas obras em Macaé, bem no início da carreira, e em outros locais como estações de metrô da megalópole São Paulo e na Fábrica Bhering, no Rio.  A última exposição foi em São Paulo e terminou em janeiro deste ano. “Eu recebi um convite para expor, mas como as obras ficaram nas estações e não tinha muito como garantir a segurança, o material não foi original. Optei por fazer réplicas em lona do meu trabalho. Ficou exposto em três estações, por três meses. O nome da exposição foi Transbordo. Foi muito interessante, recebi muitos e-mails das pessoas que viram, essa foi a maior exposição que já fiz”, recorda.
Recentemente, ela recebeu outro convite inesperado, para mostrar sua arte em um livro que será lançado na França. O livro apresenta trabalhos de artistas do mundo inteiro, relacionados ao bordado. Ao todo, 50 artistas foram convidados para participar do livro e, apenas dois brasileiros integram o projeto, um deles é a macaense Aline Brant.

 

Ruas do Rio

Aline
Um trabalho recente dela tem as ruas históricas do Rio como protagonista. Aline está bordando uma série com fotos de sete vias, uma delas é a Rua do Ouvidor. O novo trabalho surgiu de uma vontade de registrar a ida dela para o Rio, lugar onde mora atualmente. “Quero mostrar minha visão sobre o Rio. Na foto da Rua do Ouvidor, fiz aqueles ramos brotando do bueiro como se o meu bordado estivesse conhecendo o ambiente. É como minha caminhada ali nessas ruas. Se você olhar pra essa foto, possivelmente vai se sentir entrando nessa rua”, fala. A fotógrafa explica que a série traz um componente novo em relação aos outros trabalhos. “Estou trabalhando mais a ideia da profundidade, eu começo o bordado de um tamanho e vou trabalhando mais a perspectiva”, conta.

 

Texto Leila Pinho

Edição nº47/ Setembro 2018

Revista Digital

 

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