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Maturidade na ativa

qua, 22/04/2020 - 11:57 -- Renatta Viana
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Créditos: 
Fotos Alle Tavares
Paulo Lopes

Você já planejou o que deseja fazer quando alcançar os 60 anos? Pretende reduzir o ritmo de trabalho, ter mais tempo de folga para curtir a família ou viajar? Enquanto você reflete sobre o futuro, tem uma turma que já chegou lá e quer justamente o contrário: continuar produzindo, usando a força de trabalho.
Se manter em atividade produtiva pode contribuir para que os idosos consigam superar as dificuldades com mais naturalidade e, também, impactar de modo positivo na qualidade de vida. Isso se relaciona diretamente à capacidade do indivíduo em manter a sua autonomia e independência.
Com o aumento da expectativa de vida, várias temáticas ligadas à maturidade estão sendo discutidas pela sociedade com mais frequência, fazendo conceitos serem revistos e significados de outra forma. Assim, não raro, todos podem ver exemplos de idosos quebrando paradigmas e se redescobrindo na melhor idade.
A atividade não está apenas relacionada ao corpo físico, mas também, às questões pessoais e emocionais. É estar em movimento, produzindo e trabalhando, valorizando a vida como em qualquer outra fase. Ana Lúcia Azeredo Couto é psicóloga clínica e social, doutora em psicossociologia e pós-graduanda em neuropsicologia. Ela pontua que, segundo o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, a população macaense passou a viver cerca de 10 anos a mais entre 1991 e 2010. Como consequência, houve um aumento do número de idosos em relação à população total. 
É importante salientar que a longevidade foi o fator que mais contribuiu para elevar o Índice de Desenvolvimento Humano do município de Macaé (IDHM), segundo informa Ana. A maior longevidade da população macaense acompanha uma tendência nacional e é fruto de melhorias nas condições de saúde coletiva, em geral.

Regina Tannus
A Organização Mundial da Saúde propõe o termo “envelhecimento ativo” para se referir ao processo de otimização das oportunidades de saúde. Essa ideia enfatiza a participação social do idoso.  Ou seja, não se trata simplesmente da capacidade de estar fisicamente bem, mas socialmente ativo. Mesmo a pessoa com saúde física frágil pode manter-se ativa e contribuir na dinâmica da família e dos grupos aos quais pertence. Portanto, é necessário preparo. Quanto antes começar, melhor. Esse preparo inclui a aceitação do envelhecimento como processo natural do ciclo de vida e o reconhecimento de que envelhecer é um privilégio. 
O envelhecimento é um processo multifatorial e os idosos constituem um segmento heterogêneo. As pesquisas apontam que cada vez mais pessoas chegam à idade avançada com autonomia e disposição para desenvolver ativamente sua rotina de vida. A maturidade é vivenciada como um período para realizar ou retomar sonhos e projetos adiados na juventude.  Os idosos da atualidade recusam-se a ser categorizados como improdutivos ou inativos. Reconhecem que, para além dos limites próprios dessa etapa, novas possibilidades se abrem”, diz a psicóloga.
Em Macaé, Paulo, Regina e Antonio contam como as escolhas que fizeram em projetos de produtividade, influenciam no prazer de viver.
Paulo Roberto de Oliveira Lopes é empresário, proprietário da loja Bike Style e do Empório Mineiro. Aos 63 anos, ele enfatiza que a idade não quer dizer nada e que o conceito de que idoso não pode fazer nada já está bem ultrapassado. “As pessoas adoecem porque o corpo humano não foi feito para ser sedentário. Eu sempre fui empresário e gostei de pedalar, me exercitar, então decidi unir o útil ao agradável. Montei minha loja de bike, recebo os amigos, batemos papo enquanto conserto uma bicicleta, tomamos uma cerveja e, agora, em anexo, terá o Empório Mineiro com café, lanches e produtos à disposição dos clientes”, conta Paulo, em um momento de trabalho, descontração e com um visual incrível de frente para a orla da Praia dos Cavaleiros.
Já Regina Coeli Tannus Fonseca, de 71 anos, aproveitou sua aposentadoria para estudar e continuar trabalhando. Sempre muito ativa, professora e engajada em vários projetos sociais, sentia falta de fazer uma faculdade e, no auge de seus 62 anos, iniciou a graduação em psicologia. “Foi uma experiência enriquecedora para mim e para os outros. Eu conto como mais uma experiência de vida e me sinto feliz assim. Logo que me formei, montei meu consultório na Clínica Famille e comecei os atendimentos com foco em terapia individual e de casais. Durante a faculdade, eu percebia que as pessoas ficavam surpresas mas, ao mesmo tempo, servia de incentivo para os outros e isso é muito bom. A gente só envelhece quando deixa de sonhar, a vida é uma festa e nós temos que dar vida aos anos e não anos à vida”, conta Regina, que agora está fazendo pós-graduação em Terapia Cognitiva Comportamental, mais uma de suas conquistas diárias, cheia de emoções e sentimentos, independente da idade.

 

Antônio Gondim
Aos 66 anos de idade, o engenheiro de telecomunicações Antonio Martius Gondim, exerce muitas funções ao mesmo tempo e se orgulha do seu estilo de vida. Empresário dono da empresa Mactel, foi presidente da Associação Comercial e Industrial de Macaé (ACIM) e faz parte da diretoria até hoje, membro da Comissão municipal da Firjan desde 2002, candidato a instrutor pela Mastermind, integrante da maçonaria e atleta de tênis e beach tênis. “Me manter ativo e saudável não é só importante, é imprescindível. O que não se exercita, atrofia, seja no físico, emocional ou pessoal. Além de trabalhar muito, sempre me dediquei ao esporte. Comecei com futebol, depois fui para as competições de natação, até conhecer o tênis e me apaixonar”, pontua Gondim.
A verdade é que a rotina ativa promove a melhora da qualidade de vida, não se tratando, contudo, de fazer o que se quer, mas de fazer o necessário para otimizar recursos e reduzir danos, e isso implica em adotar um estilo de vida com atividade física regular, alimentação adequada, relações interpessoais, planejamento financeiro, disponibilidade para novas experiências como o cultivo da espiritualidade, dimensão cada vez mais relevante nos estudos sobre o tema. Quando os idosos se engajam nesse amplo processo, eles mesmos constroem estratégias de autocuidado e cuidado mútuo. Os benefícios são imensos.

Psicóloga Ana Lúcia
Segundo a psicóloga Ana Lúcia, essa população busca, acima de tudo, a possibilidade de controle sobre a tomada de decisões. Essa perspectiva desafia o senso comum que compreende o mais velho como alguém frágil e passivo, que delega a outro as decisões de sua própria vida.
Quando os idosos se mantêm ativos, todos ganham! Com sua vivacidade e muitas vezes irreverência, inspiram as novas gerações.  Sua participação nos processos de decisão coletiva fortalece o diálogo intergeracional, necessário para equilibrar inovação e tradição. Estudos indicam que os gastos com tratamentos de saúde reduzem, apresentando menos chance de desenvolver síndromes demenciais e depressivas, problemas muito comuns nessa fase. Para o próprio sujeito, encarar a maturidade ativa é o melhor meio de chegar bem ao final da vida”, conclui a psicóloga.

 

Texto Renatta Viana

Edição nº 45/ Abril 2018

Revista Digital

 

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