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Chegou a vez da Canoa Havaiana!

ter, 14/01/2020 - 15:46 -- Juliana Carvalho
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Billy Jonathas
mulher com roupa de academia

A ideia de estar conectado com a natureza, em uma atividade física ao ar livre, tem atraído inúmeras pessoas para a Canoa Havaiana. Com origem na Polinésia onde originalmente as canoas serviam como meio de transporte, a prática preserva, ainda hoje, a cultura predominantemente havaiana, por meio de nomes, símbolos e rituais. Em 2020, o esporte comemorará 20 anos de chegada ao Brasil. Nos últimos anos, o aumento de praticantes tem sido expressivo. De acordo com a Federação de Canoa Havaiana do Estado do Rio de Janeiro (FCHERJ), em 2015, eram 876 federados em todo o estado; a última atualização do órgão, em junho deste ano, aponta que são 2.206 atletas associados em 44 clubes, um aumento de mais de 150%. E como estar federado não é um pré-requisito, a estimativa é que este número seja ainda maior. E Macaé também reflete esse crescimento. Até 2018, eram apenas dois clubes. Atualmente, seis exploram a atividade seja de maneira social, entre amigos, ou como serviço, por meio do pagamento de mensalidade pelo associado. O fato é que, quem experimenta, se apaixona, e as belezas naturais da cidade, só tornam o esporte ainda mais encantador. 

 

Macaloha Va’a, o início de tudo Pessoas na lagoa com remo de canoa havaiana

Carlos Paiva, 60 anos, é referência em Macaé. Ele carrega, com orgulho, o título de ser o pioneiro no município na prática do esporte. Foi ele que, em 2013, deu início às atividades com Canoa Havaiana na cidade. Ex-comandante da marinha mercante e aposentado do mercado offshore, Paiva dedica seus dias à canoa, estando à frente do MacalohaVa’a, o primeiro clube fundado no município. “Em 2011, tive o meu primeiro contato com a Canoa Havaiana, em Niterói. Na época, dividia meu tempo, por conta do trabalho, entre essas duas cidades. A minha aproximação com o esporte acabou afetando e tornando mais difícil o meu retorno para Macaé, sempre ficava aproveitando um motivo para ficar por lá. Foi aí que vi a necessidade de trazer para cá a prática da Canoa Havaiana. Dois anos depois, nascia o MacalohaVa’a”, recorda.

Atualmente, o clube tem cerca de 40 associados que se revezam nos três horários disponibilizados de segunda a sábado, na Lagoa de Imboassica. Além da administração do clube, Paiva também é atuante na organização da prática do esporte, já fez parte da diretoria da federação estadual, participa da realização de campeonatos como o Macaé Water Challenge e, neste ano, lançou o Circuito Costa do Sol, o primeiro com foco regional dedicado à atividade. “A Canoa Havaiana é mais do que um esporte. É uma forma de estar em contato com a natureza e até mesmo de educação ambiental já que, a partir deste contato, você se torna mais consciente em relação à preservação. Macaé tem uma riqueza natural enorme e a Lagoa de Imboassica oferece todas as condições para que possamos remar em segurança”, frisa Paiva que é um defensor da realização da Canoa Havaiana no local, por não oferecer tanto risco aos praticantes do esporte. 

 

Makae Hoe Pessoas na lagoa para remar Makae Hoe

Um dos nomes que figuram entre os veteranos na Canoa Havaiana, em Macaé, é o de Adiel Gonçalves, de 54 anos. Ele iniciou sua trajetória com o Paiva, em 2013 e, em 2017, juntamente com outros 21 amigos, fundaram o Makae Hoe. Hoje, o clube conta com cerca de 30 associados, sendo presidido por Adiel, com o apoio de oito diretores. Aposentado da Marinha, com experiência em embarcações e navegação, sua identificação com a Canoa Havaiana aconteceu de forma natural. “O trabalho no mar facilitou minha adaptação a esse esporte. O bom da Canoa Havaiana é que não há limite de idade e nem muitos pré-requisitos. Apenas que a pessoa tenha condições de saúde que permitam a prática de uma atividade física e que tenha disposição, já que aqui a propulsão é feita totalmente com o esforço físico de cada um”, afirma.

E haja disposição! O exercício realizado durante a remada na canoa requer concentração, sintonia - já que todos trabalham em conjunto - e coordenação motora no trabalho de braços, pernas, abdômen e tronco. A integração entre os participantes também é estimulada, o clube realiza uma vez por mês um café da manhã, buscando a socialização dos associados.

 

Crispy Koa Va’aMulheres segurando troféu de canoagem

O primeiro contato de Crispiane Barcelos, 54 anos, com a Canoa Havaiana foi em 2015, no Macaloha. O sedentarismo era uma realidade em sua vida naquela época. Por indicação de uma amiga, chegou até esse esporte como uma forma de ser mais ativa. De lá para cá, o que era apenas uma atividade física se tornou um ofício ao qual Crispi se dedica, diariamente, tendo como escritório o belo cenário da Lagoa de Imboassica. “Eu estava desempregada, à procura de um emprego com carteira assinada e, quando percebi, já estava envolvida com a Canoa Havaiana e identifiquei ali uma oportunidade para unir lazer e negócio”, revela.

Assim, após passar por outros clubes, em setembro de 2019, Crispi deu início ao Crispy Koa Va’a. Recém-criado, o clube conta com 30 alunos e cinco canoas de três capacidades diferentes: seis lugares (OC-6), dois lugares (OC-2) e de um lugar (OC-1). A veia competitiva da fundadora está presente nos treinos e nos campeonatos que o clube participa. “A minha ‘vibe’ de campeonato é bem acentuada. Gosto muito dessa coisa da competição, da adrenalina e, descobrir tudo isso depois dos 50 anos, é muito bom. Remar é uma terapia, é um recarregar de bateria. É uma linda forma de começar ou terminar o dia. Procuramos preservar a cultura havaiana no respeito à natureza, à canoa, na utilização dos símbolos e na manutenção de tradições como o batismo das canoas, em que é feito um ritual de ‘entrega’ da embarcação”, ressalta.

 

Ohana Hoa Wa’aPessoas na lagoa, na canoagem

Criado em janeiro deste ano, o Ohana Hoa Wa’a, nasceu com o objetivo de agregar amigos e familiares a participarem de um esporte saudável e em contato com a natureza, trazendo no próprio nome, de origem havaiano, essas características: Ohana, que quer dizer família e Hoa, amigos. “Esse é e sempre será nosso propósito maior: unir, remar para viver bem, se sentir saudável, útil, independente da idade, em contato e preservando sempre nosso meio ambiente”, pondera Ricardo Caldas Júnior, 38 anos, que administra o clube fundado pelo pai, Ricardo Caldas. “Sempre tive ligação com esportes náuticos, meu pai era treinador no Clube de Natação e Regatas Campista (Campos dos Goytacazes). Com isso, pratico remo e canoagem desde que nasci. Em 2016, tive meu primeiro contato com a Canoa Havaiana e, este ano, resolvemos ter nossas próprias embarcações”, relembra Ricardo Caldas, o pai, que comemora os benefícios de um estilo de vida mais saudável ao longo dos seus 59 anos de idade.

Ligada ao clube, Cristiane Rebelo, não praticava nenhum esporte até conhecer a Canoa Havaiana, em 2016. Cris é conhecida pela boa circulação em todos os clubes e até participa de competições a convite dos parceiros. “Meu relacionamento com os clubes sempre foi muito positivo, tudo o que aprendo repasso para quem está iniciando, incentivo o esporte independente da finalidade, seja para lazer, bem-estar ou competição. Estar ao ar livre, em plena sintonia com a água, com a canoa é muito prazeroso. A canoa tem essa capacidade de fazer a gente se apaixonar”, destaca.

 

Vela JovemPessoas na praia. Praticantes der canoagem

Entrando, literalmente, na onda da Canoa Havaiana, está o Vela Jovem. Inicialmente destinado à vela, o clube criado em 2016 se rendeu ao encanto da Canoa Havaiana e, desde 2018, passou a ter a prática como grade de suas aulas por meio da #canoavelajovem. “O nosso foco está no aprendizado. Muito mais do que remadores, a gente quer formar navegadores. Por isso, a gente está sempre se atualizando, indo em busca dos melhores professores, tudo para que nossos alunos tenham conhecimento de todos os elementos da navegação e domínio técnico”, explica Cristiane Montebello, 41 anos, que está à frente do clube, que iniciou as atividades na lagoa e mudou-se recentemente para a Praia da Imbetiba. Ela destaca a importância do acompanhamento e conhecimento específico para quem quer realizar a prática no mar, como é o caso deles. “Estamos aqui na Praia da Imbetiba porque entendemos de navegação e dos critérios de segurança necessários à prática em um ambiente como esse”, ressalta Cris.

A nutricionista Ludmila Candeco, 33 anos, está entre esses novos adeptos que não se veem mais longe da canoa. “Vim a convite de uma paciente em junho deste ano. E, na primeira vez que eu vim, de madrugada, e vi o sol nascendo, aquele cenário lindo na lagoa, pensei: gente, é aqui que eu quero ficar! Uma das coisas que mais me atrai é o fato de trabalhar corpo, mente e alma. Eu tenho que estar ali, estar presente, concentrada. Acordo às 4h30 da manhã sorrindo para remar, é algo que me dá muito prazer”, conta Ludmila que acompanhou a migração das aulas da lagoa para a Praia da Imbetiba.

“Macaé tem um grande potencial para qualquer esporte náutico. Eu vim de São Paulo e, quando cheguei aqui, me apaixonei à primeira vista. A Canoa Havaiana é um esporte em que todas as pessoas se unem por um objetivo só. Essa ligação acaba extrapolando o esporte em si e reflete nas relações sociais. Nosso enfoque está em travessias e competições. Estar competindo para nós é divertido e motivador, um objetivo para a nossa preparação, como um aluno que estuda para fazer prova”, destaca Cris.

 

Atua Va’aPessoas na Praia de Imbetiba

A ligação com o mar já unia um grupo de amigos, entre eles, Ian Whyatt e Rosalvo Júnior. Em 2017, eles se juntaram a mais 13 pessoas e compraram uma canoa. O Atua Va’a se diferencia dos demais clubes por não oferecer aulas ou ter associados. A utilização da canoa é restrita aos proprietários e seus convidados. “Todos os integrantes vêm de esportes náuticos, como o surfe, stand up paddle, natação e kite surf, com participação em competições e travessias. Essa conexão trouxe o desejo da gente remar junto e a canoa possibilita isso. Por isso, resolvemos comprar uma canoa e levaá-la para o mar, sendo os pioneiros na cidade a fazer isso. A ideia era até fazer um time, mas preferimos focar na recreação”, afirma Ian, que atua como capitão do grupo e reforça que a experiência dos praticantes é fator crucial para que a remada seja realizada com segurança na Praia da Imbetiba, onde o grupo atua.

“A gente usa a canoa como estilo de vida. Com isso, fomos estreando algumas rotas como Macaé-Búzios, Ilha de Sant´Anna, fazendo algo diferenciado na cidade. O grupo tem uma agenda semanal e regras para utilização da embarcação que são respeitadas por todos os proprietários. Essa conexão com o oceano, com os amigos e atividade física para mim é fundamental. O legal da canoa é isso, me permite me conectar com a natureza e estar em harmonia com o mar, sendo uma ótima pedida contra o estresse e a correria do dia a dia”, declara Rosalvo.

 

Claudio Roy: competições de canoa no auge dos seus 62 anosHomem no mar fazendo canoagem

Até os 50 anos de idade, Cláudio Carneiro, o ‘Cláudio Roy’ ou apenas ‘Paulista’ era só um amante do surfe. Mas, ao conhecer a Canoa Havaiana, em 2015, isso mudou. Atualmente, os dias de Roy, que é aposentado, são dedicados aos treinos e competições que participa com a canoa, tendo passagens no Mundial de Canoa Havaiana, em 2018, no Taiti, e estando classificado para o Mundial de 2020, que será no Havaí. “Aos 9 anos, eu já surfava, então, minha ligação com o mar é muito forte. Com o surfe, eu não tinha um desempenho para competir, depois, no stand up paddle, comecei a ter alguns resultados, indo me destacar na Canoa Havaiana, sendo o campeão sul-americano, brasileiro e carioca, dentro da minha categoria etária. A canoa para mim é algo surreal, essa coisa de você se deslocar por meio da sua própria energia é apaixonante. Macaé tem uma riqueza natural muito grande, um presente para os amantes dos esportes aquáticos”, conclui.

 

Loko Va’aPessoas na praia de imbetiba canoa

O grupo reafirma o crescimento do esporte na cidade e só foi descoberto pela redação da revista no fechamento desta edição. Criado por Rodolfo Araripe e Mariana Vilardo no final de setembro, o Loko Va’a rema na Imbetiba e possui apenas 12 participantes, sendo fiel à cultura polinésia, com respeito à canoa e à natureza. “É um esporte de harmonia”, frisa Rodolfo.

 

 

Texto Juliana Carvalho/ Fotos Arquivo

 

 

 

 

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