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Felipe Rodrigues faz história no triatlo paralímpico

sex, 20/04/2018 - 09:09 -- Carlos Fernandes
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Fotos: arquivo pessoal Felipe Rodrigues
felipe Rodrigues atleta de triatlo

Felipe Rodrigues marcou seu nome no esporte ao se tornar vice-campeão do Ironman do Havaí (EUA), que é o grande objetivo de todo triatleta. Resultado da persistência e determinação de um esportista que superou a barreira da paraplegia, definiu novos objetivos para a vida e não enxerga limites na busca por seus sonhos.

Para chegar ao Mundial de Kona (Havaí), Felipe participou da seletiva de Buffalo Springs, no Texas (EUA), em junho do ano passado. Eram apenas quatro vagas, sendo uma para a Austrália, uma para Luxemburgo e mais duas, em que Felipe concorreu e conquistou sua classificação com o segundo lugar na prova. “Em tão pouco tempo ,conquistei uma das vagas no mundo para Kona, a meca do triatlo mundial. Foi muito gratificante ser o primeiro cadeirante brasileiro no Ironman do Havaí”, fala Felipe.

felipe rodrigues no triatlo

Ele treinou muito nos meses que antecederam o evento, chegando a até nove horas de atividade por dia, mesmo com a expectativa de apenas completar bem a prova que aconteceu em outubro de 2017. “O plano era apenas completar e não ficar no tempo de corte de 10 horas e meia da bike e 17 horas do total da prova. Fiz uma natação conservadora, com uma transição tranquila e parti para a bike bem confiante. Pedalei bem acima do tempo que pretendia, terminando em quarto. Porém, fui correr inteiro e com a injeção de ânimo da torcida e da família, alcancei o segundo lugar. Terminei a prova em 12 horas e meia e fiquei bem feliz com o resultado”, recorda. Não era para menos. Afinal, o segundo lugar em uma prova com essa importância recompensou todos os sacrifícios até chegar ao pódio. 

Se descobrindo no esporte

Antes de ser paratleta, Felipe enfrentou problemas de sobrepeso na infância e somente aos 15 anos, no Colégio Naval em Angra dos Reis (RJ), começou a praticar esportes. Porém, em 2000, um acidente de ônibus na BR-101 mudou sua vida e o deixou paraplégico aos 17 anos.

“Estava no auge da adolescência, na Marinha, mas, quando soube o que havia ocorrido, logo procurei saber o que seria possível fazer sendo cadeirante. Acho que minha família demorou a aceitar a nova situação bem mais do que eu. Fiquei três meses no hospital e acabei engordando. Vi que a natação necessitava apenas de sunga, óculos e força de vontade, entrei no Tijuca Tênis Clube e, em três anos, já estava entre os três melhores do Brasil no nado borboleta”, relata.

A entrada no Ironman

felipe rodrigues paratleta no havaíApós 10 anos de natação paralímpica e de quase um ano parado com uma tendinite no ombro, em 2014, Felipe comprou sua primeira handbike incentivado por um amigo paraciclista. “Nadava na Urca (bairro do Rio) e vários triatletas me falavam do Eliziário dos Santos, o Motorzinho, que fazia o Ironman de Florianópolis (SC) e foi um dos pioneiros do Brasil. Como já nadava bem, seria uma vantagem, porém os custos dos equipamentos e a falta de tempo adiaram minha ida para o triatlo”, conta.

Felipe, então, começou a participar de competições de paraciclismo e de triatlo paralímpico, correndo com sua cadeira de uso diário. E, após comprar uma cadeira de corrida usada, em sua primeira competição, veio uma surpresa. “Fiquei na frente do Eliziário, que era uma inspiração para mim”, fala.

Mesmo competindo no triatlo paralímpico (750m de natação, 20km de ciclismo e 5km de corrida), Felipe aumentou a dificuldade do seu treino, chegando às distâncias olímpicas e meio Iron (1900m de natação, 90km de ciclismo e 21km de corrida), o que o preparou para o Ironman do Havaí, com 3,8Km de natação, 180Km de ciclismo e 42,2Km de corrida.

Certezas e incertezas no futuro

Apesar de ter como adversários nas provas nacionais e internacionais nomes como Fernando Aranha e o holandês Jetze Platz, os maiores obstáculos de Felipe Rodrigues são outros. “Saí do trabalho como engenheiro civil há dois anos, mas viver do esporte está ficando cada dia mais difícil. Atualmente, conto só com o Bolsa Atleta do governo e alguns apoios pontuais. Estou sempre em busca de novos parceiros e patrocínios que queiram divulgar a marca e apoiar o esporte paralímpico”, relata.

Para reduzir despesas, o planejamento para 2018 inclui somente competições da Confederação Brasileira de Triathlon (CBTri). “Esse ano, planejo somente competições nacionais. Os eventos paralímpicos e olímpicos serão simultâneos, o que vai beneficiar o número de competições e a visibilidade”, planeja.

E desistir não é uma opção. “Não me vejo saindo do triatlo nunca mais. Ainda penso em Paralimpíada. Mas, por disputar o Mundial de Kona e ainda sair com medalha, me considero realizado e bastante abençoado”, diz.

Ironman em família

felipe rodrigues paratleta com sua esposaO carioca Felipe Rodrigues mora em Macaé há quase dois anos por um motivo nobre: acompanhar sua esposa Bruna, com quem é casado há quatro anos, e é sua grande companheira em todas as competições. Ele diz adorar a cidade, em especial pela qualidade de vida que encontrou aqui. “Morar em Macaé é muito bom, devido à ótima logística para os treinos nas estradas e por ter uma piscina próxima. Sigo uma rotina de treinos com, pelo menos, dois esportes por dia, entre natação, corrida e bike. Também faço treinamento físico funcional três vezes na semana”, explica.

A rotina pesada de treinamentos é compensada pelos momentos em que Felipe se permite relaxar. “Gosto bastante de viajar e comer bem. Acho que é por isso que continuo treinando bastante, para poder comer mais”, finaliza sorrindo.
 

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