Muitos já passaram por aquele momento em que a calça aperta, a barriga parece “cheia de ar” e o desconforto tira até a vontade de sair. O inchaço abdominal, ou bloating, é um dos sintomas mais comuns no consultório, e apesar de frequente, não deveria ser normalizado. Ele é um recado do seu corpo de que algo no intestino precisa de atenção.
Uma das causas mais importantes do inchaço é a sensibilidade aos alimentos que fermentam, também conhecidos como FODMAPs, um grupo de carboidratos presentes em alimentos que fermentam rapidamente dentro do intestino. Esse processo aumenta a produção de gases e a sensação de distensão abdominal. Isso pode acontecer com alimentos como cebola, alho, feijão, trigo, leite, maçã, melancia e até alguns adoçantes como xilitol e sorbitol. Não se trata de rotular alimentos como certos ou errados, mas entender como cada um reage no seu organismo. Por
isso, a dieta de baixa fermentação, quando acompanhada por um nutricionista, pode ajudar a identificar gatilhos e trazer alívio significativo. Mas o inchaço não depende só da alimentação, o estilo de vida influencia muito.
Muitas pessoas comem rápido porque vivem em um ritmo acelerado entre trabalho, estudos, compromissos e tarefas do dia a dia. Dormem menos do que o necessário e acumulam estresse, deixando o intestino mais sensível. Além disso, as variações hormonais das mulheres ao longo do mês podem afetar o trânsito intestinal e a percepção de dor e desconforto, favorecendo episódios de estufamento.

A boa notícia? Pequenas mudanças fazem grande diferença.
Orientações práticas para desinchar e retomar o bem-estar:
- Coma devagar, quando você mastiga bem seu intestino trabalha melhor e produz menos gases.
- Não exagere no consumo de bebidas gaseificadas, como água com gás e refrigerantes, seu intestino agradece.
- Diminua por um período o consumo de alimentos que fermentam e realize a reintrodução gradual para descobrir quais são os alimentos não são tolerados e que geram gatilhos. O acompanhamento guiado por um nutricionista garante que esse processo seja realizado da forma adequada e evita restrições desnecessárias.
- Inclua fibras solúveis, como chia e psyllium, elas melhoram o trânsito intestinal sem aumentar a produção de gases, ao contrário das fibras insolúveis, que podem piorar
o inchaço em algumas pessoas. - Use ervas e especiarias carminativas como hortelã, cúrcuma, gengibre e erva-doce, elas são aliadas naturais da digestão. Inclua nas refeições como tempero ou consuma como chá.
Priorize jantares leves, refeições muito pesadas à noite deixam a digestão mais lenta e aumentam a distensão abdominal. - Caminhe cinco a dez minutos após as refeições. É simples, acessível e poderoso para aliviar gases.
- Cuide do estresse e do sono, o intestino é extremamente sensível às emoções, dormir bem e respirar melhor faz diferença real na barriga.
O estufamento não se trata apenas de estética é uma questão de saúde. Observar o seu corpo e fazer escolhas mais conscientes podem transformar a sua relação com
a alimentação e trazer de volta a leveza e a sensação de bem-estar. Quando necessário, o olhar de um profissional especializado pode guiar de forma segura, individualizada e gentil essa jornada.
VERIDIANA SASS
Nutricionista, pós-graduada em Gastroenterologia, Nutrição Funcional, Fitoterapia e Medicina Ayurveda. CRN: 22102051.
Instagram: @nutri.veridianasass