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O outro lado da quarentena

seg, 28/12/2020 - 13:25 -- Juliana Carvalho
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Alle Tavares
Carlos Américo aproveitou que trabalhando em home office na quarentena para se dedicar ao estudo da fabricação de pães artesanais.

Edição nº 54 - Dezembro 2020 

Texto Juliana Carvalho

Se reinventar, redescobrir, se permitir... enxergar além do momento de incertezas, insegurança e até mesmo de dor que toda a pandemia do novo coronavírus trouxe... De uma hora para a outra, sem qualquer aviso ou preparo, a maioria se viu diante de uma rotina totalmente nova e indesejada. Para muitos, algo desesperador, mas Elisa, Thaís e Carlos são alguns exemplos de pessoas que conseguiram ressignificar a quarentena e fizeram desse momento uma oportunidade para realizar coisas novas!

Elisa, a médica que se envolveu com a música

Elisa Figueiredo Arantes é médica, especialista em otorrinolaringologia, atuando há cerca de 10 anos na área. O contato com a música sempre foi algo que a interessou e, em 2019, Elisa se dedicou a aulas de canto. Em 2020, decidiu que era hora de ir além na música, e resolveu fazer aulas de violão. O que Elisa não esperava era que, apenas um mês depois de iniciar as aulas, o processo fosse interrompido por conta do isolamento social. “Eu nunca tinha feito nada de violão, era toda sem jeito, mas eu não quis parar e continuei com as aulas online. Naquele momento, meu consultório estava parado, minha vida toda diferente e eu sabia que precisava me envolver com coisas que me mantivessem ativa. Eu não queria perder o contato com a música, e isso realmente preencheu os meus dias. Eu tive mais tempo para me dedicar e acredito que, por isso, minha evolução foi até mais rápida do que seria somente com as aulas presenciais e com a rotina intensa de trabalho”, avalia Elisa, que inspirou até o marido, o também médico Leonam Magalhães a voltar a praticar o violão, contribuindo ainda mais para a sintonia do casal.

A quarentena ampliou a minha visão sobre as coisas, principalmente em relação ao tempo. Percebi que era possível conciliar o trabalho com outras atividades que gosto de fazer. Que eu, como pessoa, sou muito mais do que apenas a profissional médica. Todo esse entendimento acabou contribuindo para aprimorar até mesmo o meu atendimento no consultório. Durante a quarentena, eu consegui me dar tempo, me dedicar a mim mesma, me olhar, ampliar meus horizontes, interesses, ou seja, me redescobrir”, afirma.

Carlos, o geofísico que se apaixonou por fazer pães

Carlos Américo Reis Cardoso é geofísico, com mestrado em Engenharia de Petróleo. Sempre permeado por números e cálculos, sentiu o interesse pela gastronomia, em especial os pães, ser despertado durante uma viagem à Itália, em 2019. “No fim de 2019, eu fiz uma aula de introdução ao pão de fermentação natural e, este ano, comecei a fazer os meus primeiros pães, mas só tinha os fins de semana para praticar. Assim mesmo, era lá uma vez ou outra, com todo um planejamento, já que esse tipo de fermento requer certos cuidados. A quarentena veio de uma forma muito brusca, de um dia para o outro fomos avisados que passaríamos a trabalhar de casa. Então, passei a ter mais tempo, já que não tinha mais o deslocamento, nem precisava me arrumar para sair. Com isso, fui estudar mais sobre os pães de fermentação natural, comprei livros, pesquisei bastante na internet, adquiri mais conhecimento e consegui colocar em prática o que ia aprendendo”, revela. Logo depois, Carlos resolveu compartilhar seu conhecimento, e escreveu um e-book com passo a passo sobre o processo e dicas. A produção começou a ser compartilhada com amigos, que eram convidados para o café ou presenteados. Por fim, os pedidos dos amigos por pães se multiplicaram, o que tornou a comercialização, mesmo que em pequena escala, um caminho inevitável. O período a mais para se dedicar aos estudos e colocar literalmente a mão na massa, levou Carlos a uma verdadeira imersão no mundo dos pães de fermentação natural, algo, até então, inimaginável. “A quarenta possibilitou que as coisas acontecessem de uma forma muito intensa. Se não fosse por isso, dificilmente eu chegaria onde cheguei, me aprofundando tanto nesse universo que se tornou uma verdadeira paixão”, destaca.

Thaís e o encontro com o Triatlo

A médica obstetra Thaís Fonseca sempre teve um dia a dia corrido e pouco previsível por conta da própria profissão. Ela, que sempre gostou de praticar atividade física - se dedicava, até então, ao Crossfit e a uma recuperação pós- -lesão no ombro -, se viu diante do desafio da quarentena para manter os treinos em casa e não perder o ritmo. Foi neste momento que Thaís começou a ser influenciada por pessoas que estavam fazendo esportes ao ar livre.
Eu comecei na corrida, tentando correr, porque era uma coisa que eu não gostava muito. Aí, conheci o pessoal da bicicleta por meio da corrida e, logo na primeira vez, fomos de Macaé até Casimiro de Abreu. Depois desse pedal, eu nunca mais quis largar a bicicleta, fiquei apaixonada”, destaca Thaís que, logo depois, começou a fazer aulas de natação em mar aberto. “Eu nunca tinha nadado assim antes, só mesmo aquela coisa de ir à praia, mas bastou entrar no mar às 6h da manhã e ver o sol nascendo de dentro da água, que já estava apaixonada e, agora, levo o triatlo para minha vida”, afirma.
A vivência da pandemia fez com que Thaís valorizasse ainda mais a busca pelo tempo para si mesma e reconhecesse no esporte uma forma de terapia. “Eu sempre fui uma pessoa muito tranquila, mas, no início da pandemia, comecei a ficar um pouco ansiosa e nervosa. E vi que a atividade física ia ser um caminho para me deixar mais centrada. Além de me ajudar a manter a rotina de exercícios, estar em um espaço aberto, nadando, correndo e pedalando foi uma verdadeira terapia. Essa pausa da quarentena me mostrou que a gente precisa cuidar mais da gente mesmo; que precisa de menos do que corre atrás; que família é a coisa mais importante e que temos tempo para fazer tudo, é só querer!”, pontua.

Olhar para si mesmo é um caminho para se encontrar e se dedicar ao que realmente importa: ser feliz!
Apesar de todo o sofrimento trazido pela pandemia do novo coronavírus, fato é que somos seres adaptáveis e, com as modificações trazidas pela quarentena, pelo isolamento social e, até mesmo no pós-flexibilização, com a retomada de algumas atividades econômicas, essa experiência abriu caminhos para importantes reflexões.
Esse período de confinamento permitiu que muitas pessoas se reconectassem com sua essência de vida, que enxergassem que é possível ter uma profissão e, ainda assim, conseguir se dedicar a outras coisas que gostam. Colocou todo mundo em um lugar de repensar o que faz, o que é de fato importante”, explica a psicóloga Samantha Dutra, que faz ainda um alerta sobre as expectativas que pairam para a chegada do novo ano. “Não adianta mudar o ano se você não muda o que está dentro de você, suas escolhas, seu modo de pensar. Não podemos esquecer que ainda estamos vivendo uma pandemia; que o vírus não irá acabar com a virada do ano, mas que é possível se adaptar dentro de alguma medida; viver sem fazer tanto planejamento, o que gera uma ansiedade cruel sobre si mesmo; ressignificar suas ideias, colocar em prática o que tem vontade, entender o tempo das coisas, e, principalmente, não se fazer tantas cobranças”, acentua. 

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