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Energia fotovoltaica

ter, 08/08/2017 - 15:31 -- Carlos Fernandes
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Foto: Gianini Coelho
fazendeiro com galpão com placas de energia solar fotovoltaica

O Brasil possui enorme potencial para produzir energia solar, que vem experimentando um crescimento como fonte renovável, em complemento à produção hidrelétrica, principal fonte do país. No sistema, painéis absorvem a irradiação solar, que é convertida, por meio de células fotovoltaicas, em energia elétrica.

Foto: Alle Tavares

gustavo da automasolO custo para sua instalação se torna viável em projeções de curto e médio prazo, já que o consumidor tem o retorno do investimento, gerando sua própria energia a um baixo custo de manutenção. Além disso, os painéis solares podem ser alojados em lugares de difícil acesso, a geração não polui o ambiente e a vida útil do equipamento é longa.

Levando-se em consideração os reajustes, além das bandeiras tarifárias dependendo das condições de geração, a energia solar se mostra um bom negócio. “Gerar essa energia é de graça, afinal o sol nasce todos os dias. Toda a energia gerada é entregue à empresa distribuidora, que abate no que for consumido. Se forem consumidos 500 kWh no mês e devolvidos 500 kh, não há nada a ser pago, somente a taxa mínima”, explica o diretor da empresa Automasol e Engenharia, Gustavo Lacerda.

A energia solar fotovoltaica também pode suprir a demanda de empresas. “Há uma troca da despesa pelo investimento em um sistema de energia. Quando o equipamento se paga, o dinheiro da conta de energia passa a ser um lucro que vai sobrar no caixa”, completa Gustavo.

Potencial para produção de energia limpa

O Brasil é um dos poucos países no mundo que recebe uma insolação superior a 3.000 horas/ano. A Agência Nacio nal de Energia Elétrica (Aneel) projeta que a minigeração de energia cresceu cerca de 800% em 2016, sendo a maioria, de sistemas de fonte solar e de uso residencial. O comparativo indica que o Rio de Janeiro possui uma irradiação solar global anual que varia de 1.460 a 2.010 kWh/m², enquanto a Alemanha, líder global na instalação de sistemas fotovoltaicos, possui um nível médio de 1.700 kWh/m².

Atualmente, há 842 plantas de energia solar fotovoltaica operando em todo o Estado, conforme o Banco de Informações de Geração (BIG), da Aneel. E o Atlas Solar do Estado do Rio de Janeiro, lançado este ano pelo Governo do Estado, em parceria com a EDF Norte Fluminense, a PUC-Rio e a EGPEnergia, aponta o Norte Fluminense como a área com o maior potencial para produção.

Na área de concessão da empresa Enel, que atua na região, 437 clientes estão conectados como “Geração Distribuída” (fonte de energia elétrica conectada diretamente à rede de distribuição). O Polo Macaé, que além do município ainda inclui algumas cidades vizinhas, abrange 40 destas conexões, sendo que dez delas estão localizadas na cidade de Macaé.
“Se olharmos o Mapa Solarimétrico do Brasil, no Estado do Rio de Janeiro as cidades litorâneas possuem uma maior irradiação solar”, explica Gustavo Lacerda.

Foto: Vavá-Dom Fotográfico

placa solar fotovoltaica

O fazendeiro Alexandre da Silva Ramos possui uma propriedade no distrito de Trapiche, na região serrana de Macaé, onde cria gado de corte. Ele diz que, inicialmente, pensou em investir na energia hidráulica, mas mudou de ideia para investir no sistema de energia solar fotovoltaica, por ter levado em conta que a energia solar não corre o risco de escassez, como a água. “Queria uma fonte de energia sustentável e entrei em contato com a empresa Volt Solar para elaborar e executar o projeto, onde, no início, as placas ficavam apoiadas em pilares de concreto, ocupando muito espaço da propriedade. Daí, tivemos a ideia de construir um galpão coberto, aproveitando a estrutura para a colocação das placas e também para o uso da fazenda”, explica.

No caso de Alexandre, cerca de 120 placas de captação foram instaladas sobre o galpão para atender o consumo do seu negócio de gado de corte e outros imóveis. O investimento girou em torno de R$ 200 mil, incluindo o valor da construção do galpão. “Minha conta girava em torno de R$ 6 mil. E isso foi zerado para mim após implantar o sistema de energia solar. Ou seja, este valor de investimento, hoje, me rende muito mais do que outro segmento, aplicação ou imóvel, que não me dariam um retorno tão significativo. No inverno, a produção é menor. Em compensação, no verão, provavelmente, vou produzir mais do que vou consumir. Isso vai me garantir um crédito e equilíbrio nos meses de menorgeração de energia”, comenta.

Índice de satisfação alto

Foto: Alle Tavares

sistema de energia solar fotovotaica na casa do consumidorA resolução 482/2012 da Aneel reduziu barreiras para a instalação de geração distribuída de pequeno porte, além de permitir injetar energia na rede em troca de créditos. Em 2014, uma pesquisa apontou a satisfação de 98% dos microgeradores. E os índices de aprovação permanecem elevados entre os que optaram pelo sistema de energia solar em Macaé. É o caso de Wilson Kuwabara, que desde fevereiro utiliza a luz solar em sua residência. “A minha escolha foi feita considerando as condições de captação em minha casa. Além da redução de custo, a ideia foi a de aproveitar uma energia limpa que a natureza nos oferece gratuitamente”, afirma.

Wilson explica que a mudança já pode ser verificada no orçamento mensal. “Em relação ao modelo anterior, o valor gasto variava entre R$ 400 e R$ 500. Após a instalação do sistema, o valor gasto fica entre R$ 100 e R$ 120, o que corresponde somente à taxa mínima de consumo”, complementa, projetando a economia que terá. “Infelizmente é caro mas, em seis anos, no máximo, o projeto se paga”, enfatiza.

 Estímulo à energia sustentável

Para estimular o investimento em geração de energia solar, a resolução 687/2015, entre outras medidas, reduziu a burocracia e possibilitou a “geração compartilhada”, com a energia sendo gerada em um local com o valor abatido na conta de outra residência, desde que comprovado o vínculo.

Dependendo do tamanho do projeto, também há dispensa de licença ambiental. Além disso, o Governo Federal isenta equipamentos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Os governos estaduais também são autorizados a isentarem de ICMS a energia que é liberada para a rede devido ao insumo obtido com a minigeração distribuída.

Também há linhas de financiamento voltadas para a instalação de sistemas de geração de energia solar fotovoltaica. A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil aceitam projetos em sua linha de crédito para compra de materiais de construção, com taxas de juros mais acessíveis e parcelamentos a longo prazo. Por meio do “Santander Financiamentos”, este é outro banco que disponibiliza crédito para a instalação de sistemas fotovoltaicos com parcelamento para correntistas e não correntistas.

Já a linha de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é voltada para grandes projetos e disponibiliza até 80% do custo da obra com uma taxa de juros ao ano mais baixa. E a linha de financiamento governamental do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) atende pequenos agricultores com financiamento de sistemas fotovoltaicos de até R$ 300 mil.

“A Resolução 687/2015 é uma das mais elogiadas do mundo, exatamente por dar tantas opções a quem pretende investir em energia solar. E os incentivos, hoje, são muitos para isso. Então, é preciso que se leve em consideração não só o valor para a instalação do equipamento, mas o retorno que se terá mais à frente”, finaliza Gustavo Lacerda.

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