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Revolução dos Cachos

seg, 11/01/2021 - 12:22 -- Renatta Viana
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Créditos: 
Alle Tavares
Juliana quando mais jovem resolveu assumir os cachos em definitivo, aceitando seu tipo de cabelo e aprendendo a cuidar dele.  

Edição nº 54 - Dezembro 2020

Assumir os cabelos naturais é revelar uma identidade. A aceitação dos fios naturalmente ondulados, cacheados ou crespos é sinônimo de empoderamento da mulher, seja nas novelas, revistas ou nas ruas. Está cada vez maior o número de mulheres que usam e abusam de penteados que valorizam seus cachos. São atitudes assim que refletem na autoestima feminina, no autoconhecimento e no processo de aceitação também. Hoje em dia, a facilidade nos tratamentos para esse tipo de cabelo, os salões e profissionais especializados, atrelados às informações na internet como opções de produtos, facilitam a vida das cacheadas.
Cindy Britto tem 30 anos e passou 20 anos alisando seus cabelos crespos, simplesmente porque adorava usá-los lisos, entretanto, a dificuldade em lidar com as texturas do seu cabelo a fizeram entrar em transição capilar. “Eu não sabia como cuidar dos cabelos novos que estavam crescendo, então escolhi entrar em transição e fazer o ‘Big Chop’ sozinha. Foi a melhor decisão da minha vida”.  O processo de transição capilar é o período em que a mulher deixa seu cabelo natural crescer da raiz até que atinja um comprimento ideal para o chamado Big Chop (ou BC), o grande corte que tira todas as pontas lisas.Cindy conta que se reconhecer foi uma experiência surreal e, mesmo em meio a uma pandemia mundial, ela não descuidou das madeixas e ainda se tornou embaixadora de uma grande marca de cosméticos do Brasil. “Eu não lembrava da textura natural do meu cabelo e redescobrir isso, mostrando para milhares de meninas, foi maravilhoso. No início, tive dificuldade de encontrar produtos específicos, mas o mercado veio crescendo junto com a gente e, hoje, já somos a maioria em consumo de cosméticos". Apesar de cuidar muito dos cabelos em casa, Cindy trata as madeixas semanalmente no Salão BLZA com a profissional Liz Xavier, fazendo fortalecimento, nutrição e hidratação dos fios, que na tabela, são de curvatura 4.
Simmm!!! Existe uma tabela que classifica cada tipo de cacho. Segundo a cabeleireira Liz Xavier, existem om cabelos tipo 2 ABC e tipo 3 ABC, que vão do cabelo ondulado ao cacheado. Já o tipo 4 ABC, é a variação de cabelos crespos. O nível A, mostra uma ondulação mais solta do fio, o tipo B, é o cabelo com nível de ondulação mais definido e o C, são cachos menores e ainda mais definidos. Liz é especialista em cachos há mais de dois anos e também passou pela transição. Seu cabelo é do tipo 4 A. Ela explica que muitas mulheres alisam seus cabelos porque é mais fácil cuidar do cabelo liso, e conversando com suas clientes, percebe que todas têm receio de não se acostumarem com o natural, de não ficar legal, de não serem aceitas, até encontrar um profissional que as deixe à vontade e seguras.Não é fácil passar pela transição capilar. Requer dedicação, força de vontade, mudanças e isso traz medo e insegurança, porque lidar com duas texturas de cabelo (natural e alisado), nesse período não é fácil mesmo. A transição é muito pessoal e pode levar entre 3 e 4 anos, ou a cliente pode optar pelo procedimento um pouco mais radical, que é o ‘Big Chop’ (grande corte em inglês) e tem esse nome porque tira toda a parte com química do cabelo, esteja ela do tamanho que estiver”, explica Liz, que está se especializando com o expert em cachos Bruno Dantte.
A euforia e excitação fazem parte de uma geração que tomou consciência do quão empoderador é o ato de reconhecer e ostentar, da melhor maneira, suas características naturais, sem se render à ditadura que vê o cabelo liso como referência do que é belo. Além da questão do aumento da autoestima, há também, em muitas mulheres, o objetivo de resgatar a herança histórica, usando o cabelo como forma de afirmação da identidade, como conta a advogada e empresária Juliana Murta, de 36 anos, mãe de 3 meninas, entre 5 e 10 anos. Na moda do cabelo liso, quando era jovem, Juliana fez um relaxamento para soltar os cachos, mas o resultado não foi satisfatório, diminuindo o volume e até criando feridas no couro cabeludo. Além disso, chegou a raspar parte do cabelo na mesma época. Daí em diante, resolveu assumir os cachos em definitivo, aceitando seu tipo de cabelo e aprendendo a cuidar dele.São coisas da adolescência. Fui crescendo, deixando essa bobagem de lado e, hoje, acredito que o cacheado não tem limites, pode ser curto, médio, longo, de várias espessuras e formas. Temos muitas opções de cortes e produtos, mas o melhor disso tudo é poder influenciar a minha filha mais velha, Sofia, de 10 anos, explicando que esse cabelo foi o que Deus nos deu e nossa essência não pode ser mudada. A Sofia um dia chegou da escola dizendo que odiava seus cachos e queria ter cabelo liso igual aos das amiguinhas. Naquele dia, eu disse que ela era diferente, ela é quem tinha uma beleza rara e que não podia negar suas origens, sua história. E aí, nunca mais tocou no assunto. Hoje, ela tem orgulho e já cuida dos cachos sozinha. Durante a quarentena, apenas aparamos os cachos dela e, no meu caso, como  engravidei nesse período, meus cabelos estão enormes e bonitos”, destaca Juliana.
Já Letícia Dias, de 23 anos, tem cabelos classificados como 3 ABC (com a predominancia do 3B) e, a partir de sua experiência, se tornou digital influencer com seu Blog Doces Cachos, e sua página no Instagram já conta com mais de 23 mil seguidores. Ela alisou o cabelo aos 13 anos porque não sabia cuidar, não conhecia seus fios e porque, uns anos atrás, não existiam tantos recursos. “No colégio, não tinham cacheadas na minha sala e eu me sentia diferente, queria me incluir no grupo e achava meu cabelo horrível. Depois eu decidi passar pela transição que foi bastante sofrida, mas muito positiva em vários sentidos. Foram 3 anos e, no meio do processo, eu pensei em alisar de novo, porque são anos com cabelo indefinido e isso mexe com a autoestima da gente”, frisa.Em meio a novidades, cremes, sprays, geleias, gelatinas para cabelo, variedade de preços no mercado, penteados, Letícia foi redescobrindo sua beleza e como seus cachos podiam ser bonitos com volume, sem volume, das mais diversas formas. “Foi incrível o processo me ver bonita e poderosa novamente, e assim, meio que sem querer, me tornei digital influencer em 2016. Na época, estava passando pela transição, super empolgada descobrindo tudo sobre esse universo e o Instagram estava bombando, então, fui postando as dicas, as coisas que eu ia testando e foi dando uma repercussão enorme. As meninas iam perguntando, sugerindo e a coisa foi fluindo. Hoje, concilio minha faculdade de direito com as redes sociais e é muito gratificante poder inspirar outras pessoas. Falando por mim e por todas as cacheadas, nosso cabelo é nossa identidade”, destaca.
Há também quem aproveitou a quarentena para se livrar da química e enfrentar a transição. A professora Marcela de Souza, de 37 anos, conta que seu cabelo foi mudando ao longo do tempo, mas alisou a vida inteira até que começou a se incomodar.Sempre fiz escovas progressivas, luzes e fui percebendo ele muito colado ao rosto, fraco, ralo e então optei por parar com a progressiva. Deixei crescer e ia aparando aos poucos. Passei pelo período que o cabelo ficou indefinido, com um formato feio, mas prendia, fazia escova e chapinha na parte que não estava muito legal e mantive a hidratação. Até que engravidei, veio a pandemia e aconteceu a mudança definitiva. A quarentena me ajudou a encarar o processo e, hoje, com o corte certo, o formato natural e os produtos específicos, vou redescobrindo meu cabelo, super feliz e satisfeita”, finaliza Marcela.

 

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