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Wanderley Gil, o "Leley"

qua, 20/05/2020 - 10:45 -- Alysson Nogueira
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Alle Tavares
Wanderley

Considerado uma das referências entre os profissionais que atuam na imprensa regional, o fotógrafo macaense Wanderley Gil Silva, aos 61 anos de idade, é dono de um carisma que contagia a todos que estão por perto. Com mais de 40 anos de carreira, o famoso “Leley”, como é conhecido entre os amigos, é peça marcante na construção da história da nossa cidade.

LeleyE não pense que isso tudo foi conquistado por acaso. Tudo veio através de muito empenho e dedicação. O ano era 1969, aos 13 anos de idade. Na adolescência, aprendeu o ofício da fotografia auxiliando seu pai, Wanderley, que já era fotógrafo conhecido em Macaé. “Meu pai era uma espécie de ‘Professor Pardal’ da fotografia. Ele tinha um laboratório de revelação dentro de casa. Eu, muito curioso, estava sempre disposto a aprender. Passava horas prestando atenção em tudo que ele fazia. Até que um dia ele resolveu me colocar como seu ajudante. Na época, a revelação de fotos era feita de forma artesanal”, conta. 

Leley e famíliaAo perceber que o filho tinha aptidão pela fotografia, seu pai deu de presente a Wanderley sua primeira câmera fotográfica: uma Pentax. Na época, era considerada uma das melhores câmeras de fotografia do mundo. Por meio dela, de maneira informal, Wanderley reunia os amigos em sua casa e fazia registros dos encontros. Com o passar dos anos, começou a perceber que poderia ter na fotografia seu ‘ganha pão’. Já no fim da década de 70 mudou-se para o Rio de Janeiro e começou a ganhar a vida como fotógrafo profissional na capital fluminense. Foi daí que ele conheceu outra vertente da fotografia sem entender muito bem: o fotojornalismo. Ele percebeu que poderia retratar o cotidiano das pessoas e contar suas histórias através das lentes. Passou a comercializar suas fotos para o Jornal O Dia, cobrindo vários acontecimentos daquela época e conheceu pessoas que foram marcantes na sua trajetória profissional.

De volta para Macaé, no início dos anos 1980, trabalhou no extinto Jornal O Século, importante veículo de resistência ao golpe militar ao lado do jornalista e fotógrafo Romulo Campos. Sofreu retaliações, mas sempre foi muito engajado. Participou de movimentos sociais, políticos e ambientais. “Além de grande amigo, Gil é um ícone no que faz. Muito rigoroso com os enquadramentos, ele trata com muita criatividade seu trabalho. Eu lembro bem que uma de suas fotos jornalísticas que me chamou a atenção foi a de uma criança sendo atacada por um cão, se não me engano na praia da Imbetiba. Uma cena chocante diante da violência do ataque. Gil possui um olhar crítico em tudo que faz”, – descreve Romulo.

lELEY E AMIGOS

Em uma de suas coberturas jornalísticas, o fotógrafo destacou o grave acidente com o avião Bandeirante da TAM que se chocou com o Morro São João em São Pedro da Aldeia, em julho de 1984. “Nesse acidente, 14 colegas jornalistas perderam a vida. Eles estavam indo fazer uma reportagem sobre a extração de petróleo na Bacia de Campos. Eu fiquei muito chocado e lembro que precisei subir até o alto do morro onde o avião bateu. Foram muitas horas caminhando. A cena era devastadora. Fiz as fotos e na volta, ainda de noite, nosso grupo se perdeu na mata. O helicóptero do exército precisou nos orientar para voltar pra casa”, conta.

No auge da carreira, em 1991, foi chamado para integrar a equipe do Jornal O Debate onde permanece até hoje. Ele é descrito pela sua lealdade, generosidade e solidariedade com os colegas de profissão. "Wanderley faz parte da memória do fotojornalismo de nossa cidade. Trabalhei com ele por quase uma década e todos os dias a postura era a mesma, valorizando e respeitando os fatos e os colegas de trabalho. São dele registros de grandes momentos da história do município e da região, numa atuação que percorre, ainda hoje, todas as frentes de notícia. Confiança e comprometimento são, certamente, conceitos que podem ser destacados quando nos remetemos a esse querido colega. Um profissional e tanto!”, elogia a jornalista Luciene Rangel.
 

foto Leley

crianças

SurfeEm 2005 foi diagnosticado com mal de Parkinson, doença que atinge o sistema nervoso central. Apesar de ter a doença sob controle, Leley não parou de fazer aquilo que mais gostava, que é a arte de fotografar. Recebeu duas homenagens da Câmara Municipal de Vereadores de Macaé pela dedicação ao trabalho, valorização da cultura e da paisagem urbana da cidade. No seu acervo de fotografia, são mais de 10 mil fotos de paisagens, sua maior paixão.

 

VIDA PESSOAL

Casado, pai de Gabriel e Thaís e, avô do Kauã, Leley é considerado uma pessoa muito tranquila e companheira. Sua atual esposa, Eliane de Sá Azevedo, 77 anos, descreve o fotógrafo como uma pessoa modesta e carinhosa. 

Leley e amigos

Eu conheci Wanderley durante uma matéria que ele foi fazer na época em que trabalhava em um salão de beleza. Desde então ele ia lá todos os dias para bater papo. Nem chegamos a namorar, foi tudo muito rápido. Ele sempre foi assim, atencioso e muito querido. Tem coisas que a gente nem consegue explicar. Não é a toa que estamos juntos há mais de 21 anos.” 

Paisagem

Sempre aos fins de semana, Leley divide seu tempo com suas duas paixões: a família e a fotografia. “Atualmente estou me dedicando a um projeto pessoal que é fotografar paisagens em Macaé. Sempre fui apaixonado por isso. Aos finais de semana, coloco minha câmera no braço e saio por aí registrando tudo que considero belo. Quero mudar um pouco e partir para esse conceito. Participei de uma exposição que reuniu fotografias de outros 14 profissionais do ramo. Foi gratificante. Enquanto puder trabalhar eu não quero parar.”, finalizou Leley.

 

Texto Alysson Nogueira

Seção Perfil

Edição nº41/ Abril 2017

Revista Digital

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